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Quieto, de mochila, queria ser PM: a última vez de Willian na Rio-Niterói

Sérgio Ramalho

Colaboração para o UOL, no Rio

20/08/2019 17h37Atualizada em 21/08/2019 00h11

O sequestrador do ônibus da linha 2520, Willian Augusto da Silva, de 20 anos, queria ser policial militar.

Foi o que ele disse ao comandante do Bope responsável pela negociação de liberação dos reféns que ele manteve no veículo --que saiu de São Gonçalo com destino ao Estácio, no centro do Rio, ainda na madrugada de terça-feira.

Ao embarcar no "frescão" (coletivo com ar-condicionado e bancos reclináveis), William carregava uma mochila com duas garrafas pet cheias de gasolina. Alto, corpo esguio, vestido com calça e camisa sociais

Logo que sentou-se, ele disse ao passageiro ao lado que viria ao Rio para tentar uma vaga de vigilante --William não chegou a concluir o ensino médio. Também não tinha os 21 anos exigidos por lei para desempenhar a função de vigilante. .

Ele passou a maior parte do trajeto até a ponte Rio-Niterói em silêncio. Às vezes remexia na mochila.

Quando o ônibus iniciou a subida da ponte, logo após passar pelo posto da Polícia Rodoviária Federal, ele levantou-se e foi em direção ao motorista.

Logo em seguida, sacou uma arma e cobriu o rosto com uma espécie de bandana negra, com o desenho de uma caveira, e anunciou o sequestro.

Com a arma em punho, uma faca na cintura, ele abriu a mochila, retirando do interior os recipientes com gasolina.

Uma passageira foi obrigada a colocar algemas descartáveis em alguns passageiros selecionados pelo sequestrador.

Todos homens, provavelmente para evitar uma reação.

Willian manteve-se a maior parte do tempo calmo. Não gritou ou ameaçou atirar nos reféns desde que não saíssem de seus assentos.

O sequestrador também não pediu carteira ou os celulares de quem estava a bordo.

Willian, contudo, oscilava momentos de absoluto equilíbrio com pedidos estapafúrdios.

Chegou a pedir dinheiro é um helicóptero para escapar do local. Mas também disse que atearia fogo ao ônibus ou lançaria o coletivo contra a mureta da ponte para que o coletivo caísse na Baía de Guanabara.

Num momento, anunciou aos passageiros que era PM.

Essas oscilações de comportamento foram fundamentais para a tomada de decisão de disparo.

Ao descer do ônibus, Willian disse que liberaria a maior parte dos reféns, mas seguiria levando alguns como garantia.

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Foi logo depois de jogar um casaco em direção aos policiais do lado de fora, que ele foi atingido por ao menos dois dos quatro tiros disparados por atiradores de elite posicionados em dois veículos, um deles do Corpo de Bombeiros, e de um helicóptero.

O Bope não informou o número de tiros que atingiram o sequestrador e tampouco de que posição partiram.

Toda a negociação foi acompanhada por um psicólogo do Bope, que traçava em tempo real um perfil comportamental do sequestrador.

A ação terminou com o sequestrador morto e todos os 39 reféns libertados.

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