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Investigação apura suposta oferta de R$ 30 mil do PCC a cada policial morto

Boné de um PM durante um ataque do PCC a um posto policial na zona leste de SP em maio de 2006 - Nilton Fukuda/Folhapress
Boné de um PM durante um ataque do PCC a um posto policial na zona leste de SP em maio de 2006 Imagem: Nilton Fukuda/Folhapress

Josmar Jozino e Luís Adorno

Colaboração para o UOL e do UOL, em São Paulo

20/12/2019 15h47

Resumo da notícia

  • Polícia Civil apura denúncia de que facção tenha ordenado assassinatos de policiais
  • Membros da cúpula da polícia dizem que, caso ataques ocorram, haverá segurança
  • Secretaria da Segurança diz que continuará combatendo o crime organizado com firmeza

O departamento de inteligência da Polícia Civil investiga uma suposta oferta feita pelo PCC (Primeiro Comando da Capital) de R$ 30 mil para cada policial assassinado no estado de São Paulo, além de ordenar um ataque às forças de segurança pública na virada do ano.

O UOL teve acesso ao ofício que circula internamente no departamento de inteligência da polícia. Segundo o documento, a promessa de pagamento é para quem matar policiais civis, militares, membros da Rocam (viaturas de motos) e guardas civis metropolitanos, além de um ataque contra o governador, João Doria (PSDB), e o estado de São Paulo, "planejando um massacre".

Procurada, a SSP (Secretaria da Segurança Pública) não confirmou a veracidade da investigação, mas disse que tem atuado com firmeza contra o crime organizado.

A suspeita é de que membros da facção tenham enviado esse "salve" (determinação) a criminosos que atuam nas duas maiores favelas de São Paulo: Heliópolis e Paraisópolis, na zona sul da capital.

O salve teria sido encaminhado dia 12 de dezembro —11 dias depois de nove jovens terem sido mortos após uma ação policial em um baile funk na favela de Paraisópolis. As causas das mortes são consideradas suspeitas pela Polícia Civil. Os 31 PMs envolvidos na ocorrência estão afastados.

O órgão de inteligência determinou, com urgência, na última terça-feira (17), que agentes verifiquem a veracidade das informações nas investigações e interceptações telefônicas que estão em andamento contra integrantes do PCC, presos ou em liberdade.

Membros da cúpula da Polícia Civil informaram à reportagem que a suspeita é real, mas que as forças de segurança terão capacidade de conter qualquer anormalidade, caso venha de fato ocorrer.

Em nota, a SSP informou que "desde o início da atual gestão, as forças de segurança intensificaram o enfrentamento ao crime organizado nas suas mais variadas formas de atuação" e que "segurança pública é uma das prioridades da atual gestão".

"Mais de 30 integrantes de facções criminosas foram transferidos para presídios federais; 146,2 toneladas de drogas foram apreendidas; 46.129 mil criminosos envolvidos com o tráfico foram presos e 10.806 armas apreendidas, sendo 175 fuzis", informou a pasta, na nota.

  • Ouça o podcast Ficha Criminal, com as histórias dos criminosos que marcaram época no Brasil. Este e outros podcasts do UOL estão disponíveis em uol.com.br/podcasts, no Spotify, Apple Podcasts, Google Podcasts e outras plataformas de áudio.

Segurança pública