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Duas pessoas afirmam ter sido agredidas por PMs que espancaram jovem em SP

Jovem diz ser vítima de tortura praticada por policiais militares na zona norte de SP - Arquivo Pessoal
Jovem diz ser vítima de tortura praticada por policiais militares na zona norte de SP Imagem: Arquivo Pessoal

Luís Adorno

Do UOL, em São Paulo

15/06/2020 21h19Atualizada em 16/06/2020 15h41

Dois jovens com escoriações pelo corpo afirmam ter sido torturados pelos PMs minutos depois da agressão flagrada em imagens que circulam desde sábado (13). Além de agressões físicas com socos, chutes e uso de cassetetes, os jovens também teriam sido queimados pelos policiais militares.

As agressões deliberadas praticadas por policiais militares contra um rapaz de 27 anos na madrugada de sábado, no Jaçanã, zona norte de São Paulo, foram filmadas por uma pessoa com um celular. As outras agressões teriam ocorrido no mesmo local, pelos mesmos policiais, por trás das câmeras.

As duas vítimas estavam dentro de uma casa e afirmam que os policiais entraram no local para praticar tortura. Além das agressões denunciadas pelos jovens, a mãe de um deles, ao tentar pedir ajuda a vizinhos, teria tido as coisas de casa quebradas pelos mesmos policiais.

Uma outra pessoa que tentou gravar a ação dos policiais teve o celular agarrado por um deles que, na sequência, o atirou com força ao chão. As vítimas afirmaram à reportagem que são os mesmos policiais flagrados nas imagens.

Segundo uma testemunha, o policial que mais agride o jovem no vídeo é o mesmo que torturou com queimaduras os rapazes que estavam dentro de casa. Os denunciantes, porém, sentem medo de represálias. Por isso, não houve denúncia formal à polícia.

"Após o jovem ser espancado no escadão, os mesmos policiais invadiram a casa da minha mãe e torturaram meu irmão e amigos dele, que estavam fumando narguile. Torturaram com o carvão dos seus próprios narguiles", afirmou uma testemunha ao UOL.

"Depois disso, começaram a quebrar as coisas e foi aí que minha mãe percebeu que havia algo se errado, ao sair para ver o que estava acontecendo a mesma foi impedida pela única mulher que estava entre eles", complementou.

Ainda segundo a testemunha, "como mandaram meu irmão e os amigos ficarem calados só contaram sobre a tortura após os mesmos irem embora. Devido ao medo de todos os torturados ambas famílias decidiram não abrir o BO", acrescentou

Por meio de sua assessoria de imprensa, o ouvidor das polícias de São Paulo, o advogado Elizeu Soares Lopes, afirmou que "todas as medidas possíveis neste momento já foram tomadas e a Ouvidoria vai continuar atenta às investigações".

A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) anunciou, em nota divulgada na noite de hoje, a prisão preventiva de oito policiais militares envolvidos no espancamento.

PMs espancam jovem no Jaçanã

Secretário promete rigor em investigações

Procuradas, SSP (Secretaria da Segurança Pública) e PM (Polícia Militar) não se manifestaram até esta publicação especificamente sobre as supostas torturas praticadas pelos policiais.

No entanto, de forma genérica, o secretário da Segurança Pública, o general João Camilo Pires de Campos, prometeu nesta segunda-feira (15), investigar com rigor as ocorrências de agressões envolvendo policiais militares no último final de semana.

"Não há complacência com o erro. Um dos pontos fortes da polícia de São Paulo é que as corregedorias são fortes, tanto na Polícia Militar quanto na Polícia Civil", afirmou o secretário.

"Os inquéritos estão em curso e nas delegacias das áreas. Vamos apurar com o rigor que merece o fato, lamentamos profundamente que tenham ocorrido. Os policiais são treinados para que isso não ocorra", acrescentou.

O governador João Doria (PSDB) afirmou também hoje que não aceita violência policial "de nenhuma espécie, sob nenhuma justificativa, sob nenhuma condição. Quero dizer isso bem claro".

"Temos a melhor Polícia Militar do país, são mais de 88 mil policiais, e aqueles que cometerem equívocos, falhas, erros, passarão a ter o julgamento devido, além do afastamento imediato da tropa. Poucos não vão comprometer o comportamento de muitos", afirmou Doria.

Violência policial em série em SP

As promessas de apurações rígidas do secretário e do governador ocorreram após uma série de casos de violência policial ter sido registrada no estado.

Na noite de sexta-feira, em Barueri, quando um homem rendido foi agredido por policiais militares. Vizinhos que tentaram proteger a vítima também foram atacados pelos PMs, que foram afastados.

Na madrugada do sábado, na zona norte de São Paulo, mais policiais militares agrediram um jovem que afirmava estar na casa da namorada. Os PMs pertenciam ao 43º batalhão, do bairro do Jaçanã, e também foram afastados.

Durante manifestações ontem na avenida Paulista, um policial militar sem identificação na farda empurrou um repórter do UOL pelas costas para atrapalhar uma gravação. Em nota, a PM prometeu tomar as medidas cabíveis.

Nesta segunda-feira, veio a público, ainda, uma ação da PM em 6 de junho que mostrou, em vídeo, policiais militares atropelando e chutando a cabeça de um motoqueiro rendido depois de uma perseguição.

Segurança pública