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PM que pisou em mulher trabalhou na rua por 45 dias antes de ser afastado

Policial pisa em pescoço de mulher durante abordagem em Parelheiros, zona sul de São Paulo - Reprodução/TV Globo
Policial pisa em pescoço de mulher durante abordagem em Parelheiros, zona sul de São Paulo Imagem: Reprodução/TV Globo

Luís Adorno

Do UOL, em São Paulo

16/07/2020 13h38

Resumo da notícia

  • Soldado foi transferido para outro batalhão após ocorrência
  • PMs que trabalharam com ele no último mês disseram que ele seguiu na rua
  • Ordem de ir para o serviço administrativo chegou apenas na tarde de terça
  • Secretário-executivo da PM disse no dia 13 que o soldado tinha sido afastado
  • No domingo, o governador João Doria havia afirmado o mesmo

Depois de pisar no pescoço de uma comerciante negra de 51 anos durante uma abordagem no dia 30 de maio, o soldado João Paulo Servato, 34, não foi afastado de imediato, como informou o governo paulista. Ele foi transferido para um batalhão, onde permaneceu atuando nas ruas por 45 dias, segundo PMs que trabalharam com ele no último mês.

O soldado recebeu a informação de que iria para o serviço administrativo apenas no horário de almoço da última terça-feira (14), de acordo com colegas de farda, após a repercussão das imagens, que foram exibidas inicialmente na noite de domingo, no Fantástico, da TV Globo.

Servato servia o 50º batalhão, no Jardim Floresta, extremo sul da capital, até o fim de maio. No dia 30 daquele mês, um IPM (Inquérito Policial Militar) foi instaurado para tentar esclarecer se houve excesso na abordagem realizada a pessoas que estavam em um bar de Parelheiros, também na zona sul. Ele foi transferido para o 12º batalhão, no Campo Belo, zona sul, onde sua última ação dentro de viatura ocorreu na noite de segunda-feira (13).

PM pisa em pescoço de mulher rendida

Band Notí­cias

Às 23h21 de domingo (12), após as imagens terem sido exibidas no Fantástico, o governador João Doria (PSDB) escreveu no Twitter que os PMs já tinham sido afastados e que responderiam a inquérito. Ele disse que as cenas lhe causaram repulsa.

Em entrevista a jornalistas no dia seguinte, o secretário-executivo da PM, coronel Alvaro Batista Camilo, afirmou que os PMs que apareciam nas imagens "não foram afastados agora, como o governador já falou, foram afastados naquela época". "Continuamos sempre implacáveis contra esses que cometem desvios", declarou.

A reportagem ligou para o 12º batalhão e pediu para falar com o soldado Servato, mas foi informada que ele não se encontrava no momento. Em entrevista ao Fantástico, exibida no domingo, ele afirmou que usou "o meio necessário" para conter a comerciante.

Por meio de nota, a SSP (Secretaria da Segurança Pública) afirmou que "um inquérito policial militar foi instaurado, em 30 de maio, para apurar o caso". "Os policiais envolvidos permanecem fora das atividades operacionais até a conclusão das investigações."

Ainda segundo a pasta, "um deles foi remanejado para outro batalhão". "Equipes responsáveis pelo IPM, assim como policiais civis do 25º DP, realizam diligências para colher provas e informações que auxiliem no esclarecimento dos fatos."

O caso

Três imagens registradas por celulares mostraram a ação. Na primeira, um policial militar aparece pisando sobre o pescoço da comerciante, que estava deitada no asfalto. No segundo, um PM aparece apontando a arma para um rapaz, que tirava a camiseta com intenção de mostrar que estava desarmado.

No terceiro vídeo, divulgado por PMs ontem, é possível ver a comerciante agredindo um PM com o cabo de uma vassoura. Na delegacia, os policiais militares afirmaram que haviam sido agredidos pela mulher com uma barra de ferro —o que é desmentido pelas imagens.

Tíbia de comerciante de 51 nos quebrou (esq.) após, segundo ela, um PM lhe aplicar uma rasteira em 30 de maio. Em 29 de junho, ela precisou fazer uma cirurgia para colocar uma haste e dois pinos no osso (dir.) - Arquivo Pessoal - Arquivo Pessoal
Tíbia de comerciante de 51 anos quebrou (esq.) após um PM lhe aplicar uma rasteira em 30 de maio. Em 29 de junho, ela precisou fazer uma cirurgia para colocar uma haste e dois pinos no osso (dir.)
Imagem: Arquivo Pessoal

Após a abordagem, a comerciante disse que foi para um pronto-socorro da região, sendo transferida em seguida para o Hospital Geral do Grajaú, onde foi constatado que ela havia quebrado a tíbia. Ela ficou com a perna engessada por 30 dias e realizou uma cirurgia no último dia 29 de junho, para colocação de uma haste e dois pinos.

A comerciante e dois clientes foram indiciados, na ocasião, por resistência, desobediência, desacato e lesão corporal no 101º DP, no Jardim das Imbuias. O caso, porém, é investigado pelo 25º DP, de Parelheiros.

Segurança pública