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Inquérito aponta que motorista bebeu antes de acidente que matou estudante

Jeane Fagundes, de 20 anos, morreu em acidente de moto em Balneário Camboriú (SC) - Reprodução
Jeane Fagundes, de 20 anos, morreu em acidente de moto em Balneário Camboriú (SC) Imagem: Reprodução

Luan Martendal

Colaboração para o UOL, em Florianópolis

05/03/2021 12h47

A Polícia Civil de Santa Catarina indiciou por homicídio doloso e lesão corporal leve o motorista do carro que provocou a morte da estudante de nutrição Jeane Fagundes, de 20 anos, e deixou outras duas pessoas feridas em um acidente entre carro e moto há um mês em Balneário Camboriú. Segundo a investigação policial, o autor, um rapaz de 21 anos que não teve a identidade revelada, ingeriu bebida alcoólica horas antes da colisão, assumindo o risco de provocar a colisão dos veículos. O inquérito foi concluído na tarde de ontem e remetido a juízo.

A morte de Jeane Fagundes aconteceu na noite de domingo, 7 de fevereiro, em frente ao Aquário Municipal, um dos principais pontos turísticos da cidade. Na ocasião, ela estava na carona de uma moto conduzida por seu namorado, quando o veículo foi atingido na traseira por um Citroën C3. Com o impacto, a vítima e o condutor da moto caíram no chão — ela foi atropelada e arrastada por alguns metros, morrendo no local. Conforme apuração da polícia, diante da situação o motorista atingiu também um ciclista e fugiu do local sem prestar socorro.

De acordo com o delegado David Queiroz, responsável pelo inquérito policial, quando interrogado o motorista do C3 confirmou que estava dirigindo o veículo que colidiu contra a traseira da moto, mas que não recordava de detalhes sobre o ocorrido. Ele também afirmou que não tinha consumido bebida alcoólica naquele dia, fato que, conforme o inquérito policial, posteriormente foi confrontado com o depoimento do outro passageiro do veículo - que confirmou que ambos beberam - e também por câmeras de segurança de um bar da cidade vizinha de Itajaí.

moto - Divulgação/Prefeitura de Balneário Camboriú - Divulgação/Prefeitura de Balneário Camboriú
Imagem: Divulgação/Prefeitura de Balneário Camboriú

No local ele teria ingerido cervejas e um drinque. Durante as diligências, a polícia também descartou a existência de um possível racha entre a moto onde estava Jeane e outra motocicleta com amigos do casal.

No relatório, a polícia afirma que "nas imagens obtidas é possível notar que o investigado conduzia seu veículo automotor, poucos metros antes da colisão, provavelmente em velocidade acima do permitido para aquela via (50 km/h) e praticamente colado na traseira da motocicleta onde a vítima encontrava-se, em total desrespeito às regras de trânsito. Prova disso é que o investigado sequer freou seu veículo antes de colidir com a traseira da moto".

Em outro trecho do inquérito, a Polícia Civil destaca ainda que uma possível aceleração das motos - entre elas a que estava a vítima - em um semáforo próximo ao local do acidente, pode ter relação com o desfecho do caso. A hipótese levantada pela polícia é de que o investigado possa ter se irritado com o episódio, iniciando uma perseguição à motocicleta.

"O investigado também se encontrava naquele local e, talvez o episódio tenha despertado nele o sentimento de cólera e a necessidade de autoafirmação perante o amigo que o acompanhava. Com efeito, a contenção de sentimentos destrutivos - comum a pessoas em equilíbrio emocional -, mostrou-se comprometida em decorrência do consumo de bebidas, o que pode tê-lo motivado a perseguir a moto onde estava a vítima e, consequentemente, o abalroamento do veículo com o resultado morte", aponta.

Família segue em busca de justiça

Aroldo Lacerda, irmão de Jeane Fagundes, contou à reportagem que desde a morte da estudante a família acompanha o desenrolar das investigações em busca de justiça e da prisão do suspeito de cometer o crime, que segue em liberdade.

"Um mês se passou e eu ainda estou doente com essa história. Não foi um acidente, ele (autor) bateu atrás da moto e para fugir, passou por cima da minha irmã e a arrastou por metros. Minha irmã sofreu múltiplas lesões e sabia que iria morrer, os últimos momentos dela foram cruéis", desabafa.

"Essa morte não pode ficar impune, tem que virar referência nacional para acabar com essa palhaçada de droga, bebida no trânsito, e o cara matar e ficar tudo certo. Eu não farei justiça com as próprias mãos, mas não vamos descansar enquanto ele não pagar por tudo o que fez. A minha irmã, a nossa amizade, era tudo para mim. Você não sabe a falta que ela está fazendo", conclui o irmão.

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