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Conteúdo publicado há
7 meses

Chuvas causam interdição em trechos de 10 rodovias federais na Bahia

Do UOL, em São Paulo

29/12/2021 08h19Atualizada em 29/12/2021 08h36

Subiu para 10 o número de estradas interditadas na Bahia após estragos causados pelas fortes chuvas que atingem o centro-sul do estado desde a semana passada. As informações são da Polícia Rodoviária Federal.

A BR 101 é o local mais afetado, com cinco pontos de interdição. Os bloqueios foram causados pelo desmoronamento de barranco, desabamento de acostamento ou queda de barreiras, informou a polícia.

Há interditação total de pista em duas rodovias. Segundo a Polícia Rodoviária, a força de um rio deixou um "enorme buraco" na BR 330, km 866. Já na BR 349, km 833, a estrada cedeu e apenas veículos de pequeno porte podem fazer um desvio pelo acostamento.

Veja a lista completa, com informações da Polícia Rodoviária Federal:

Interdição parcial

  • BR 101, km 660, Itapebi
    Desmoronamento de barranco
  • BR 420, km 244, Laje
    Sinalização Siga e Pare
  • BR 330, entre os kms 807 e 860, Jequié
    Há diversos pontos de interdição parcial por conta de árvores e galhos caídos na pista
  • BR 101, km 314, Tancredo Neves
    Desmoronamento de acostamento
  • BR 101, km 316, Tancredo Neves
    Queda de barreira
  • BR 101, km 351, Teolândia
    Ocorreu o desabamento do acostamento
  • BR 101, km 345, Teolândia
    Ocorreu um desmoronamento de barranco

Interdição total

  • BR 330, km 866, Ubatão
    Afundamento de pista. A força do rio danificou a rodovia deixando um enorme buraco. Desvio pela cidade para veículos de pequeno porte
  • BR 349, km 833, Santa Maria da Vitória
    A pista cedeu. Desvio sendo feito de forma precária por parte do acostamento, apenas para veículos pequenos

Pista liberada

  • BR 330, km 792, Jequié
    Pista foi liberada, porém a passagem de veículos pesados ainda causa preocupação, motivo pelo qual o trânsito desse tipo de veículo deve ser evitado.

As chuvas na Bahia já deixaram 21 mortos e 77 mil desabrigados. Segundo a última atualização do Sudec (Superintendência de Proteção e Defesa Civil da Bahia), são 358 pessoas feridas e 471.786 pessoas afetadas.

Ao todo, 136 cidades — número equivalente a 30% do total de municípios baianos — estão em situação de emergência reconhecida pelo governo estadual. As chuvas de dezembro na Bahia já são as mais intensas desde pelo menos 1989, segundo dados do Inema (Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos).

Verba "insuficiente"

Governador da Bahia, Rui Costa (PT) reclamou hoje da verba disponibilizada pelo governo federal para socorrer os municípios afetados pelos temporais. O presidente Jair Bolsonaro (PL) editou uma MP (Medida Provisória) para liberar R$ 200 milhões para reconstruir rodovias prejudicadas pelas chuvas, sendo R$ 80 milhões para o Nordeste, R$ 70 milhões para o Norte e R$ 50 milhões para o Sudeste.

O governo não informou quanto cada estado vai receber, mas apenas a Bahia foi contemplada no Nordeste.

"Eu queria fazer um apelo, porque não é possível recuperar as estradas federais com R$ 80 milhões para o Nordeste", disse Rui Costa em entrevista coletiva, em Ilhéus.

R$ 80 milhões não dá para recuperar nem [as estradas federais] da Bahia.
Rui Costa, governador da Bahia

Por que chove tanto?

Dois fenômenos meteorológicos foram responsáveis pelas chuvas fortes que atingem a Bahia: a ZCAS (Zona de Convergência do Atlântico Sul) e a frente fria vinda do Espírito Santo.

A ZCAS é um dos principais sistemas meteorológicos causadores de chuva no Brasil durante o verão. É formada por uma faixa de nuvens que normalmente se estende do sul da Amazônia até a região Sudeste, abrangendo também o Centro-Oeste. Se localizada mais ao sul do que o normal, pode atingir estados como Paraná e Santa Catarina; se mais ao norte, como agora, afeta a Bahia, o Piauí e até o Maranhão.

Segundo o meteorologista do Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia), Mamedes Luiz Melo, a ZCAS e a frente fria vinda do Espírito Santo atuaram três vezes no mês de dezembro na Bahia: o primeiro, entre os dias 1 e 2, mas com baixa intensidade; o segundo, entre os dias 7 e 12, agora mais intensos; o último, por fim, às vésperas do Natal, também com intensidade alta.

"Foram dois episódios de grande intensidade que aconteceram no mesmo local, num curto espaço de tempo. A região já havia sido castigada e o solo estava encharcado, o que contribuiu para um impacto maior para a população", explicou.

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