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PM afasta policial que aparece em vídeo com fala racista em Goiás

Do UOL, em São Paulo

06/10/2022 16h45

A PM de Goiás confirmou hoje à tarde o afastamento das ruas do policial militar que aparece em vídeo com conteúdo racista no domingo (2), data do primeiro turno das eleições. As imagens mostram um jovem negro sendo algemado e, em seguida, repreendido: "Vai gritar Lula lá na África agora". O caso foi em Novo Gama, interior goiano. Não é possível identificar se o policial é o autor da fala.

A corporação, que confirmou data e local do episódio, disse ter determinado abertura de um procedimento administrativo para apurar as circunstâncias do episódio "assim que tomou conhecimento do fato." O policial militar ficará afastado das suas atividades operacionais até a conclusão das investigações.

"A Polícia Militar de Goiás reitera que não compactua com nenhum tipo de conduta contrária aos preceitos das leis", esclareceu a corporação, em nota enviada ao UOL Notícias.

O Ministério Público de Goiás enviou hoje documentação à PM e à Guarda Municipal de Novo Gama para solicitar esclarecimentos sobre o episódio.

A OAB-GO (Ordem dos Advogados do Brasil de Goiás) encaminhou hoje ofício à Polícia Militar solicitando apuração do caso. A entidade goiana quer saber se a frase foi dita pelo policial militar responsável pela prisão, em ação acompanhada por dois guardas municipais, que aparecem armados no vídeo.

As imagens viralizaram na internet após serem publicadas no perfil do Twitter do jornalista André Caramante.

O que mostra o vídeo? As imagens mostram o momento da abordagem ao jovem negro, sem camisa, de pés descalços e calça jeans. "Foi preso o moleque", comenta a pessoa responsável pela gravação. Após algemar o jovem negro, o policial o imobiliza, colocando o braço esquerdo nas suas costas, entre as algemas.

É possível, então, ouvir alguém falando: "Vai gritar Lula lá na África agora".

Em seguida, o responsável pelas imagens relaciona a prisão à disputa entre o presidente Jair Bolsonaro (PL) e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Com base nas imagens, não é possível saber qual foi o motivo da prisão. O jovem também ainda não foi identificado.

É importante que haja uma resposta contundente para esclarecer esse caso. Temos que agir rápido para que as pessoas não pensem que esse tipo de postura será tolerada, impedindo que ocorra uma escalada de violência num momento tão tenso e de alegações de violência política
Rafael Lara Martins, presidente da OAB de Goiás

O que a OAB quer saber? A OAB goiana quer confirmar com a Polícia Militar de quem é a voz que manifesta conteúdo racista no momento da prisão do jovem negro.

"É um fato que precisa ser investigado. Não fica claro se a voz de quem fala 'vai gritar Lula lá na África agora' é do policial militar ou de alguém ao redor. E, se a frase não foi dita pelo policial, por que o autor dela não foi preso em função de crime de racismo?", questionou o advogado Rafael Lara Martins, presidente da OAB de Goiás.