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Covas discute com repórter por Ricardo Nunes: 'Fico horrorizado com isso'

Bruno Covas teve diversos atritos com apresentadores da CBN - Mariana Pekin/UOL
Bruno Covas teve diversos atritos com apresentadores da CBN Imagem: Mariana Pekin/UOL

Colaboração para o UOL

24/11/2020 12h31Atualizada em 24/11/2020 17h42

O prefeito Bruno Covas (PSDB) se exaltou com jornalistas durante sabatina realizada hoje na Rádio CBN. A principal discussão ocorreu no momento em que o candidato à reeleição saiu em defesa do vice de sua chapa, Ricardo Nunes.

A discussão começou quando Covas falava sobre a necessidade de ter mais representatividade feminina na gestão. Ele foi perguntado sobre por que não escolheu uma mulher para ser candidata a vice-prefeita, então começou a defender Ricardo.

"Não sei quem apostou que minha vice seria uma mulher. Eu até queria. Mas eu escolhi um representante que representasse os dez partidos que me apoiaram desde o 1º turno", afirmou o prefeito.

O apresentador Fernando Andrade interrompeu e disse que, por isso, agora Bruno Covas sempre precisava responder sobre denúncias contra Nunes. O prefeito respondeu que não há sequer um processo contra seu candidato a vice. O jornalista retrucou que havia um Boletim de Ocorrência citando violência de Nunes contra a esposa. Então, Bruno Covas se irritou e citou a campanha de seu adversário no segundo turno, Guilherme Boulos (PSOL).

É impressionante como vocês são pautados pela propaganda do PSOL. Fico horrorizado com isso, como gostam de acabar com vida do meu vice sem denúncia. Não é possível que você traga isso aqui sem ter investigado
Bruno Covas, na CBN

Um trecho do boletim foi lido no ar: "inconformado com a separação, Ricardo Nunes não lhe [à esposa] dá paz, vem efetuando ligações proferindo ameaças, envia mensagens ameaçadoras e invade a sua casa, onde faz escândalos e a ofende com palavrões".

Bruno Covas afirmou que, depois de fazer esse Boletim de Ocorrência, a mulher teria declarado que nada aconteceu. Ontem, o prefeito já havia usado o mesmo argumento durante o Roda Viva, da TV Cultura.

"Foi uma discussão, e os dois procuraram a polícia. Não houve agressão. É muito fácil acabar com os outros. Não sei se é o fato de ele vir da zona sul, da região periférica. Mas não há denúncia. Não há envolvimento com agressão. Houve um desentendimento. Ela mesmo disse que não teve agressão. Agora tratam ele como agressor de mulher. É um esporte nacional acabar com currículo das pessoas sem nenhuma prova", reclamou o candidato.

Os jornalistas da CBN destacaram que agressão e violência não são necessariamente físicas e disseram que as mulheres sofrem muito com abusos verbais também.

Além da denúncia de agressão contra a esposa, Ricardo Nunes é investigado por suposta participação na máfia das creches em São Paulo. A acusação formal ainda não foi feita pela Justiça, algo que Bruno Covas costuma destacar nas entrevistas.

"Essa é a sua opinião"

O clima da sabatina não foi tranquilo e aconteceram outras pequenas discussões entre os apresentadores e o prefeito. Uma delas foi logo no começo, quando Bruno Covas comentou sobre uma declaração recente, em que disse ser contra a reeleição. Ele disse que apesar de criticar a ferramenta, faz uso dela "dentro das regras do jogo". Então Fabíola Cidral, da CBN, perguntou se aquilo não parecia ser apenas um "blá blá blá". Bruno Covas não gostou.

A população vai escolher. Essa é sua opinião, de que eu não deveria ser candidato. Você acabou de dizer isso até de forma meio pejorativa. Uma coisa é discutir a regra do jogo. Outra coisa é jogar na regra do jogo. Eu estou jogando dentro da regra do jogo
Bruno Covas

A jornalista, então, esclareceu que não deu uma opinião, mas sim fez uma pergunta.

"Não coloque palavras na minha boca"

Outro atrito aconteceu quando os apresentadores perguntaram sobre o aumento de internações nos hospitais particulares de São Paulo. Bruno Covas se irritou quando foi questionado se não estava preocupado com a situação.

"Não coloque palavras na minha boca. Não disse que não estou preocupado. Disse até que não há espaço para o discurso que a pandemia acabou. Mas a vigilância sanitária diz que há uma estagnação no número de casos. Quando se fala de hospitais particulares, tem que verificar se diminuiu número de leitos. Na cidade, como um todo, está abaixo dos 60% a ocupação de leitos", afirmou o prefeito.

"Ginástica mais difícil que triplo carpado da Daiane"

O candidato à reeleição também não gostou dos questionamentos sobre sua relação com o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e o governador João Doria (PSDB).

Querer me associar ao Bolsonaro é uma ginástica argumentativa mais difícil que triplo carpado da Daiane. Nem vou me preocupar com isso. Já mostrei minhas divergências com o governo Bolsonaro, seja na área de direitos humanos, cultura ou meio ambiente
Bruno Covas

Questionado sobre quais são as diferenças entre ele e João Doria, Bruno ironizou.

Vocês precisam escolher a crítica. Se apareço muito com Doria, dizem que não tenho independência. Se não apareço, dizem que somos brigados. Precisam escolher, porque não dá para responder essas coisas diferentes na mesma semana. Mas a gente não tem problema nenhum de relação. A diferença é o jeito de se vestir. Ele se veste mais bonito que eu"
Bruno Covas

Fiscalização na pandemia

Bruno Covas também foi cobrado por uma maior fiscalização de festas e shows clandestinos que estão acontecendo em São Paulo durante a pandemia. O tucano afirmou que a prefeitura tem feito sua parte, mas pediu colaboração da população.

"A gente só vê o que deixou de fiscalizar. Não vê o que foi efetivado. Só de ações aos finais de semana para conter festa são 140 por final de semana. A gente ocupa o espaço antes, impede aglomeração e a realização da festa", disse o prefeito.

Concordo que precisa avançar, mas as pessoas precisam ter consciência que festa sem alvará, que não tem preparo, que não respeita protocolos, tem que deixar de frequentar. A prefeitura não vai ter um fiscal por esquina
Bruno Covas