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Boulos fala em testes e reabrir hospitais, mas descarta fechar comércio

Leonardo Martins e Nathan Lopes

Colaboração para o UOL, em São Paulo, e do UOL, em São Paulo*

26/11/2020 12h14Atualizada em 26/11/2020 17h47

Guilherme Boulos, candidato do PSOL a prefeito de São Paulo, disse que, se eleito, irá promover testagem em massa na população paulistana para enfrentar a pandemia do novo coronavírus. Boulos participou hoje da sabatina promovida pelo UOL com o jornal Folha de S.Paulo na reta final da disputa de segundo turno da eleição municipal. Seu adversário, o candidato à reeleição, Bruno Covas (PSDB), também participou.

Na entrevista, Boulos voltou a criticar a gestão do tucano na capital, em especial quanto à distribuição de subprefeituras para aliados, e os apoios de Covas. Ele ainda apontou que deverá reforçar investimentos nas regiões periféricas em um eventual governo seu. O candidato do PSOL também teve embate com as entrevistadoras em razão de contradições entre discurso e plano de governo.

Testagem em massa

Boulos fez uma comparação da capital paulista com a Coreia do Sul, "um país inteiro que teve menos mortes que a cidade de São Paulo", para defender a testagem em massa e identificar casos de covid-19. No país asiático, foram registradas 515 mortes e cerca de 32,3 mil casos. Na capital paulista, são 14,2 mil mortes e 345,4 mil casos.

"[A Coreia do Sul] Fez testagem em massa. A partir da testagem, isso permitiu o monitoramento epidemiológico, a identificação dos focos de contágio da doença e o isolamento onde o contágio estava mais forte. Conteve a pandemia naquele momento. Essa é a lição de casa", disse.

O candidato do PSOL descartou, neste momento, implementar uma quarentena mais dura, fechando o comércio, mesmo que de maneira parcial. "Com os dados que nós temos, isso não está colocado hoje", disse. "Agora, é evidente (...), eu vou ouvir especialistas, infectologistas, epidemiologistas." Ele ainda criticou o fato de o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), aliado de Covas, marcar para um dia após a eleição anúncios sobre o combate à pandemia no estado.

Boulos disse que, caso eleito, priorizará a reabertura de hospitais. "É um escândalo, em meio a maior crise da saúde pública dessa geração, a gente ter o hospital Sorocabana, na Lapa, com um andar aberto e sete fechados", pontuou.

Subprefeituras

O resultado da eleição para a Câmara Municipal apontou que Boulos, se eleito, deverá ter minoria entre os vereadores. Seu partido, o PSOL, tem seis cadeiras na Casa legislativa. O PT, seu aliado, outras oito, somando 14. A Câmara possui 55 vereadores.

O candidato disse que a relação com a "Câmara Municipal tem que ser feita com base nas propostas". "O que não topo é 'toma lá, dá cá'. Não topo o modo de governabilidade que o PSDB faz aqui hoje, que é de entregar subprefeituras para aliados. Vendem ideia de boa gestão, mas fazem essa velha prática de entregar subprefeituras para vereadores, que fazem clientelismo nos bairros e depois votam a favor do governo", criticou.

Ele também disse não acreditar que os vereadores sejam contra propostas na área de moradia, um dos principais focos de seu programa de governo. "Às vezes, se superdimensiona um eventual conflito entre as nossas propostas com o legislativo de São Paulo." Boulos também promete mecanismos para ampliar a participação popular.

Plano de governo vs discurso

O candidato também foi questionado sobre contradições envolvendo o que está escrito em seu programa de governo e suas falas públicas. Uma delas é sobre o aumento do IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano) para mansões, que já havia sido apontada pelo UOL em outubro.

Apesar de o texto trazer a expressão "aumento do valor da tarifa do IPTU para mansões", Boulos disse que "não haverá aumento de imposto para o cidadão no nosso governo".

"Em relação ao IPTU tem que se fazer correções, por exemplo. Existem regiões, isso eu ouvi de auditores fiscais da prefeitura, que poderiam estar isentas, porque são pobres, e pagam IPTU razoável, e existem regiões, ou casos em particular, em que pessoas pagam IPTU que é incompatível com o padrão daquela região. Isso é caso a caso, são correções de distorções."

Ponto mais utilizado por aliados do tucano para criticar o programa de Boulos diz respeito às creches conveniadas. O programa diz "reverter, gradativamente, o processo de privatização, terceirização e conveniamento da educação". Para a campanha do PSDB, isso implicaria em demissões e cortes. Boulos nega que seja essa a ideia.

"Fazer uma reversão dos processos de privatização e conveniamento, de forma gradual, não significa, nem de longe, romper contratos, convênios e demitir trabalhadores", disse. "Aquelas entidades conveniadas que prestam bom serviço, em qualquer área, não vamos fazer ruptura de convênio."

Pesquisa

Guilherme Boulos está atrás de Bruno Covas nas pesquisas de intenções de voto. De acordo com levantamento mais recente, divulgado ontem pelo Ibope, o tucano aparece com 48% das intenções, 11 pontos percentuais à frente de Guilherme Boulos (PSOL), que tem 37%.

De acordo com o Datafolha, Covas têm a preferência dos eleitores mais ricos —56% a 35% entre quem ganha de 5 a 10 salários, e 53% a 42% entre quem ganha mais de 10 salários. O tucano também é o preferido entre quem tem menor grau de instrução: 59% a 29% no recorte com pessoas que tenham até o ensino fundamental.

Boulos, por sua vez, é o preferido dos mais jovens, independentemente de classe social: 57% a 30% na faixa de 16 a 24 anos, e 49% a 39% no grupo de 25 a 34 anos. Há empate técnico entre quem tem de 35 a 44 anos. A partir de 45 anos, a vantagem é do tucano.

*Colaboraram Allan Brito, Ana Carla Bermúdez, Felipe Oliveira e Lucas Borges Teixeira.

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