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Covas: Não vamos fazer discurso alarmista nem dizer que pandemia acabou

Leonardo Martins e Wanderley Preite Sobrinho*

Colaboração para o UOL e do UOL, em São Paulo

26/11/2020 10h48Atualizada em 26/11/2020 17h44

Atual prefeito de São Paulo e candidato à reeleição, Bruno Covas (PSDB) negou mais uma vez a piora nos casos de infecções por covid-19 na cidade ao dizer hoje, em sabatina do UOL e Folha de S.Paulo, que não fará "discurso alarmista em véspera eleitoral".

Covas também comentou sobre seu mau desempenho entre jovens nas pesquisas eleitorais, admitiu a existência de racismo na cidade e voltou a dizer que põe a "mão no fogo" por seu candidato a vice, Ricardo Nunes (MDB). Ele também respondeu sobre a Cracolândia e a volta às aulas no ano que vem.

Não vamos fazer discurso alarmista em véspera eleitoral, superestimando esses dados [sobre casos de coronavírus]. Também não vamos fazer discurso de que a pandemia acabou. A gente continua a enfrentar esse desafio na cidade de São Paulo.
Bruno Covas, prefeito e candidato à reeleição

"Os dados da cidade falam por si só e eles mostram uma estabilidade da doença [covid-19]", declarou.

Ele refutou a comparação com outras cidades, mas afirmou que municípios mais ricos que São Paulo passaram por situação mais difícil.

"Aqui a gente não viu cenas em cidades muito mais ricas do que São Paulo, do médico escolher quem era intubado e quem não era", disse, ao lembrar dos dois hospitais de campanha criados pela prefeitura.

Covas admitiu, porém, que "se a gente tivesse mais testes, teria sido mais fácil para controlar logo no início da pandemia, mas tinha o problema de falta de insumos".

Covas lidera as intenções de voto no segundo turno das eleições municipais, de acordo com pesquisa do Ibope divulgada ontem. O tucano aparece com 48% das intenções, 11 pontos percentuais à frente de Guilherme Boulos (PSOL), que tem 37%. Boulos também foi sabatinado hoje pelo UOL e Folha.

"Racismo existe"

Covas também comentou sobre o racismo na cidade e no país. Sem citar nomes, Covas criticou "personalidades políticas" que refutam "a existência do racismo". Recentemente, o vice-presidente da República, Hamilton Mourão (PRTB), disse que não existe racismo no Brasil.

O racismo, ele existe, é um desafio a ser enfrentado. A própria pandemia jogou luz sobre essa desigualdade na cidade. Os dados da prefeitura mostram que o coronavírus afetou mais a população preta e parda da cidade do que a população branca
Bruno Covas, prefeito e candidato à reeleição

O prefeito citou a publicação de um "decreto que instituiu uma política de combate ao racismo estrutural dentro da prefeitura" e que ampliou a quantidade de centros de igualdade racial, e nomeou 12 personalidades negras a "12 CEUs que inauguramos".

"Um decreto nosso proíbe a utilização do mata-leão pela GCM [Guarda Civil Metropolitana]. Esse é um tema que, por não sofrer na pele, confesso que estou aprendendo", disse Covas.

Ele citou uma proposta do deputado Orlando Silva (PCdoB), "que também disputou essa eleição e apoia o candidato adversário no segundo turno", que sugeriu caçar o alvará de estabelecimentos que permitem o racismo.

Ele disse ainda que a prefeitura preenche legislação para a quantidade de cargos de confiança preenchidos por negros, "mas a gente precisa avançar": "Hoje a gente não tem no secretariado [uma pessoa negra]. Já assumi esse compromisso".

Vice Ricardo Nunes

Covas também enfrenta críticas sobre a escolha de Nunes como vice na chapa. O prefeito minimizou o fato de a esposa de Nunes ter registrado um boletim de ocorrência contra o marido por ameaças em 2011 (hoje ela nega agressões) e também os indícios de que o candidato a vice estaria envolvido na máfia das creches na capital paulista.

"O eleitor pode ficar muito tranquilo", garantiu. "Em primeiro lugar, que não vou renunciar, vou cumprir o mandato pelos próximos quatro anos, mas não há nada que desabone o Ricardo Nunes."

"A própria esposa já disse que foi um desentendimento, nada aconteceu, eles continuam casados há mais de dez anos, têm três filhos, ela mesma negou qualquer agressão, não há denúncia ou ação no judiciário contra ele, seja nessa questão ou envolvendo as creches", disse.

Não há nada que desabone, coloco minha mão no fogo por ele, a população pode votar tranquilamente que terá um vice à altura da expectativa
Bruno Covas, prefeito e candidato à reeleição

Covas também negou que "houve qualquer atuação do governador João Dória (PSDB) para aceitar esse ou aquele partido" ou mesmo Nunes como vice.

"Não houve imposição, muito pelo contrário. Deu toda liberdade para poder trabalhar isso, é minha campanha, eu sou o candidato", afirmou.

Ano letivo em 2021

Segundo Covas, "a escola pública está preparada para o retorno das aulas" ao afirmar que a quantidade de assintomáticos na cidade é de 35% a 40%, mas que entre as crianças esse percentual chega a 70%.

Questionado, ele não respondeu se as escolas seriam as primeiras a fechar em caso de nova onda do novo coronavírus. As instituições de ensino municipais foram as primeiras a fecharem as portas quando o vírus chegou ao Brasil.

Covas voltou a prometer a manutenção do Cartão Merenda no ano que vem e lembrou que educação municipal está fora do Plano São Paulo, planejado para o retorno das atividades na cidade durante a pandemia.

"Estamos realizando agora um senso com todos os profissionais da área de educação do município, com todos os alunos e vamos continuar a tratar esse tema como um tema à parte (...) porque a gente não pode entender a educação como atividade econômica.

Covas e os jovens

Embora lidere as pesquisas de intenção de voto, Covas perde para Boulos, seu adversário no segundo turno, entre os mais jovens, segundo pesquisa Datafolha.

Enquanto o prefeito é favorito entre quem tem mais de 60 anos (73% dos votos válidos), Boulos é mais citado entre eleitores de 16 a 24 anos (65%).

Questionado sobre seu baixo desempenho entre jovens, Covas saiu pela tangente ao dizer que a "pesquisa não pauta a nossa campanha". Após insistência das entrevistadoras, ele disse não saber se o discurso do PSDB envelheceu na cidade.

"Não sei, é uma questão que precisa ser analisada", afirmou.

No próximo domingo, Covas e Boulos duelam no segundo turno. Covas liderou a corrida no primeiro turno, recebendo 32,85% dos votos válidos. Boulos ficou em segundo lugar, com 20,24%.

*Colaboraram Afonso Ferreira, Ana Carla Bermúdez, Felipe Oliveira e Lucas Borges Teixeira

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