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Com PSB sob ataque no Recife, governador fala em 'avaliar' parceria com PT

Governador de Pernambuco, Paulo Câmara (PSB) - Reprodução/Facebook/Paulo Câmara
Governador de Pernambuco, Paulo Câmara (PSB) Imagem: Reprodução/Facebook/Paulo Câmara

Carlos Madeiro

Colaboração para o UOL, no Recife

30/11/2020 04h00Atualizada em 30/11/2020 07h01

A vitória de João Campos (PSB) sobre a sua prima Marília Arraes (PT), em Recife, deixou feridas que precisarão ser debatidas no âmbito estadual. Após uma campanha de acusações mútuas entre os candidatos —e envolvendo troca de farpas entre os partidos—, a aliança PT-PSB pode estremecer em Pernambuco.

Em conversa com UOL logo após o anúncio da vitória de João Campos, o governador Paulo Câmara (PSB) admitiu que a campanha eleitoral de 2020 deixou muitas feridas que devem ser sanadas para a continuidade da aliança.

"Nesta semana, vamos avaliar tudo que aconteceu, baixar a poeira e conversar. [A aliança com PT no âmbito estadual] é um processo a se avaliar. Evidentemente tivemos uma eleição muito dura, e isso leva a reflexões. A gente vai fazer essa discussão no âmbito interno da frente popular, da forma como a gente sempre faz", disse Câmara.

Questionado se a disputa abriu uma porta para saída do PT do governo, Câmara disse que é preciso debater. "Sempre ficam [arranhões], mas a gente tem de ter maturidade de avaliar o contexto e buscar a unidade. Vamos discutir. A gente e está sempre discutindo. Eu tenho muitas pessoas do PT que conversam conosco, e vamos conversar", afirmou.

Durante as eleições, os candidatos atacaram PSB e PT, com troca de farpas e acusações de corrupção, que acabaram desgastando os dois partidos. Os dois lados se sentiram atacados de forma indevida, e o confronto recrudesceu até o último debate, na sexta-feira.

Uma das principais lideranças do PSB hoje no país, Paulo Câmara afirma que o resultado das urnas não deixa possível ainda traçar cenários para 2022. Mas ele entende que o PSB sai fortalecido do processo eleitoral com as vitórias em duas capitais — além de Recife, o partido ganhou em Maceió, com a vitória do deputado federal João Henrique Caldas, o JHC.

"Vencemos também em outras cidades importantes no primeiro turno. O PSB é um partido que quer construir um país diferente e melhor do que ele é hoje", disse.

Se do lado da vitória o discurso foi de diálogo e união, do lado de Marília Arraes o clima é oposto.

No mesmo momento em que o governador conversava com o UOL, a candidata derrotada anunciava a criação de uma articulação para oposição não só a João Campos, mas também na Assembleia Legislativa.

"Aqui vai começar uma nova articulação da oposição no estado de Pernambuco. Não temos condições de ficar com um grupo que faz má gestão do estado e do município. Aqui começa um novo capítulo da história do estado", disse a militantes durante discurso em que reconheceu a derrota de ontem.