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Gleisi diz que PT não está morto, mas precisa de "chacoalhada"

A deputada federal Gleisi Hoffmann, presidente do PT -  Pedro Ladeira - 22.out.2018/Folhapress
A deputada federal Gleisi Hoffmann, presidente do PT Imagem: Pedro Ladeira - 22.out.2018/Folhapress

Guilherme Mazieiro

Do UOL, em Brasília

01/12/2020 04h00Atualizada em 01/12/2020 09h54

Depois de o PT sair das eleições sem conquistar nenhuma capital e com menos prefeituras que em 2016, a avaliação da cúpula petista é que o partido precisa de uma "chacoalhada" para voltar a ter núcleos de ações voltados para juventude e mulheres e para buscar o voto dos cristãos.

Em entrevista ao UOL, a presidente do Partido dos Trabalhadores, Gleisi Hoffmann, disse que a sigla "não está morta" e que considerou "razoável" o resultado eleitoral de 2020.

"A forma de organização do partido está obsoleta. A gente tem que dar uma chacoalhada, voltar a ter núcleos, mais presença nos territórios, estimular mais os nossos setoriais de juventude, principalmente, de mulheres a fazer esse trabalho", afirmou Gleisi, que é deputada federal pelo Paraná.

O diretório nacional do partido se reuniu nesta segunda-feira (30) para discutir o cenário eleitoral. No encontro virtual participaram o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Gleisi, o ex-prefeito Fernando Haddad, governadores, deputados e senadores petistas.

"A narrativa de derrota, de enfraquecimento do PT não é correta. É verdade que o PT não cresceu nesta eleição, não fez o que se estimava, mas o PT não está morto. Temos que fazer a discussão dos desafios que temos de imagem, comunicação, posicionamentos", disse.

Na próxima segunda-feira (7), a cúpula deve se reunir novamente para fazer uma análise mais aprofundada do resultado das urnas e encaminhar as iniciativas de reforma interna e externa do partido.

Integrantes da cúpula do PT, que falaram ao UOL reservadamente, veem o comando do partido falando para dentro da sigla, sem interlocução com a sociedade. Na avaliação deles, teria sido um ganho simbólico para o partido se tivessem conquistado as capitais Recife (PE) e Vitória (ES), e as cidades de Feira de Santana (BA) e Vitória da Conquista (BA) —em todos esses municípios, o PT perdeu no segundo turno.

Para Gleisi, parte do eleitorado petista buscou refúgio em diferentes siglas, principalmente nas do centrão, como PP, PSD e Republicanos. Há a preocupação em conquistar o voto religioso, ligado às questões tradicionais de costume.

"[Precisamos] enfrentar essa discussão da questão dos costumes ligada à religiosidade. Fazer o debate de maneira mais clara, mobilizar mais os setores do partido que são ligados às questões evangélicas e católicas", disse Gleisi.

A avaliação dela é que a pandemia do novo coronavírus e o isolamento social diminuíram a organização da militância na pré-campanha e durante a campanha. A deputada também reclamou do que ela chamou de "perseguição" a quadros do PT. A sigla foi a teve a maior fatia do fundo eleitoral, R$ 201 milhões.

"Nós temos que falar mais com a sociedade sobre o que aconteceu com o PT, a criminalização que foi injustas, os processos, a perseguição. Fazer essa defesa de forma mais contundente e ampliada, sistematicamente", afirmou.

De dentro do partido ecoa o discurso de que o PT ainda tem protagonismo na esquerda e presença nacional.

"As eleições municipais posicionam as forças, mas não são determinantes para a disputa nacional. Tem outros fatores que pesam e são relevantes e é claro que precisamos estar bem estruturados", disse Gleisi sobre 2022.

Pior momento

Apesar de ser a primeira eleição do PT sem vencer em uma capital desde 1985, a deputada avalia que o pior momento da sigla se deu na eleição de 2016, sob o impacto da Lava Jato e do impeachment da então presidente Dilma Rousseff (PT).

"Diria que estamos em um processo de saída dos piores momentos e na entrada na recuperação do partido. Não com a hegemonia como nós tínhamos, mas depois da queda bruta estacamos e agora começamos um processo de reposicionamento e reconstrução", disse.

As eleições de 2020 reduziram em 71 o número de prefeituras que o PT administrava em 2016; passou de 254 para 183, em 2021. A única capital que conquistaram em 2016, Rio Branco (AC), foi vencida por Tião Bocalom (PP), em 2020.

"É verdade que perdemos prefeituras menores. Isso é uma questão que vamos avaliar. Mas a avaliação é que o resultado foi razoável, regular para o PT. Não é nem pelas capitais, mas imaginávamos que podíamos crescer 10%, 15% [no número de votos totais]", disse sem detalhar os dados.

Na Câmara, o PT sustenta a maior bancada com 54 deputados. No Senado é a sexta maior, com 6 senadores. O partido comanda hoje quatro estados: Bahia, Ceará, Piauí e Rio Grande do Norte.