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Internacional

"Justiça será feita", diz Obama sobre morte de embaixador na Líbia

Do UOL, em São Paulo

12/09/2012 12h26Atualizada em 12/09/2012 16h47

Em um pronunciamento nesta quarta-feira (12), em Washington, o presidente dos Estados Unidos Barack Obama voltou a condenar o ataque “ultrajante” ao consulado americano em Benghazi, na Líbia, afirmando que “a justiça será feita”. No ataque, morreram o embaixador do país, John Christopher Stevens, e outros três cidadãos americanos.

"Os Estados Unidos condenam nos termos mais fortes este ataque ultrajante e chocante (..) Não há justificativa para essa violência", afirmou Obama na Casa Branca.

Mesmo com o ato de violência, o presidente americano reforçou que não vai romper relações com a Líbia. "Não se enganem, nós vamos trabalhar com o governo líbio para levar à justiça os assassinos que atacaram nosso povo”.

Obama ainda enviou condolências às famílias das vítimas e voltou a agradecer ao trabalho feito por Stevens em sua administração. 

O ataque ao consulado americano foi um protesto contra o filme "Innocence of Muslims", realizado pelo americano-israelense Sam Bacile, que considera o islamismo um "câncer". 

O filme, produzido a partir de doações de 100 judeus, está sendo promovido pelo polêmico pastor da Flórida Terry Jones, que em maio deste ano queimou um exemplar do Alcorão ao ao vivo pela internet.

Os vídeos do filme circularam na internet durante semanas antes do surgimento dos protestos. Neles, o profeta muçulmano Maomé é retratado várias vezes como um mulherengo, homossexual, molestador de crianças, falso religioso e sanguinário.

A primeira parte do filme, situada na era moderna, mostra cristãos coptas egípcios fugindo de uma multidão muçulmana enfurecida. A polícia egípcia olhava enquanto a multidão quebrava uma clínica onde um médico cristão trabalhava. Em seguida, o trecho mostrou o médico conversando com sua filha sobre o que faz um "terrorista islâmico".

Depois disso, os vídeos mostram cenas históricas do período do profeta, a maioria dessas baseadas em cenários onde os atores estão claramente sobrepostos a um fundo de deserto.

Em outra cena, um sacerdote cristão se oferece para elaborar um texto religioso a partir de versos da Torá judaica e do Novo Testamento cristão para transformá-los no que ele chama de "versos falsos" -- uma aparente referência à gênese do Alcorão.

Maomé é chamado de "bastardo" ilegítimo e incentivan seus seguidores a saquear lugares que eles atacam e dizendo que eles podem usar as crianças da maneira que quiserem. 

Parlamento líbio pede perdão aos EUA

O presidente do Congresso Nacional líbio, Mohammed Youssef al Magrif, pediu perdão nesta quarta-feira pelo ataque feito ontem à noite ao consulado dos Estados Unidos em Benghazi.

"Pedimos perdão aos Estados Unidos, ao povo americano e a todo o mundo", disse Magrif em entrevista coletiva conjunta com o primeiro-ministro transitório, Abdurrahim al Keib.

Magrif, que leu um comunicado de condenação em nome do parlamento e do governo da Líbia, insistiu que o ataque era contrário à religião e à tradição hospitaleira do país africano. Para ele, trata-se de um novo episódio de violência para tentar manchar o processo democrático que começou com a queda, em agosto de 2011, do regime de Muammar Gaddafi.

"É um complô contra a revolução e a estabilidade e segurança da Líbia", ressaltou Magrif ao pedir que os cidadãos permaneçam unidos "contra os que pretendem desestabilizar o país e atentar contra sua imagem".

"O caso ocorrido ontem à noite em Benghazi coincidiu com o aniversário dos atentados de 11 de setembro. Não permitiremos que o solo líbio seja usado para promover covardes ações de vingança", declarou.

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