O que se sabe sobre o atentado à revista francesa Charlie Hebdo

Do UOL, em São Paulo

Dois homens armados abriram fogo contra a sede da revista francesa "Charlie Hebdo", em Paris, nesta quarta-feira (7), matando 12 pessoas, das quais oito são jornalistas. Outras onze pessoas ficaram feridas -- quatro delas estão internadas em estado grave.

Como foi o ataque?

De acordo com François Mollins, procurador-geral da República, os dois atiradores armados com rifles automáticos Kalashnikovs invadiram o prédio da revista, rendendo dois funcionários, que foram assassinados em seguida. Na sequência, eles invadiram uma reunião, que ocorria no segundo andar do prédio, e abriram fogo. Mais dez pessoas foram mortas, entre elas um convidado e um policial que fazia a segurança do cartunista Charb, diretor da revista. Um segundo policial que fazia a segurança do local foi executado em frente ao prédio.

Um terceiro homem teria esperado do lado de fora do prédio, agindo como motorista durante a fuga dos criminosos. 

Por que a revista foi escolhida como alvo?

A revista semanal francesa já havia publicado ilustrações satíricas sobre líderes muçulmanos e foi ameaçada por divulgar caricaturas de Maomé há três anos, tendo inclusive sua sede incendiada na época. O jornal também havia sido processado por associações islâmicas na França, mas a Justiça isentou a publicação de sanções. Ao sair do prédio, os atiradores gritaram "Vingamos o profeta Maomé, matamos Charlie Hebdo".

Quem são os suspeitos? 

Dois dos suspeitos seriam franco-argelinos e irmãos com idades de 32 e 34 anos. Seus nomes seriam Saïd e Cherif Kouachi. O terceiro, cuja nacionalidade é desconhecida, teria 18 anos e se chamaria Hamyd Mourad. Ele teria atuado como o motorista na fuga, mas no dia seguinte ele se apresentou à polícia e disse que tinha um álibi. Atualmente, eles seriam membros do braço armado da Al Qaeda no Iêmen.

Eles já tinham antecedentes criminais?

De acordo com a revista "Le Point", os irmão Kouachi, nascidos em Paris, retornaram da Síria no último verão europeu. O mais novo deles, Cherif, foi condenado a três anos de prisão em 2008, dos quais cumpriu 18 meses até sair em liberdade condicional, por ter participado de uma rede de recrutamento de jihadistas franceses para combate no Iraque.

Chamada de "Rede dos Montes Chaumont", ela foi desmantelada há três anos e reunia parisienses que eram mantidos sob vigilância pelas autoridades do país pela intenção de planejarem atentados. Cherif teria sido preso quando se preparava para viajar e se juntar aos jihadistas.

Ainda segundo a revista, nos últimos anos, os irmãos teriam se empenhado a despistar os serviços de inteligência e permaneceram escondidos na comuna de Reims, no nordeste da França. Seria nesta região, afirma a "Le Point", que as buscas da polícia pelos foragidos se concentra.

Como os atiradores escaparam?

Do lado de fora do prédio, um terceiro homem aguardava os atiradores para a fuga em um carro preto, que foi perseguido pela polícia francesa. Eles abandonaram o veículo no nordeste da cidade e roubaram um carro cinza. Nesse momento, a polícia perdeu o rastro dos terroristas.

Além de estarem fortemente armados, os atiradores usavam coletes à prova de balas e premeditaram o atentado. Segundo especialistas em segurança consultados pelo "Guardian", é muito provável que os suspeitos tenham passado por treinamento militar – eles não entraram em pânico diante da chegada à polícia no local, ainda durante o ataque. 

Quem são as vítimas?

O jornalista, caricaturista e diretor da revista "Charlie Hebdo", Charb (Stéphane Charbonnier), e outros quatro chargistas do semanário satírico francês, Cabu (Jean Cabut), Tignous (Bernard Verlhac), Wolinski (Georgers Wolinski) e Honoré (Philippe Honoré), estão entre os 12 mortos do ataque. Todos os cinco eram expoentes chargistas no país.  

Charb, 47, era diretor da revista desde maio de 2009. Ele também trabalhava em outros jornais franceses. No "Charlie Hebdo", ele assinava uma coluna intitulada 'Charb não gosta de gente'.

Após um ataque ao escritório da revista em 2011, que havia publicado uma caricatura do profeta Maomé, Charb disse à época não temer represálias: "eu não tenho filhos, nem esposa, nem carro, nem crédito. Pode parecer um pouco pomposo o que vou dizer, mas eu prefiro morrer de pé do que viver de joelhos".

Nascido em 1934, na Tunísia, Wolinski começou a publicar seus desenhos nos anos 1960. É considerado um dos maiores cartunistas do mundo. Foi chargista do "L'Humanité" e outros meios de comunicação como "Hara-Kiri", "Paris-Presse" e "Paris Match".

Tignous, nascido em Paris em 1957, colaborava com outros meios de comunicação como o semanário "Marianne" e o "Fluide glacial". Cabu, 77, colaborava com a revista desde sua criação, em 1970.

Honoré, 73, nascido em Lyon, era cartunista e editor da revista.  Outra vítima foi o jornalista, escritor e economista Bernard Maris, 68, que escrevia para vários jornais. Um dos fundadores da "Charlie Hebdo", ele já foi editor-chefe do semanário. 

Além deles, morreram o revisor Moustapha Ourrad, o cronista Michel Renaud e a psicanalista  Elsa Cayat, que assinava uma coluna quinzenal na revista. 

As duas últimas vítimas seriam dois policiais -- Franck Brinsolaro, encarregado da segurança de Charb, e Ahmed Merabet, morto ao atender a ocorrência. 

A 12ª vítima seria um visitante do prédio, Frédéric Boisseau, 42, empregado da Sodexo.

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