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Discurso de Boris Johnson no Parlamento foi 'repreensível', diz irmã

23.jul.2019 - Stanley, Rachel e Jo Johnson, respectivamente, pai, irmã e irmão de Boris Johnson durante seu anúncio como novo premiê do Reino Unido - Stefan Rousseau/Pool via Reuters
23.jul.2019 - Stanley, Rachel e Jo Johnson, respectivamente, pai, irmã e irmão de Boris Johnson durante seu anúncio como novo premiê do Reino Unido Imagem: Stefan Rousseau/Pool via Reuters

Do UOL, em São Paulo

27/09/2019 11h23

O premiê Boris Johnson tem causado indignação no Reino Unido devido ao seu discurso na última quarta-feira no Parlamento, no qual utilizou o assassinato de uma parlamentar como motivação para apoiar o Brexit. Ontem a irmã de Johnson chamou sua retórica de 'insípida' e 'repreensível'.

Na quarta-feira, quando a Câmara dos Comuns reabriu após a Suprema Corte considerar seu fechamento ilegal, o primeiro-ministro fez um discurso inflamado que provoca críticas. Johnson utilizou palavras como "rendição" e "traição" para se referir aqueles que são contra um Brexit sem acordo em 31 de outubro, o que tem causado incômodo nos parlamentares.

Ao ser pedido para que parasse de utilizar este linguajar, o premiê respondeu utilizando o assassinato de uma parlamentar como motivação para o Brexit. Ele disse que a melhor forma de honrar a memória de Jo Cox era "aprovar o Brexit".

Jo Cox levou tiros e foi esfaqueada em junho de 2016, poucos dias antes do referendo que deu a vitória ao Brexit. Cox era do partido Trabalhista e fazia campanha pela permanência na União Europeia. Sua morte foi causada por um extremista de direita.

À Sky News, a irmã de Boris, Rachel Johnson, disse não reconhecer seu irmão naquele discurso. "Meu irmão está usando palavras como 'rendição' e 'capitulação' como se as pessoas que estão no caminho da bendita vontade do povo, conforme definidas pelos 17,4 milhões de votos em 2016, devessem enforcadas, afogadas, esquartejadas e cobertas por penas. Eu acho que isso é altamente repreensível".

"Acho que foi particularmente insípido dizer para uma mãe em luto, um parlamentar e um amigo que a melhor maneira de honrar sua memória é entregar o que ela e sua família fizeram campanha contra - Brexit", disse Rachel.

Ao contrário do irmão, Rachel tem feito campanha contra a saída da União Europeia. Ela não é a única divergente na família. No início deste mês, o irmão de Boris, Jo Johnson, renunciou do seu cargo de ministro e membro do Parlamento por estar "dividido entre a lealdade à família e o interesse nacional".

Retórica que "legitima violência"

A ex-ministra do governo, Amber Rudd, também criticou a fala de Boris Johnson no Parlamento e disse que sua retórica "legitima a violência". "O tipo de linguagem que receio ter visto cada vez mais sair do nº 10 [de Downing Street, a residência oficial do premiê] incita a violência. É o tipo de linguagem que as pessoas pensam que legitima uma abordagem mais agressiva e às vezes a violência", disse.

Ela disse estar "desapontada e atordoada" pela recusa de Johnson em pedir desculpas pela retórica.

Amber renunciou ao seu cargo de ministra no governo por discordar das políticas de Boris Johnson.

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