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Biden diz que Trump não enfrenta Putin e acusa Rússia de interferência

Do UOL, em São Paulo*

22/10/2020 23h10Atualizada em 23/10/2020 00h42

Candidato à presidência dos Estados Unidos, o democrata Joe Biden acusou a Rússia de interferir nas eleições americanas e afirmou que Donald Trump não enfrenta o presidente Vladimir Putin. A declaração ocorreu durante debate promovido na noite de hoje, em Nashville, no Tennessee, que o UOL retransmite em parceira com a Band.

"Eu deixei bem claro que qualquer país, não importa qual seja, se interferir nas eleições americanas, irá pagar um preço. Está muito claro nesta eleição: a Rússia esteve envolvida, a China em algum grau, e nós descobrimos agora que Irã também está envolvido e eles pagarão se eu for eleito. Precisamos garantir a soberania dos Estados Unidos", disse o democrata.

A resposta foi dada após ambos os candidatos serem questionados sobre notícias de que o Irã e a Rússia tiveram a acesso a informações de registros de eleitores a fim de interferir no resultado das urnas.

"Até onde sabe o presidente [Donald Trump] não conversou com o presidente Putin, não sei por que ainda não conversou com o presidente da Rússia", provocou Biden, em seguida. E deu a entender que Trump teria sido avisado de que seu advogado, Rudy Giuliani, seria alvo de uma campanha de desinformação.

"E aí se descobre que tudo que tem acontecido na Rússia é para garantir que eu não seja eleito o próximo presidente norte-americano", emendou.

Em resposta, Donald Trump acusou Joe Biden de ter recebido US$ 3,5 milhões ainda na época em que era vice-presidente dos Estados Unidos, ao lado de Barack Obama. "Eu sabia de tudo", afirmou.

"Querem que você perca porque nunca houve ninguém mais severo nas relações com a Russia", disse o candidato à reeleição.

Também citou o filho do democrata que, segundo ele, teria relações com a Ucrânia.

"Ele [Joe Biden] recebeu US$ 3,5 milhões (R$ 19,5 milhões, na cotação atual) da Rússia, que vieram do [presidente] Putin. Ele era muito amigo do ex-prefeito de Moscou, da esposa desse ex-prefeito e sua família. Algum dia você vai ter que explicar porque recebeu [essa quantia]", afirmou Trump. A acusação, segundo a rede americana CNN, é falsa.

"Todos os e-mails terríveis, o tipo de dinheiro que estava recebendo. Joe, você já era vice quando algumas coisas estavam acontecendo, isso nunca deveria ter ocorrido. Você deve uma explicação ao povo dos EUA", completou, em seguida, sobre mensagens recentemente vazadas.

Biden negou as acusações. "Não recebi nenhum centavo de nenhum outro país na minha vida. O que soubemos é que esse presidente pagou 15 vezes mais impostos com a conta bancária e negócios que tinha na China", afirmou Biden.

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Irã, China e Coreia do Norte foram os temas centrais das respostas sobre o tema da segurança nacional. Biden respaldou-se nos oito anos como vice-presidente para dizer que irá, ao contrário do atual presidente, retomar a cooperação internacional. "Vamos colocar os EUA de volta na cabeceira da mesa", prometeu.

Ao longo de sua gestão, Trump tem desfeito acordos e planos assumidos pelo seu antecessor, Obama.

Este é o segundo e último debate antes das eleições no dia 3 de novembro. Pesquisas de intenção de votos mostram Biden a frente de Trump com uma larga distância.

É, também, o segundo encontro entre os candidatos após Trump ter se infectado com o novo coronavírus. O presidente chegou a ser internado, porém recebeu alta e recebeu autorização para frequentar eventos públicos antes dos 14 dias de quarentena, o que gerou críticas ao médico que o atendeu.

Devido o diagnóstico positivo, o segundo debate entre os candidatos não ocorreu, pois Trump se recusou a fazê-lo de forma virtual.

A maneira como Trump conduziu a pandemia nos Estados Unidos é motivo de embate entre ele e Biden. Por um lado, Trump diz ter feito um bom trabalho e diz que o adversário teria quebrado a economia do país com um fechamento total das atividades. Biden, por outro lado, acusa o presidente de ter lidado mal com a situação e relembra que o mesmo minimizou a doença.

Os Estados Unidos são o país com maiores números de infecções e óbitos pela covid-19 e os números voltaram a crescer nas últimas semanas, incluindo em estados-pêndulos, fundamentais para as eleições. Especialistas temem que o país esteja a caminho de uma segunda onda, como ocorre na Europa.

Segundo a Universidade Johns Hopkins, o país tem 8.395.100 casos confirmados e 222.925 mortes.

*Colaboraram Carolina Marins, Felipe Oliveira, Gilvan Marques e Lucas Borges Teixeira

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