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Jornalista pró-Taleban culpa EUA por mortes em Cabul: 'Vida está normal'

Homens do Taleban guardam entrada do Ministério do Interior, em Cabul - Javed Tanveer/AFP
Homens do Taleban guardam entrada do Ministério do Interior, em Cabul Imagem: Javed Tanveer/AFP

Do UOL, em São Paulo

18/08/2021 09h35Atualizada em 18/08/2021 10h13

O jornalista pró-Taleban Shamsullah Elham disse que a morte de afegãs no aeroporto de Cabul na última segunda-feira (16) é culpa dos Estados Unidos e que, com o avanço do Taleban na região, a vida segue "normal e sem qualquer ameaça". Segundo Elham, o governo norte-americano deseja atribuir a culpa dos crimes que ocorreram em Cabul para "difamar" o Taleban.

Elham citou que os extremistas haviam "garantido a segurança de todos os cidadãos" independente das crenças e que a proteção e garantia de segurança é o "dever do Emirado Islâmico do Afeganistão" junto a todos os que seguirem a "lei islâmica".

No perfil do Twitter, ele reforça que é a favor dos direitos humanos e dos direitos das mulheres.

O episódio de mortes no aeroporto de Cabul citado pelo apoiador dos extremistas aconteceu quando afegãos tentavam deixar o país após a tomada da capital do país pelo Taleban.

Em um ato de desespero, dezenas de pessoas se agarraram à parte externa de uma aeronave dos EUA que levava a bordo membros da embaixada do país. A tentativa dos cidadãos era a de alcançar as escadas do avião e ingressar na parte interna.

Com a decolagem, os afegãos caíram das partes externas da fuselagem. Outros foram atingidos por tiros após um tumulto que ocorreu no aeroporto de Cabul.

"Vida normal"

Para confrontar a versão dos EUA sobre a realidade no Afeganistão após a tomada do Taleban e mostrar que a vida está "normal" mesmo com a tomada do grupo radical, Elham pede que mais redes de televisão e jornalistas cheguem ao Afeganistão para "conhecer a situação" do país.

Em outras publicações feitas no perfil do jornalista no Twitter, vídeos em que um suposto membro do Taleban que aparece armado e torturando um homem que seria tradutor é classificado como "fake news" por Elham.

"Esse vídeo é sobre ladrões que foram capturados pelo Taleban. A eles foi dado esse castigo porque não são tradutores. A mídia e a jornalista deveriam saber", escreveu o pró-Taleban,

As imagens haviam sido compartilhadas inicialmente pela jornalista Mina Bai, do jornal The Times of Israel.

Taleban diz que momento é de "orgulho"

Em uma primeira entrevista coletiva desde que o controle do Afeganistão foi assumido, o grupo fundamentalista disse ontem que esse é um "momento de orgulho para a nação".

A declaração foi feita pelo porta-voz Zabihullah Mujahid ao afirmar que as mulheres poderão trabalhar e estudar dentro das estruturas estabelecidas pelos radicais, seguindo os preceitos da lei islâmica. No entanto, Mujahid não deu detalhes sobre o que isso significaria na prática.

O Taleban impõe uma interpretação radical e estrita da lei islâmica que restringe severamente os direitos das mulheres.

Organizações de direitos humanos como a ONU (Organização das Nações Unidas) e a comunidade internacional já expressaram preocupação com a subtração do direito das mulheres e das crianças no Afeganistão por causa do avanço do Taleban.

Novos conflitos no aeroporto de Cabul

O aeroporto de Cabul, localizado na capital do Afeganistão, voltou a ser um cenário de tensão hoje.

Forças da Otan (Aliança Militar Ocidental) tentaram dispersar uma fila de civis que estavam sem documentos como passaporte ou visto, mas que desejavam ingressar no Aeroporto Internacional Hamid Karzai.

Um novo tumulto aconteceu e dezenas de pessoas correram para fugir da fiscalização da Otan. Ao menos 17 pessoas ficaram feridas.

Mais de 2 mil afegãos vagaram na pista do aeroporto entre o domingo (15) e a segunda-feira (16), dias em que o Taleban estava avançando para a capital.

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