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Guerra da Rússia-Ucrânia

Notícias do conflito entre Rússia e Ucrânia


Ucrânia e Rússia retomam negociações após Mariupol recusar rendição

Do UOL*, em São Paulo

21/03/2022 11h09Atualizada em 21/03/2022 12h12

Os negociadores russos e ucranianos realizaram uma chamada de vídeo de 90 minutos hoje e os grupos de trabalho continuarão a se reunir ao longo do dia, disse um membro da delegação ucraniana. "Hoje estamos trabalhando o dia inteiro", disse o delegado e legislador ucraniano David Arakhamia, segundo a mídia ucraniana. As conversas acontecem após a cidade portuária de Mariupol, que está sitiada, ter recusado um ultimato da Rússia para rendição.

Hoje, a guerra entrou no 26º dia com a capital da Ucrânia anunciando que terá mais um toque de recolher de 35 horas, como foi feito na semana passada. O anúncio foi feito hoje pela prefeitura de Kiev após a cidade ter sido alvo de novos ataques. Nas redes sociais, a deputada ucraniana Lesia Vasylenko disse que a Rússia está agindo de forma "desonesta atirando em civis à queima-roupa", em Kiev.

Para a inteligência do Ministério da Defesa do Reino Unido, o cerco à capital deve ser a prioridade das forças russas. O governo russo diz que as negociações de paz ainda não tiveram um progresso significativo.

Principal negociador ucraniano e conselheiro da Presidência, Mykhailo Podolyak mencionou hoje os mais de 3 milhões de pessoas que tiveram de deixar a Ucrânia em razão do conflito para fazer uma crítica sobre a atuação de outros países. "A Rússia destrói a vida de milhões de pessoas. Ainda não é uma catástrofe humanitária global?"

O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, pediu que a UE (União Europeia) interrompa "todo o comércio" com a Rússia. Hoje, novos corredores para evacuação foram abertos no país.

Mariupol não se rende

Nesta segunda (21), a Ucrânia rejeitou a proposta russa de rendição em Mariupol, cidade portuária que está sitiada e é considerada estratégica no conflito. Agora, a Rússia prevê mais uma semana para tomar a cidade, segundo um líder separatista. O chefe da diplomacia da União Europeia, Josep Borrell, afirmou que o cerco e os ataques a Mariupol constituem um "enorme crime de guerra".

As autoridades ucranianas destacam que prosseguem com a resistência contra os russos em Mariupol, que enfrenta uma situação humanitária crítica.

Os defensores da cidade portuária "desempenham um papel enorme na destruição dos planos do inimigo e na melhora de nossa defesa", afirmou o ministro da Defesa da Ucrânia, Oleksiy Reznikov. "Hoje, Mariupol está salvando Kiev, Dnipro e Odessa. Todo o mundo precisa entender", acrescentou.

O comando militar do Kremlin havia anunciado um ultimato às autoridades de Mariupol até as 5h de hoje (0h, em Brasília) para que respondessem a oito páginas de demandas, que segundo os ucranianos eram o equivalente a uma rendição.

A vice-primeira-ministra ucraniana, Iryna Vereshchuk, rejeitou o ultimato russo e afirmou que Moscou deveria, em troca, permitir que os moradores bloqueados deixassem a cidade. "Não se pode falar de entregar armas. Já informamos a parte russa", declarou ao jornal Ukrainska Pravda.

Mariupol é um objetivo fundamental na guerra do presidente russo Vladimir Putin na Ucrânia porque constitui uma ponte terrestre entre as forças russas na península da Crimeia, ao sudoeste, e o território controlado pela Rússia, ao norte e leste.

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Shopping em Kiev destruído por míssil russo
Imagem: Reuters

Toque de recolher

A partir das 20h de hoje, horário local (15h, em Brasília), Kiev terá um novo "toque de recolher intensificado" com duração de 35 horas, terminando às 7h de quarta (23). Um período de restrição tão amplo havia sido adotado na semana passada após uma série de ataques à capital.

"As viagens pela cidade serão proibidas sem passes especiais! Você só pode sair para chegar ao abrigo mais próximo", disse a prefeitura de Kiev em comunicado. "Lembramos que os civis que estiverem na rua durante o toque de recolher sem passe especial serão considerados membros de grupos de sabotagem e reconhecimento!"

Segundo o serviço de emergências da Ucrânia, ao menos oito pessoas morreram e uma ficou ferida em um ataque a um centro comercial em Kiev na noite de domingo (20). As chamas foram extintas por volta das 11h40, horário local (6h40, em Brasília), segundo as equipes de resgate.

Prédios de apartamentos e escolas também foram danificados, segundo a prefeitura da capital. "Devido aos incêndios após ataques aéreos na capital e na região, observa-se a poluição do ar. Portanto, não abra as janelas", disse hoje o prefeito de Kiev, Vitali Klitschko.

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Prédios danificados e carros queimados são vistos após um ataque aéreo em Kiev
Imagem: Reuters

Volta ao trabalho

O governo ucraniano disse a seus cidadãos hoje que, "em locais onde seja possível e seguro, vale a pena voltar ao trabalho". "Se você pode trabalhar, trabalhe", disse Oleksandr Tkachenko, ministro da Cultura e Política de Informação da Ucrânia. "Ao pausar todos os processos de trabalho no país, corremos o risco de piorar significativamente nosso nível econômico."

Segundo Tkachenko, "apesar do apoio humanitário internacional, a guerra está de alguma forma esgotando a economia". "Algumas vilas e cidades foram forçadas a fechar seus negócios devido às hostilidades, os trabalhadores foram forçados a sair e alguns perderam seus empregos por causa dos ocupantes."

Ataque a área militar

A Rússia disparou dois mísseis em um dos campos de treinamento militar na região de Rivne, que fica a cerca de 340 quilômetros de Kiev.

Segundo o chefe da administração regional de Rivne, Vitaliy Koval, o ataque aconteceu hoje. Há relatos de pessoas feridas, segundo as informações iniciais.

O Ministério da Defesa da Rússia disse que "mísseis de cruzeiro de alta precisão lançados do ar atacaram o centro de treinamento para mercenários estrangeiros e formações nacionalistas ucranianas". Os russos falam em ter atingido "80 mercenários e nacionalistas", uma informação que não pôde ser confirmada neste momento.

Tanque de amônia

Por volta das 4h, horário local (23h, em Brasília), tanques de amônia em uma fábrica na região de Sumy —a cerca de 360 quilômetros a leste de Kiev, já perto da fronteira com a Rússia— foram danificados por bombardeios.

"Houve um vazamento. O raio do dano é de cerca de 2,5 quilômetros", disse o Centro de Comunicações Estratégicas e Segurança da Informação, que indicou que "não há ameaça para a população". Ao menos uma pessoa ficou ferida.

A amônia é um gás incolor, bastante tóxico, que se dissolve na água. Ela pode ser usada pela indústria como fertilizante.

A Rússia nega envolvimento com o caso. "Na cidade de Sumy, uma provocação planejada por nacionalistas ucranianos foi implementada à noite", disse o Ministério da Defesa russo, que disse ter verificado, em 19 de março, que "nacionalistas ucranianos" planejavam "cometer uma provocação com o objetivo de acusar a Rússia de supostamente usar 'armas químicas'".

"Quero enfatizar mais uma vez que as Forças Armadas da Federação Russa não planejaram e não estão infligindo nenhum ataque às instalações ucranianas para armazenamento ou produção de substâncias tóxicas", disse o ministério em comunicado. "O regime nacionalista de Kiev é diretamente responsável por quaisquer possíveis incidentes com instalações ucranianas de armazenamento de substâncias venenosas."

Mapa Rússia invade a Ucrânia - 26.02.2022 - Arte UOL - Arte UOL
Imagem: Arte UOL

Sumiço de grãos

Cinco navios com dezenas de milhares de toneladas de grãos desapareceram do porto de Berdyansk, cidade a cerca de 750 quilômetros de Kiev, e que fica próxima a Mariupol, sitiada pelos russos. "Testemunhas oculares dizem que eles foram levados por rebocadores russos", relatou o Centro de Comunicações Estratégicas e Segurança da Informação.

Autoridades locais informaram que havia cinco navios no porto, sendo que alguns totalmente carregados. "Alguns dias atrás, esses navios desapareceram do porto de Berdyansk", disse Alexander Starukh, chefe da região de Zaporizka.

"As pessoas dizem que foram levadas por rebocadores russos. Havia dezenas de milhares de toneladas de grãos ucranianos lá", acrescentou Starukh.

"Aterrorizando"

O Ministério da Defesa da Ucrânia disse hoje que "os ocupantes continuam aterrorizando a população local e saqueando os territórios temporariamente ocupados". "Não é incomum que os ocupantes russos coloquem pessoal, armas e equipamentos na infraestrutura civil."

O ministério acusa as forças russas de fazerem uma "mobilização forçada" em Lugansk e Donetsk, áreas separatistas, que os ucranianos dizem estar "temporariamente ocupados". Segundo o governo, homens de 18 a 60 anos deverão, em 1º de abril, fazer um registro na polícia local. "As razões para este 'registro' não são explicadas", diz o ministério.

Rodízio em Chernobyl

A central nuclear de Chernobyl iniciou ontem o primeiro rodízio de funcionários desde o início da invasão russa à Ucrânia, anunciou a AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica). As forças russas tomaram o controle da central nuclear em 24 de fevereiro e mais de 100 técnicos ucranianos que estavam no fim do serviço noturno prosseguiram com as operações cotidianas na usina, que mantém os resíduos radioativos da catástrofe nuclear de 1986, a pior da história.

Antes do rodízio, a mesma equipe de trabalho estava na central desde o dia anterior à entrada das tropas russas na área, o que "coloca em risco um dos pilares" da segurança nuclear.

(Com Reuters, AFP e RFI)