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Guerra da Rússia-Ucrânia

Notícias do conflito entre Rússia e Ucrânia


9 de maio: por que a data pode oficializar a guerra para Rússia?

Presidente russo, Vladimir Putin, cumprimenta soldados durante a parada do Dia da Vitória em 2018, em Moscou - Alexei Druzhinin/Sputinik/AFP
Presidente russo, Vladimir Putin, cumprimenta soldados durante a parada do Dia da Vitória em 2018, em Moscou Imagem: Alexei Druzhinin/Sputinik/AFP

Gabriel Dias

Colaboração para o UOL

08/05/2022 04h00

Autoridades dos Estados Unidos e outros países do ocidente acreditam que o presidente russo, Vladimir Putin, pode declarar oficialmente guerra à Ucrânia em 9 de maio. A data tem grande simbolismo para o país: é o Dia da Vitória na Rússia, que marca a derrota dos nazistas na Segunda Guerra Mundial, em 1945.

Todos os anos a Rússia celebra a data com grandes paradas militares nas principais cidades, num movimento patriótico dedicado aos quase 20 milhões de soviéticos mortos durante o conflito. Este ano, a festa assume um simbolismo particular e menos tanques e equipamentos militares devem participar do evento.

Putin prometeu mais de 10 mil soldados, 62 aviões de combate e 15 helicópteros de guerra. Durante a cerimônia, oito aviões de caça Mig-29 devem escrever no céu a letra Z, símbolo adotado pelos apoiadores da invasão russa da Ucrânia.

Vários analistas afirmam que o presidente deve ainda aproveitar a ocasião para reforçar a sua narrativa de líder que foi obrigado a se envolver numa guerra para proteger os interesses da população de língua russa.

Usar essa data para propagandear uma conquista militar na Ucrânia não seria um movimento inesperado do governo Putin, embora o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, tenha negado na quarta-feira (4) que a Rússia vai declarar guerra no próximo dia 9.

Até agora, Putin caracterizou a invasão da Ucrânia como uma "operação militar especial", uma suposta campanha de "desnazificação" na Ucrânia, não uma guerra.

Esse discurso se apoia justamente na política dele de glorificar o passado soviético e estimular a imagem mítica de uma potência russa que continuaria em sua batalha fatal contra o nazismo.

Para as autoridades ocidentais, a estratégia da Rússia de declarar guerra no dia 9 permitiria a mobilização total de forças de reserva num momento em que os esforços de controlar regiões ucranianas continuam falhando.

"Acho que ele tentará sair de sua 'operação especial'. Ele está rolando o campo, preparando o terreno para poder dizer 'olha, agora é uma guerra contra os nazistas, e o que eu preciso é de mais pessoas'", afirmou o secretário de Defesa britânico, Ben Wallace, à rádio LBC na semana passada.

dia da vitória

Diferentes datas

O dia da vitória é lembrado de forma diferente na Europa.

O "cessar-fogo" das tropas aliadas, que marcou a derrocada do exército nazista, foi previsto para a noite de 8 de maio de 1945, após a assinatura de um documento crucial para o fim da guerra no front ocidental: a capitulação da Alemanha sob custódia do general dos Estados Unidos Walter Bell-Smith.

Esse era o fim da Segunda Guerra Mundial na Europa, cinco anos e meio após seu início.

Mas os conflitos seguiram acontecendo no Oriente, contra o Império Japonês, liderado pelo monarca Hiroito e integrante das "Potências do Eixo", junto à Alemanha e à Itália. O país só se rendeu em setembro daquele ano.

Os aliados haviam acordado que o dia 9 de maio seria dia de comemoração, mas os jornalistas ocidentais lançaram a notícia da rendição alemã mais cedo que o previsto. A União Soviética manteve a data combinada para marcar o fim da Grande Guerra Patriótica, como é chamada na Rússia, e outras regiões da antiga URSS.

O conflito devastou várias regiões da União Soviética, causou um grande sofrimento e deixou uma profunda cicatriz na psique nacional.

Patriotismo reforçado

Segundo o instituto de pesquisas Vtsiom, este é o principal feriado nacional para 69% dos russos.

Putin sempre colocou o feriado no centro de sua política, exaltando o sacrifício dos soviéticos e regularmente acusando seus adversários ocidentais de "revisionismo" histórico anti-russo, por tentar minimizar o papel da União Soviética na derrota nazista.

A celebração tem sido usada por políticos e pelo Kremlin para encorajar o orgulho patriótico e sublinhar o papel da Rússia como potência global.

Em anos anteriores, Putin aproveitou a data para incitar o Ocidente e mostrar o poder de fogo das tropas russas.

No discurso de 2014, ele falou: "A vontade de ferro do povo soviético, sua coragem e estoicismo salvaram a Europa da escravidão".

"Sabemos e temos firmemente a fé de sermos invencíveis quando estamos unidos", reforçou em 2020. (Com agências internacionais)