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Acusação a ONGs por queimadas é "percepção" de Bolsonaro, diz porta-voz

Fogo avança sobre floresta amazônica na região de Apuí, na fronteira de Amazonas com Rondônia - Bruno Kelly/Reuters
Fogo avança sobre floresta amazônica na região de Apuí, na fronteira de Amazonas com Rondônia Imagem: Bruno Kelly/Reuters

Alex Tajra

Do UOL, em São Paulo

21/08/2019 20h28

Citando uma "rede de colaboração" que abastece o presidente Jair Bolsonaro (PSL) com informações, o porta-voz do governo federal, general Rêgo Barros, afirmou que as acusações de que ONGs estariam por trás das queimadas na região amazônica são uma "percepção" do chefe do Executivo.

"O presidente já destacou que muitas delas [ONGs] atendem aos interesses estrangeiros que cobiçam as riquezas naturais existentes no território brasileiro. Algumas vivem, exclusivamente, do aporte financeiro externo que no momento, em face das ações do governo brasileiro, foram estancadas por má gestão. (...) O presidente tem a percepção de que essas queimadas podem estar sendo realizadas em represália a esses prejuízos por parte das ONGs", afirmou o porta-voz.

"Algumas denúncias desses atos já foram apontadas em algumas regiões", disse Rêgo Barros.

Ontem, sem apresentar provas ou evidências, Bolsonaro afirmou que as queimadas na Amazônia Legal podem ser produto de "ação criminosa desses ongueiros para exatamente chamar a atenção contra a minha pessoa, contra o governo do Brasil."

Questionado sobre o embasamento do presidente, Rêgo Barros disse que há uma "rede de colaboração" que abastece o presidente com "percepções locais". "[As percepções] são posteriormente checadas pelos órgãos que estão diretamente ligados ao senhor presidente da República", disse o porta-voz.

"Naturalmente existe um sistema que está trabalhando em colaboração para identificar efetivamente quais são os responsáveis, onde os fatos estão a ocorrer, para que haja ação sob o ponto de vista da segurança pública. É nesse contexto que o presidente da República vem expressando suas opiniões.", disse.

O general, todavia, não apresentou informações concretas sobre as denúncias que teriam sido registradas. "Existem relatos, não obstante eu não posso avançá-los, em função da apuração que o senhor presidente da República vem determinando aos órgãos responsáveis. (...) Antes que se preocupe efetivamente com a questão de denúncia, há que preocupar-se com a solução do problema ambiental."

Queimadas crescem 70%

No último dia 19, o UOL mostrou que os focos de queimadas cresceram 70% este ano (até o dia 18 de agosto) na comparação com o mesmo período de 2018. Ao todo, o Brasil registrou 66,9 mil pontos, segundo a medição do Programa Queimadas do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais).

Os dados apontam que as queimadas atingiram maior índice desde 2013 --primeiro ano em que há dados informados de período similar.

Segundo os números do Inpe, o bioma mais afetado é o da Amazônia, com 51,9% dos casos. O cerrado vem em seguida com 30,7% dos focos registrados no ano. Em números absolutos, Mato Grosso é o estado líder com 13.109 focos de queimada, seguido pelo Pará, com 7.975. Corumbá (MS) é o município campeão em focos: 1.911.

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