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Chanceler: Brasil é alvo de "falsidades ambientais" porque saiu do "sono"

4.abr.2019 - Ministro de Estado das Relações Exteriores, Ernesto Araújo - Fátima Meira/Futura Press/ Estadão Conteúdo
4.abr.2019 - Ministro de Estado das Relações Exteriores, Ernesto Araújo Imagem: Fátima Meira/Futura Press/ Estadão Conteúdo

Rafael Ribeiro

Colaboração para o UOL, em Campo Grande

22/08/2019 17h14

O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Ernesto Araújo, repetiu hoje o tom da gestão de Jair Bolsonaro (PSL) às críticas recebidas pelas constantes queimadas registradas na Amazônia. Durante fala em evento realizado em Campo Grande, o chanceler brasileiro disse que "usam falsidades ambientais" para enfraquecer o país.

"Nesses últimos dias, vemos claramente que o Brasil está sendo alvo de campanhas deslocadas de ataques ligados à questão ambiental", disse o ministro, que em outros momentos já questionou temas ambientais como o aquecimento global. "O Brasil está emergindo e muita gente não quer ver ele forte, saindo dos sonos de algumas décadas. Usam falsidades ambientais para nos atacar."

Araújo participou nesta manhã do encerramento da 8ª Reunião do Grupo de Trabalho do Corredor Bioceânico, espécie de rota que será aberta entre Brasil, Paraguai, Argentina e Chile para potencializar a logística e a integração dos quatro países, além de fomentar os setores da cultura e do turismo. Autoridades dos quatro países avançaram nas tratativas para conectar as regiões de fronteira e possibilitar um fluxo de exportações e importações pelo Oriente, através do Oceano Pacífico.

O chanceler disse que a chamada "campanha contra o país", interfere nas relações exteriores. Por isso, disse que o Governo Federal busca cumprir "o desafio de implantar uma política ambiental sólida".

"Estamos tratando do tema frequentemente com o ministro Ricardo Salles (do Meio-Ambiente)", afirmou.

Isso está muito na imprensa nacional e internacional justamente quando o Brasil está se afirmando como um ator de muito mais peso nas negociações comerciais. Nos preocupa porque o que está saindo na imprensa são coisas distorcidas, incorretas e que acabam prejudicando nosso esforço de construir uma nova presença do Brasil no mundo
Ernesto Araújo, ministro das Relações Exteriores

O ministro reiterou que o governo usará "todas as oportunidades" de se posicionar na imprensa internacional para "dissipar os argumentos que provocam uma visão distorcida do Brasil quando o assunto é o meio-ambiente." "Por enquanto nenhum país nos procurou para tratar sobre o tema (Amazônia)", disse.

Nesta semana, em duas ocasiões, o presidente Jair Bolsonaro afirmou que suspeita que as queimadas na Amazônia estejam sendo provocadas por ONGs, mas em nenhum momento apresentou provas e não há investigações públicas por parte do governo contra as organizações.

Argentina

Outro assunto tratado pelo chanceler durante sua passagem em Mato Grosso do Sul foi a postura da gestão Bolsonaro quanto ao resultado nas eleições argentinas. Apoiando a reeleição de Maurício Macri, o governo brasileiro não escondeu o desapontamento com a vitória do opositor Alberto Fernández nas prévias. O pleito definitivo acontece em outubro.

Peronista declarado, Fernandéz foi atacado publicamente tanto por Bolsonaro quanto por Araújo logo nas horas seguintes à divulgação do resultado. O ministro Paulo Guedes (Economia) chegou a dizer que o Brasil sairá do Mercosul se Fernández e sua candidata a vice, Cristina Kirchner, fecharem a economia argentina.

"Nada que o Brasil fará nessa hipótese (fechar o mercado à Argentina comandada por uma linha ideológica contrária à bolsonarista) jamais será no sentido de prejudicar o mercado produtor sul-mato-grossense ou de qualquer outro estado", disse Araújo nesta quinta.

Na segunda-feira (19), o ministro das Relações Exteriores fez diversas críticas a Fernández , em entrevista publicada pelo jornal portenho El Clarín . O ministro brasileiro disse "não ter ilusões de que esse kirchnerismo 2.0 seja diferente ao kirchnerismo 1.0" e reiterou que o Brasil pode deixar o Mercosul caso Fernández venha a "fechar a economia".

"Nos preocupa muito o passado dos governos da Cristina Kirchner, onde foram elevadas muitas barreiras aos produtos brasileiros. O Mercosul não funcionava como mercado de livre comércio. Mercado fechado por parte da Argentina, esse tipo de passado nos preocupa se vier a se tornar futuro. A Argentina continua em um processo eleitoral e nós temos que continuar e trabalhar com que temos que é uma cooperação muito estreita muito produtiva com o presidente Macri e seu governo", disse o chanceler em Campo Grande.

Bolsonaro tem previsto cenários catastróficos, parecidos com o da Venezuela, em caso de vitória da chapa de Fernández. "Quero os argentinos no Brasil como turistas e não lutando pela sobrevivência", disse o presidente na última semana.

Errata: o texto foi atualizado
Diferentemente do que foi informado no 10º parágrafo da matéria, Paulo Guedes é ministro da Economia, e não da Economia e Segurança Pública. A informação foi corrigida.

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