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Macron diz que Amazônia está queimando e cobra ação urgente do G7: "Crise"

04.abr.2019 - O presidente da França Emmanuel Macron - Ludovic Marin/AFP
04.abr.2019 - O presidente da França Emmanuel Macron Imagem: Ludovic Marin/AFP

Do UOL, em São Paulo

22/08/2019 16h43Atualizada em 22/08/2019 17h31

O presidente francês, Emmanuel Macron, usou seu perfil no Twitter hoje para se posicionar sobre as queimadas na Amazônia. Ele, que já entrou em atrito com o presidente Jair Bolsonaro (PSL) por questões ambientais, chamou o problema de "crise internacional" e cobrou que os líderes do G7 tratem urgentemente do tema.

"Nossa casa está queimando. Literalmente. A floresta amazônica, pulmão que produz 20% do oxigênio do nosso planeta, está em chamas. Isso é uma crise internacional. Membros do G7, vamos discutir essa emergência de primeira ordem em dois dias", escreveu Macron.

O próximo encontro do G7 - que reúne os presidentes de EUA, Reino Unido, França, Alemanha, Itália, Canadá e Japão - será realizado neste fim de semana, em Biarritz (França).

Mais cedo, o secretário-geral da ONU (Organização das Nações Unidas), António Guterres, afirmou estar preocupado com as queimadas na floresta Amazônica e pediu proteção à biodiversidade da região.

"Estou profundamente preocupado com as queimadas na floresta Amazônica. Em meio à crise climática global, não podemos permitir mais danos a essa grande fonte de oxigênio e biodiversidade. A Amazônia precisa ser protegida", escreveu Guterres em sua conta no Twitter.

Hoje pela manhã, o presidente Jair Bolsonaro voltou a dizer que as ONGs (Organizações Não Governamentais) são suspeitas de causarem as queimadas na floresta Amazônica, mas admitiu não ter como provar.

"Quer que eu culpe os índios? Quer que eu culpe os marcianos? É, no meu entender, um indício fortíssimo que é esse pessoal de ONG que perdeu a teta deles, é simples", falou o presidente, antes de acrescentar:

"Não se tem prova disso. Ninguém escreve isso 'eu vou queimar lá'."

Crítica reacende rixa entre Macron e Bolsonaro

O tom crítico adotado por Emmanuel Macron para analisar a queimada na Amazônia é mais um capítulo da relação tensa entre o presidente francês e Jair Bolsonaro. A primeira "crise" entre os políticos começou durante reunião do G20, que foi realizada em junho, em Osaka, no Japão.

Inicialmente, a agenda do presidente brasileiro previa uma reunião bilateral com Macron durante o evento. Contudo, segundo reportagem da BBC News Brasil, a delegação do líder francês previa apenas uma breve conversa informal. Após uma série de desencontros de informações, Bolsonaro e Macron se reuniram por cerca de 20 minutos, e o presidente brasileiro convidou o francês para vir "conhecer a Amazônia" e teria reforçado que o país seguiria fazendo parte do Acordo de Paris.

Ainda no evento, Macron e a chanceler alemã, Angela Merkel, endureceram seus discursos contra o presidente brasileiro. O presidente francês ainda ressaltou que União Europeia e Mercosul só firmariam acordo se o Brasil se comprometesse a não deixar o Acordo de Paris.

Após retornar da reunião do G20, Bolsonaro voltou a criticar o posicionamento de Alemanha e França sobre questões ambientais e disse que Macron e Merkel "não tinham autoridade" para discutir o tema com o Brasil.

"Convidei ele (Macron) e a Angela Merkel a sobrevoar a Amazônia, se encontrasse num espaço entre Boa Vista e Manaus, 1 km quadrado de desmatamento, eu concordaria com eles. Agora o mesmo, como sobrevoei a Europa por duas vezes, eu também lhes disse que não encontrei 1 km quadrado de floresta naquela região. Então eles não têm autoridade para vir discutir essa questão para conosco", disse o presidente.

"Bolo" em ministro francês

Em outro incidente diplomático que irritou os franceses, Bolsonaro cancelou um encontro que teria com o ministro das Relações Exteriores do país, Jean-Yves Le Drian, no final de julho.

O porta-voz da Presidência, Otávio Rego Barros, argumentou que o cancelamento se devia a um excesso de agendas de Bolsonaro naquele dia. No mesmo horário previsto para encontrar o chanceler, porém, o presidente apareceu ao vivo em uma transmissão no Facebook enquanto cortava o cabelo.

No dia seguinte, Bolsonaro admitiu que não havia gostado de saber que Le Drian também se encontraria com representantes de ONGs no Brasil.

Na volta à França, o chanceler ironizou a situação. "Todo mundo conhece as restrições próprias das agendas dos chefes de Estado. Ao que parece, houve uma emergência capilar. Essa é uma preocupação que é estranha para mim", disse Le Drian, em uma referência irônica a sua calvície, em uma entrevista ao "Journal du Dimanche".

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