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Merkel: incêndios na Amazônia são uma 'situação urgente' que deve ser debatida pelo G7

A chanceler alemã Angela Merkel, em Berlim - Hannibal Hanschke - 10.jul.19/Reuters
A chanceler alemã Angela Merkel, em Berlim Imagem: Hannibal Hanschke - 10.jul.19/Reuters

23/08/2019 08h04Atualizada em 23/08/2019 09h26

Os incêndios na Amazônia constituem uma "situação urgente" que deve ser discutida durante a cúpula do G7 este final de semana, declarou nesta sexta-feira o porta-voz da chanceler alemã Angela Merkel. A manifestação acontece em apoio a uma solicitação do presidente francês, Emmanuel Macron, que classificou ontem as queimadas como uma "crise internacional" e convocou os líderes do G7 a tratarem do tema com urgência.

"A chanceler está convencida" de que a questão "deve constar na agenda dos países do G7 quando se reunirem este final de semana", declarou seu porta-voz, Steffen Seibert, em Berlim. Merkel "apoia completamente o presidente francês" neste ponto, acrescentou.

O encontro do G7, que reúne governantes dos EUA, Reino Unido, França, Alemanha, Itália, Canadá e Japão, acontece neste fim de semana na cidade de Biarritz, na França.

Justin Trudeau, primeiro-ministro do Canadá, também manifestou apoio ao apelo de Macron. Ontem, pelo Twitter, ele disse que "não poderia concordar mais" com as colocações do presidente francês. "Precisamos agir pela Amazônia e pelo nosso planeta", escreveu.

Além dos líderes do G7, o primeiro-ministro da Irlanda, Leo Varadkar, também se manifestou sobre o tema. Ele ameaçou votar contra o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia caso o Brasil não respeite seus "compromissos ambientais".

Pelo menos 40 cidades brasileiras e cinco capitais europeias têm manifestações em defesa da Amazônia marcadas para hoje e para o fim de semana. No exterior, os protestos devem acontecer em Londres, Paris, Madri, Lisboa e Dublin.

Para diplomatas, a repercussão internacional das queimadas na Amazônia pode ser considerada o maior revés do Brasil no cenário externo em 50 anos.

Ontem à noite, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) informou que vai convocar um gabinete de crise com todos os ministros de Estado para tratar da situação.

Após acusar, sem evidências, que ONGs seriam as responsáveis pelas queimadas na região da Amazônia Legal, Bolsonaro afirmou ontem, em uma live nas redes sociais, que "há suspeitas" de que produtores rurais estejam por trás dos incêndios que atingem o bioma. O presidente não apresentou qualquer prova de que produtores estariam envolvidos nas queimadas.

Ao longo da transmissão, o presidente afirmou que incêndios são "comuns", fazendo menção ao estado norte-americano da Califórnia e diferenciando que no Brasil há um "viés criminoso". Antes de elencar as acusações, disse: "Quem que pratica isso? Não sei. Os próprios fazendeiros, ONGs, seja lá o que for, índios, seja lá o que for", disse.

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