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Polícia apreende galões de combustível usados em incêndios criminosos no PA

Policiais flagraram dois funcionários da fazenda de posse de um tambor com gasolina e galões de óleo diesel - Polícia Civil do Pará
Policiais flagraram dois funcionários da fazenda de posse de um tambor com gasolina e galões de óleo diesel Imagem: Polícia Civil do Pará

Aliny Gama

Colaboração para o UOL, em Maceió

30/08/2019 14h30

Dezenas de galões cheios de combustível que eram usados em queimadas no Pará foram apreendidos pela Polícia Civil, na noite de ontem, na Área de Proteção Ambiental Trunfo do Xingu, conhecida como fazenda Ouro Verde, no município de São Félix do Xingu (PA). A polícia detectou área extensa de queimada na mata existente na propriedade rural.

A maioria dos galões encontrados tem capacidade para armazenar até 200 litros de combustível. Policiais flagraram dois funcionários da fazenda de posse de um tambor com gasolina e galões de óleo diesel. Todo o material foi apreendido.

Segundo a polícia, a fazenda contratou 50 homens para derrubar 20 mil hectares na área de Proteção Ambiental Trunfo do Xingu. Investigações apontaram que, ao todo, o grupo já derrubou e colocou fogo em mais de 5 mil hectares de área na fazenda.

A apreensão dos galões de combustível ocorreu durante operação policial para cumprimento de mandado judicial de busca e apreensão na área rural.

Polícia Civil do Pará
Imagem: Polícia Civil do Pará

A polícia tentou cumprir três mandados de prisão expedidos contra Geraldo Daniel de Oliveira, genro do proprietário da fazenda e apontado como mandante das queimadas e derrubada da mata, José Brasil de Oliveira e João Batista Rodrigues Jaime, que também responsabilizados pelos incêndios criminosos. Eles não foram localizados e estão foragidos.

Durante a busca na fazenda, a polícia prendeu em flagrante Paulo Henrique Santos Marques por estar com um revólver calibre 38 sem porte legal. O UOL tentou contato com a fazenda, mas não conseguiu.

A polícia também encontrou um grupo de trabalhadores em situação análoga à de escravidão. Eles estavam numa casa de madeira, em condições precárias. No local, tinha uma espécie de mercadinho onde a fazenda vendia alimentos para os trabalhadores.

Segundo o delegado da Polícia Civil Alberone Lobato, funcionários da fazenda foram ouvidos e eles confirmaram que o combustível era usado para provocar o incêndio criminoso na mata. Em depoimento, trabalhadores afirmaram que os galões eram levados, aos poucos, para dentro da mata para provocar a queimada. "Vamos permanecer na fazenda para ouvir todos os funcionários", informou o delegado.

A polícia acionou um engenheiro ambiental em Belém para realizar a perícia ambiental. O laudo será encaminhado ao Ministério Público em São Félix do Xingu.

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