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Manchas aparecem em Salvador, e Nordeste tem 8ª capital poluída por óleo

Ibama informou que 150 praias espalhadas por 68 diferentes municípios do Nordeste já foram afetadas pelo óleo - Ana Leal/Fotográfico/Estadão Conteúdo
Ibama informou que 150 praias espalhadas por 68 diferentes municípios do Nordeste já foram afetadas pelo óleo Imagem: Ana Leal/Fotográfico/Estadão Conteúdo

Carlos Madeiro

Colaboração para o UOL, em Maceió

11/10/2019 08h39

Manchas de óleo apareceram nesta manhã na praia de Piatã, em Salvador. Foi o sétimo município com aparecimento de material na Bahia, o último estado onde o óleo apareceu.

Com a chegada das manchas a Salvador, todas as oito capitais costeiras do Nordeste registraram a presença do óleo de origem ainda desconhecida. No caso do Piauí, a capital Teresina não é litorânea, mas os quatro municípios com costa no estado tiveram material encontrado.

Por conta do movimento das marés e dos ventos, as manchas estão aparecendo cada vez mais ao sul. Ontem, o registro mais ao sul que havia era em Camaçari, que fica 47 km ao norte de Salvador.

Em nota, a Empresa de Limpeza Urbana de Salvador informou que os primeiros materiais surgiram na noite de ontem na Praia do Flamengo. Foram "pequenos fragmentos do que pode ser a mancha de óleo que tem atingido diversas praias do Nordeste desde o fim de agosto. Já na manhã de hoje (11), o mesmo material também foi encontrado na praia do Jardim dos Namorados, na Pituba", disse.

Uma equipe de 77 agentes está atuando em regime de plantão 24 horas, monitorando todas as praias de Salvador. "Para a retirada do material, as equipes seguem o protocolo determinado pelo Ibama, sendo o resíduo coletado com um equipamento chamado ancinho, uma espécie de vassoura metálica, depois colocado em recipiente plástico para armazenamento temporário, com impermeabilização de solo, e posterior encaminhamento para unidade de análise e tratamento do material, de responsabilidade do Instituto", finalizou.

Segundo Marcelo Amorim, coordenador de Atendimento a Acidentes Tecnológicos do Ibama (Instituto do Meio Ambiente e Recursos Renováveis) e chefe das ações em resposta às manchas, equipes estão sobrevoando nesta manhã o litoral norte da Bahia para avaliar a contaminação do óleo na costa.

Amorim explica que é normal que as manchas sigam em direção ao litoral da Bahia. "Uma das características observadas neste evento é que as manchas que tocam as praias, se não recolhidas imediatamente, podem ser carregadas pela marés — quando da maré alta — e se deslocarem mais ao sul. É consequência natural das correntes e ventos predominantes nesta época do ano", afirma.

Segundo balanço divulgado ontem à noite pelo Ibama, chegou a 150 o número de praias com registro de óleo em 68 municípios do Nordeste. Salvador, no caso, ainda não está nessa lista.

Ontem, a Marinha informou que está notificando 30 navios-tanque de 10 diferentes países a prestarem esclarecimentos sobre a suspeita de vazamento de óleo que contaminou a costa do Nordeste. A decisão veio após uma triagem com base em informações do tráfego mercante na região.

Meio Ambiente