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DiCaprio nega ter financiado ONGs investigadas, mas diz que merecem apoio

22.jul.2019 - Leonardo DiCaprio comparece à estreia do filme "Era uma vez em Hollywood" - Mario Anzuoni/Reuters
22.jul.2019 - Leonardo DiCaprio comparece à estreia do filme "Era uma vez em Hollywood" Imagem: Mario Anzuoni/Reuters

Do UOL, em São Paulo

30/11/2019 11h07

Alvo de uma acusação sem provas feita pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido), o ator Leonardo DiCaprio negou ter financiado ONGs investigadas por suposto envolvimento em queimadas na Amazônia, mas afirmou que elas merecem apoio.

"Apesar de merecerem apoio, nós não financiamos as organizações", disse DiCaprio, segundo comunicados divulgados pelas agências de notícias AP e Reuters ontem à noite.

O ator elogiou "o povo brasileiro que trabalha para salvar sua herança cultural e natural". Ele afirmou que "o futuro destes ecossistemas insubstituíveis está em jogo", e disse ter "orgulho de estar ao lado dos grupos que os protegem."

Depois das queimadas na Amazônia em meados deste ano, a ONG Earth Alliance, da qual DiCaprio é fundador, prometeu doar US$ 5 milhões para a proteção da Amazônia.

Na quinta (28), Bolsonaro voltou a culpar as ONGs por queimadas na Amazônia e acusou DiCaprio de doar dinheiro a essas instituições. Segundo Bolsonaro, as ONGs estariam comprando e divulgando fotos forjadas dos incêndios para receber doações e fazer campanhas "contra o Brasil".

"Uma ONG ali pagou R$ 70 mil por uma foto fabricada de queimada", disse o presidente sem citar nomes. "O que é mais fácil? 'Toca' fogo no mato. Tira foto, filma, manda para a ONG, a ONG divulga, entra em contato com o Leonardo DiCaprio e o Leonardo DiCaprio doa US$ 500 mil para essa ONG. Leonardo DiCaprio, você está colaborando com as queimadas na Amazônia", completou.

DiCaprio nega ter feito doação à WWF

As declarações de Bolsonaro foram dadas no momento em que quatro brigadistas de uma ONG que atua na região de Alter do Chão, no Pará, estavam presos sob acusação de provocar incêndios em setembro. Eles foram soltos ontem.

A fala de Bolsonaro reproduz as afirmações da Polícia Civil paraense, para quem os brigadistas criaram focos de incêndio para depois vender fotos do fogo para a organização de defesa do meio ambiente WWF. A organização, por sua vez, teria usado as imagens para arrecadar doações —entre elas, uma de Leonardo DiCaprio. O ator nega ter feito doações à WWF.

A WWF, por sua vez, nega que tenha comprado fotos da Brigada Alter do Chão, que funciona em uma ONG apoiada pela entidade. "O fornecimento de fotos por qualquer parceiro da organização é inerente à comprovação das ações realizadas, essencial à prestação de contas dos recursos recebidos e sua destinação no âmbito dos Contratos de Parceria Técnico-Financeira".

"A falta de clareza sobre as investigações, a falta de fundamento das alegações usadas e, por consequência, as dúvidas sobre o real embasamento jurídico dos procedimentos adotados pelas autoridades contra os acusados, incluindo a entrada e coleta de documentação nas sedes das organizações Projeto Saúde e Alegria e Instituto Aquífero Alter do Chão - onde funcionava a Brigada de Alter do Chão -, são extremamente preocupantes do ponto de vista da democracia e configuram claramente medidas abusivas", disse a entidade em nota na quarta (27).

Ao contrário da Polícia Civil paraense, a investigação do MPF (Ministério Público Federal) aponta grileiros como os possíveis responsáveis pelos incêndios na região, e nega suspeitas sobre brigadistas e ONGs. Segundo o MPF, a região de Alter do Chão —um importante destino do ecoturismo no Brasil— sofre pressão de grileiros há anos.

"Por se tratar de um dos balneários mais famosos do país, a região é objeto de cobiça das indústrias turística e imobiliária e sofre pressão de invasores de terras públicas", disse o MPF em nota.

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