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Brigadistas de Alter do Chão (PA) reafirmam inocência e revelam ameaças

Brigadistas de Alter do Chão (PA) são soltos após prisão - Twitter Brigada Alter do Chão
Brigadistas de Alter do Chão (PA) são soltos após prisão Imagem: Twitter Brigada Alter do Chão

Carlos Madeiro

Colaboração para o UOL, em Maceió

01/12/2019 20h22

Os quatro brigadistas presos por três dias após supostamente terem provocado incêndios na APA (Área de Preservação Ambiental) de Alter do Chão (PA) falaram hoje pela primeira vez após o episódio. Eles revelaram que sofrem ameaças diárias após a soltura.

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"Esses ataques sofridos por pré-julgamento colocaram a gente em risco. A gente recebe ameaças diárias em grupos de WhatsApp de Alter de Chão. Realmente isso dá medo", afirmou Daniel Govino, que disse que chegou a ter o portão de sua casa arrombada.

"A gente só quer continuar com esse trabalho e voltar à nossa vida normal, mas agora ainda não é possível", completou.

Os quatro apontados como suspeitos atuam na Brigada de Incêndio de Alter do Chão, criada em 2018. Ela faz parte da ONG Instituto Aquífero Alter do Chão, que atua em cooperação no combate a incêndios na região.

Segundo Govino, os brigadistas fazem trabalhos voluntários e não recebem dinheiro da ONG. "O trabalho da Brigada é totalmente voluntário. Fazemos nosso dinheiro com nossos trabalhos comerciais. Tanto um quanto o outro estão parados enquanto sofremos essa injustiça", pontuou.

Os brigadistas ainda ressaltaram que mesmo com a soltura e manifestações de apoio, há ainda restrições impostas pela Justiça, como permanecerem em casa entre 21h e 6h, se não estiverem trabalhando.

"A gente espera ser inocentado"

"Tudo fica irrelevante com você entrando em custódia, tendo a certeza de que tudo aquilo é injusto, mentiroso e irreal. Parece um filme, uma ficção. O que vale é a nossa inocência. A gente tem muita gratidão pelo apoio. Isso vai nos fortalecer, mas a gente espera ser inocentado o mais rápido possível", contou Gustavo Fernandes.

Outro brigadista detido e responsável pela ONG, Marcelo Aron Cwerver contou que os policiais chegaram em sua casa para prendê-lo "bem cedo".

"Minha esposa e meus filhos ainda estavam dormindo. No começo, achei que se tratava de alguma coisa que acontecia ali perto, na rua, que eles estavam entrando para pedir algum tipo de auxílio, porque isso já tinha ocorrido antes", afirmou.

Emocionado, o brigadista João Romano ainda revelou um drama pessoal: o corte de cabelo imposto. Ele contou que não cortava o cabelo desde que soube que a sua esposa estava grávida, há quase dois anos. "Eu não sabia se minha filha ia me reconhecer ao me ver", disse.

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Segundo informaram hoje, os brigadistas estavam no local em que teve início o fogo, em setembro. Todos informaram seus locais individualmente, e que só após o início do fogo é que foram atuar nos focos.

Sobre doações que a ONG teria recebido, o líder apenas citou R$ 70 mil do WWF, em um contrato firmado em outubro, e que o recurso serviu para comprar equipamentos, o que foi confirmado pela organização.

Além disso, a ONG também conta que realizou esse ano duas campanhas de arrecadação de recursos: uma para formar brigadistas, outra para equipamentos de proteção individual.

"Somos obrigados a trabalhar com transparência e cumprindo os requisitos de prestações de contas aos financiadores e parceiros, além de declarações à Receita Federal", explicou Cwerver.

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