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Mourão associa imagem de tolerância com desmatamento à campanha eleitoral

Do UOL, em São Paulo

15/07/2020 19h00

O tom adotado pela campanha de Jair Bolsonaro (sem partido) à Presidência em 2018 pode ter colaborado com a criação de uma imagem de leniência em relação ao desmatamento e aos crimes ambientais, avaliou o vice-presidente da República, general Hamilton Mourão (PRTB), hoje ao UOL Entrevista.

"O erro [foi que] se criou a falsa imagem da nossa campanha eleitoral de que estava dada largada à temporada de derrubar tudo, avançar nas áreas protegidas, que estaria garantida a posse de terra e não é isso, não vamos compactuar com ilegalidade", afirmou ao colunista do UOL, Tales Faria, e ao repórter Antonio Temóteo.

Mourão reforça que o governo deveria ter deixado mais claro, desde o início, que não iria "aceitar ilegalidade". Além disso, afirmou que deveria ter sido buscada a melhoria da capacidade operacional das agências ambientais.

"Pessoas se aposentaram, fiscais do Ibama estão cedidos a outros lugares. Deveríamos ter buscado mitigar esse erro com concursos e até ter planejamento. Tem que empregar as Forças Armadas, porque elas têm capacidade logística", afirmou.

"O erro foi não ter sido mais repressivo com essas ações ilegais".

O governo, agora, diz, está investindo em maneiras de extinguir a imagem negativa do Brasil no exterior, principalmente em relação às queimadas e ao desmatamento na Amazônia.

Segundo o vice-presidente, a atual temporada de desmatamento está no final, e apenas no próximo que será possível fazer uma nova observação sobre o trabalho de contenção na região.

"A questão pratica é muito clara: apresentar dados de redução considerável do desmatamento e das queimadas. Essa temporada de desmatamento está chegando ao final, não conseguimos apresentar", disse.

"Quando se completar o ciclo de observação de agosto de 2020 a julho de 2021, o ciclo que temos que corresponde ao ano fiscal, quero apresentar uma redução significativa, teremos dado a resposta eficaz das manifestações da comunidade internacional e brasileira", acrescentou o general.

"Salles tem visão positiva"

Mourão defendeu ainda a atuação do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, que tem sido pressionado por empresários e investidores por causa do avanço do desmatamento na Amazônia. Ele também é alvo de um pedido de afastamento por parte de MPF (Ministério Público Federal), que alega improbidade administrativa.

"O mercado critica o Salles, pedem a saída dele. Para acalmar o mercado, ele tem de sentir que nossas ações passaram a ser efetivas, independentemente do ministro. Salles tem uma visão extremamente positiva de como buscar uma solução para a questão ambiental da Amazônia porque ele não se fia só na repressão. Ele tem a visão econômica, pela própria formação", argumentou.

*Texto de Alex Tajra, Emanuel Colombari, Gustavo Setti, Lucas Borges Teixeira e Rofolfo Vicentini; produção de Diego Henrique Carvalho.

Meio Ambiente