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9 meses

Bolsonaro: indígenas e caboclos causam "parte considerável" do desmatamento

Do UOL, em São Paulo

16/07/2020 23h15

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) atribuiu hoje "parte considerável" das queimadas e áreas desmatadas na Amazônia Legal a "indígenas e caboclos", alegando que estas pessoas não poderão mais comer se abandonarem completamente estas práticas.

"Uma parte considerável das pessoas que desmatam e tocam fogo é indígena, caboclo. No nosso decreto, se proibir esses caras de tacar fogo, se chegar o decreto lá, se ele não fizer a agricultura tradicional ali, não vai ter o que comer. Ele vai viver da caça?", questionou o presidente da República.

O comentário foi feito durante a live que Bolsonaro tradicionalmente realiza às quintas-feiras, no Facebook e no YouTube. Na mesma transmissão, ele defendeu a permanência de Ricardo Salles, ministro do Meio Ambiente.

Conforme a edição de hoje do DOU (Diário Oficial da União), o governo decretou a suspensão, por 120 dias, da permissão de uso do fogo em práticas agropastoris e florestais na Amazônia Legal e no Pantanal.

"Estamos assinando o decreto não permitindo a queimada no Brasil todo por quatro meses. Sei que estão fora dessa proibição o índio e o caboclo, esse pequeno homem que está lá no 'interiorzão' do 'Brasilzão' enorme. Ele vai ter acesso ao decreto? Como vai cultivar alguma coisa? O que falta para nós é responsabilidade para tratar esse assunto", completou Bolsonaro.

Trata-se da chamada "moratória do fogo", que já havia sido anunciada pelo vice-presidente Hamilton Mourão, que chefia o Conselho Nacional da Amazônia Legal, e pelo ministro Ricardo Salles, como uma das respostas à pressão de empresas e investidores por providências para frear o avanço do desmatamento.

"Quase 60% do Brasil está ali na Amazônia legal. Como vai tomar conta de uma área como essa? O Pará é responsável por 40% das queimadas, muitas na mesma área todo ano, e mais no norte, em Rondônia. Se não tivesse Amazônia legal, o número de foco de incêndio estaria lá embaixo. Estamos fazendo. Mesmo assim, pelo tamanho da região, é difícil de conter isso daí", afirmou.

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