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Bolsonaro rebate crítica por desmatamento: 'Questão econômica está em jogo'

"Lógico que a gente quer diminuir isso daí [desmatamento], mas não justifica essa crítica", disse Bolsonaro - Reprodução/Facebook
"Lógico que a gente quer diminuir isso daí [desmatamento], mas não justifica essa crítica", disse Bolsonaro Imagem: Reprodução/Facebook

Do UOL, em São Paulo

22/04/2021 22h46Atualizada em 22/04/2021 22h55

Após adotar um tom pacificador no discurso feito na Cúpula de Líderes sobre o Clima, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) voltou a rejeitar as críticas feitas ao Brasil pelo aumento no desmatamento. Se pela manhã disse estar aberto à cooperação internacional na área ambiental, agora à noite Bolsonaro sugeriu haver interesses econômicos por parte dos países que têm cobrado o governo nessa questão, como os Estados Unidos.

A declaração foi feita logo depois de uma fala do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, que participou da live semanal do presidente. Salles divulgou uma série de dados sobre a emissão de gases do efeito estufa em outros países, indicando que o Brasil supostamente estaria atrás de China, EUA e Índia, por exemplo.

"Então estamos lá embaixo, lá embaixo [no ranking de desmatamento]. Lógico que a gente quer diminuir isso daí, mas não justifica essa crítica absurda contra o Brasil. Está na cara que, no fundo, acho que uma questão econômica está em jogo", disse Bolsonaro.

O ministro concordou com o presidente e ainda afirmou existir uma "questão climática" nessa equação. Segundo Salles, os países mais ricos, que utilizam mais combustíveis fósseis — e, portanto, têm maiores taxas de emissão de gases do efeito estufa —, deveriam diminuir as críticas ao Brasil e ajudar o país a combater o desmatamento ilegal.

"Nessa discussão climática, o Brasil não tem contribuição histórica. Enquanto os países ricos estavam com suas indústrias emitindo combustível fóssil, o Brasil era um país agrícola, não tinha emissão nenhuma. Então se estamos indo ajudar a resolver um problema que foram eles que criaram [aquecimento global], eles também têm que nos ajudar com o problema [do desmatamento]", defendeu o ministro.

Tom diferente

Pela manhã, adotando um tom diferente do usual, Bolsonaro disse que o Brasil está aberto à "cooperação internacional" na questão ambiental e anunciou que o país buscará atingir a neutralidade climática — isto é, reduzir a zero o balanço das emissões de carbono — até 2050, uma antecipação de dez anos em relação ao prazo anterior.

"Coincidimos, senhor presidente [Joe Biden, dos EUA], com o seu chamado ao estabelecimento de compromissos ambiciosos. Nesse sentido, determinei que nossa neutralidade climática seja alcançada até 2050. Antecipando em 10 anos a sinalização anterior", disse o presidente brasileiro.

O tom — até então — moderado contrasta com o histórico de atritos que Bolsonaro acumulou nos últimos dois anos em relação a temas como a preservação da Amazônia, combate a ilícitos ambientais e perspectivas sobre o clima.

A atitude reforça a tese, defendida nos bastidores do Planalto e do Itamaraty, de que o governo quer dar uma guinada de 180 graus para melhorar as relações com a comunidade internacional. Isso ocorre na esteira de crises e reveses para o presidente brasileiro — como a derrota do aliado Donald Trump nos EUA, o desgaste na relação com a China e os impactos da pandemia da covid-19.

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