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Meio Ambiente

Não coíbe garimpo nessa dimensão, vai combater desmatamento?, diz professor

Colaboração para o UOL

25/11/2021 09h50Atualizada em 25/11/2021 11h18

O professor da USP (Universidade de São Paulo) Pedro Luiz Côrtes questionou, em entrevista ao UOL News hoje (25), a promessa do governo Bolsonaro de combater o desmatamento, relacionando-a com a falta de fiscalização em garimpos ilegais, a exemplo do que acontece no rio Madeira, em Autazes (AM).

"Se o governo não consegue coibir garimpo sendo feito nessas dimensões, praticamente uma 'Serra Pelada', quem disse que vai coibir desmatamento como se propôs na Cop26?", indagou.

Ontem (24), O MPF (Ministério Público Federal) emitiu uma recomendação para uma ação coordenada para conter o garimpo ilegal no rio Madeira em até 30 dias. O órgão cobra sete instituições para agirem de maneira integrada, como o Ibama, a superintendência da Polícia Federal no Amazonas e o Exército por meio do Comando Militar da Amazônia.

Côrtes ressalta que esse tipo de atividade ilegal incentiva o contrabando. "A maioria do ouro obtido ilegalmente não consegue ser inserida na cadeia regular de comercialização, e vai alimentar o contrabando", explicou.

Centenas de balsas no rio

Centenas de balsas de dragagem operadas por garimpeiros empreendem uma corrida por ouro no rio Madeira, importante afluente do Amazonas, navegando por vários quilômetros enquanto as autoridades estaduais e federais discutem quem é responsável por impedir a ação. A extração de ouro no local é ilegal.

De acordo com um ativista do Greenpeace, há cerca de 300 balsas no local.

Ao jornal O Estado de S.Paulo, o Ibama declarou que "teve ciência do caso" e "nesta terça-feira, dia 23, reuniu-se com o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) para alinhar as informações, a fim de tomar as devidas providências e coordenar uma fiscalização de garimpo na região".

Durante a entrevista ao UOL News, Pedro Luiz Côrtes também destacou a demora para uma fiscalização ser feita. "Chama muito a atenção a demora para tomar providência. Essa movimentação virá pela pressão da imprensa, que chama atenção da opinião pública e cobra atitude", avalia.

O Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam), órgão estadual responsável pela gestão ambiental no Amazonas, informou que "tomou conhecimento das denúncias sobre a movimentação de dragas (balsas) de garimpo na região entre os municípios de Autazes e Nova Olinda do Norte, e será feito um diagnóstico apurando a real situação no local". "O Ipaam informa, também, que atividades de exploração mineral naquela região não estão licenciadas e, portanto, existindo de fato, são irregulares."

*com informações da Reuters

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