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Planeta perdeu 68% dos animais selvagens em menos de 50 anos, aponta relatório da WWF

Animais selvagens do Olare Motorogi Conservancy, no Quênia: situação é mais crítica nas regiões da América do Sul e Central  - Great Plains Conservation
Animais selvagens do Olare Motorogi Conservancy, no Quênia: situação é mais crítica nas regiões da América do Sul e Central Imagem: Great Plains Conservation

10/09/2020 06h48

O relatório alarmante publicado hoje pela ONG WWF aponta que o planeta perdeu em menos de 50 anos 68% dos animais selvagens, principalmente por causa do desmatamento e da expansão de áreas agrícolas. O documento mostra uma situação crítica nas regiões da América do Sul e Central onde mais de 90% de espécies de anfíbios, répteis e peixes desapareceram.

Com uma imagem lindíssima de espécies extintas pelo homem, como a foca do Mediterrâneo, que habitava as águas da ilha da Córsega, a cabra selvagem dos Pireneus, a baleia franca do Atlântico Norte, peixes e aves, o diário Le Parisien diz que o ser humano esquece que a natureza é seu principal seguro de vida.

Segundo o relatório do Fundo Mundial para a Natureza (WWF), elaborado a cada dois anos em colaboração com a Sociedade de Zoologia de Londres, além dos dois terços dos vertebrados, a atividade humana e a sociedade de consumo degradaram também três quartos das terras e 40% dos oceanos. O desaparecimento de quase 70% da fauna selvagem entre 1970 e 2016 não deveria deixar ninguém indiferente. Mas Le Parisien constata que a preservação da biodiversidade é o "primo pobre" do plano de retomada da economia anunciado na semana passada pelo governo francês.

O documento alerta para o risco de epidemias futuras, à medida que o homem estende sua presença e entra em contato com animais selvagens. É consensual que as regiões tropicais das Américas do Sul e Central são as mais atingidas por esse declínio avassalador, mas a França também não assume a devida responsabilidade diante do desastre. Os franceses continuam entre os maiores consumidores de agrotóxicos da Europa, destaca Le Parisien.

Entrevistado pelo diário, o francês Olivier Dangles, que estuda as respostas dadas pela natureza às mudanças climáticas, destaca que o mais impressionante desta sexta extinção em massa de espécies é o curto intervalo de tempo em que ela acontece, principalmente em comparação com fenômenos semelhantes em períodos anteriores. Há 20 ou 30 anos, quando se dirigia em uma estrada na França, o para-brisa dos carros ficava cheio de insetos mortos. Hoje, não se vê mais nada. Passarinhos e borboletas desapareceram dos campos, a poluição nas cidades acaba por matar aqueles que restam. O sistema terrestre não é mais capaz de absorver o aumento das temperaturas e a poluição, conclui pessimista o pesquisador.

Desmatamento e agricultura

A principal causa desta perda de biodiversidade é a modificação das terras, especialmente quando a indústria converte os bosques em fazendas ou explorações agrícolas, destruindo o habitat dos animais selvagens. A isso, somam-se as espécies invasivas e a contaminação.

No total, um terço da superfície terrestre e três quartos dos recursos de água doce são dedicados à produção de alimentos. Nos oceanos, 75% das reservas de peixes sofrem com a sobrepesca. Embora global, o problema é mais acentuado em determinadas regiões, como nas Américas do Sul e Central, onde a perda é quase absoluta, alcançando 94%, especialmente para anfíbios, répteis e peixes. Isso decorre de um "coquetel" de fatores, como o uso exagerado e o desenvolvimento da energia hidroelétrica", que "impacta de forma severa as populações" de peixes e representa "uma ameaça ainda maior no futuro", adverte o relatório.