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Política

Haddad toma posse como prefeito de SP e quer bom relacionamento com vereadores

Guilherme Balza

Do UOL, em São Paulo

01/01/2013 16h05Atualizada em 01/01/2013 19h26

O petista Fernando Haddad tomou posse às 16h desta terça-feira (1º) como prefeito da maior cidade do país, São Paulo. Junto com ele, mais 55 vereadores foram empossados. "Quero saudar os 55 vereadores que foram empossados e, antes de mais nada, dizer meu respeito ao Legislativo. Nós queremos manter com esta Casa o mais alto padrão de relacionamento, falo não só com a base do governo, mas com cada um dos vereadores", afirmou.

Haddad ainda acrescentou que é "daqueles que acredita profundamente na República e na democracia."

Atendimento no "atacado". É o que promete Haddad quando o assunto é a Câmara. Nos próximos quatro anos, o petista quer evitar conversas, cobranças e até apoios individuais. A meta é negociar a aprovação de projetos de lei diretamente com os líderes das bancadas partidárias.

Os 55 parlamentares eleitos em outubro apostam que nada muda no trato com o Executivo. 

A mudança, segundo Haddad, é inédita e visa a acabar com o "toma lá, dá cá". Na última década, muitas vezes o interesse de um único vereador barrava a votação de projetos. O prefeito não quer ficar refém de parlamentares que atuam isoladamente em defesa de igrejas ou de empresas do mercado imobiliário, como ocorreu nas gestões Marta Suplicy (PT), José Serra (PSDB) e Gilberto Kassab (PSD).

Em fevereiro de 2010, só para citar um caso, o então vereador e hoje deputado federal pastor José Olimpio (PP) conseguiu apoio de colegas evangélicos para barrar um projeto da prefeitura que dava isenção de ISS (Imposto sobre Serviços) para empresas ligadas à área da cultura.

Seu objetivo era pressionar Kassab a conceder alvará para um templo da Igreja Mundial no Brás, considerado ilegal pelo MPE (Ministério Público Estadual).

Depois de conseguir derrubar quatro sessões seguidas na Câmara, com o apoio do então bloco político chamado "centrão", Olimpio conseguiu o que queria: do próprio punho, Kassab fez uma autorização para a reabertura do templo e a isenção de ISS para a cultura acabou votada na semana seguinte.

Para assegurar maioria e evitar situações como essa, Haddad conta com a experiência do deputado estadual João Antonio (PT), seu atual secretário de Relações Governamentais. Ex-vereador, ele terá a missão de agregar parlamentares para a base do prefeito. O objetivo é assegurar a aprovação de propostas que exigem três quintos dos votos, como o Plano Diretor.

Além dos 11 vereadores do partido, o novo prefeito já tem o apoio declarado dos eleitos por PMDB, PTB, PC do B, PP e PSB. Indiretamente, a lista aumenta com os parlamentares do PV e do PR. Mesmo derrotado nas urnas, o partido de Kassab não deve impor dificuldades à administração. Mas com oito representantes pode inverter a balança pró ou contra Haddad.

Plano Diretor

O vereador eleito Andrea Matarazzo (PSDB) disse o grande desafio para a Câmara Municipal de São Paulo é a elaboração do Plano Diretor da cidade. Pouco antes da cerimônia de posse dos vereadores eleitos, e também do prefeito, Matarazzo afirmou que pretende usar sua experiência nos Executivos federal, estadual e municipal para participar da discussão e da elaboração do Plano Diretor. "Esse é o grande desafio da cidade", disse.

Matarazzo também citou outros temas importantes para o Legislativo municipal, como a regularização fundiária e a modernização de itens da legislação municipal vigente. Sobre a atuação do PSDB, que fará oposição a Haddad, o vereador eleito espera que o "prefeito não se recuse a ouvir propostas para a cidade de São Paulo". (Com Agência Estado)

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