Não mandam nessa "nega" aqui, diz Tia Eron no Conselho de Ética

Felipe Amorim

Do UOL, em Brasília

Em discurso na sessão do Conselho de Ética, a deputada Tia Eron (PRB-BA) rebateu as críticas dos deputados sobre a ausência dela na última sessão da comissão e afirmou que os parlamentares "não mandam nessa 'nega' aqui".

"Respeito todos aqui presentes. Surpreende que os senhores [hoje] não me procuraram, nem sequer citaram meu nome, entenderam que de fato não mandam nessa 'nega' aqui. Nenhum dos senhores manda", afirmou.

Eron é considerada o voto decisivo para cassar ou absolver Eduardo Cunha (PMDB-RJ), pois, com a disputa equilibrada no conselho, a posição ainda não conhecida da deputada poderia levar ao desempate. Por isso, têm surgido especulações no mundo político de que ela sofreria pressões pelo voto dos dois lados da disputa no Conselho de Ética.

Nesta terça-feira (14), a deputada afirmou que vai votar "com sua consciência", mas não deu indicações de se será contrária ou favorável ao pedido de cassação de Cunha.

A comissão deve votar hoje o parecer do relator Marcos Rogério (DEM-RO) que pede a cassação do mandato.

Eu não compreendo como é que depois de sete meses, os senhores homens, que não compreendem o que é gestar, por isso chamam 'cadê Tia Eron?', para resolver o problema que os homens aqui não conseguiram resolver

Tia Eron, deputada do PRB-BA

"O meu nobre presidente [do PRB], Marcos Pereira, professor, ministro, presidente licenciado do Partido Republicano Brasileiro, me deu a liberdade e a paz para fazer esse julgamento", afirmou Eron.

Em alguns momentos, a deputada falou diretamente aos colegas que criticaram sua ausência na última sessão.

"E eu não fui abduzida, nobre deputado Marchezan", disse. Nelson Marchezan Junior (PSDB-RS) usou a expressão na última reunião para indagar o paradeiro de Eron. A deputada afirmou que estava na Câmara, acompanhando a reunião pela televisão. 

Tia Eron foi abduzida?, questiona deputado no Conselho de Ética

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"Eu estava nessa Casa, e a imprensa sabe que eu estava. Assistindo por aquilo que Platão chamava do mito da caverna, pela TV, para poder olhar nos olhos de cada um. Porque os olhos, senhor presidente José Carlos Araújo, eles refletem muito mais do que a boca não tem coragem de dizer", disse Eron.

A deputada chegou sem falar com os jornalistas que a aguardavam na sala da reunião da comissão e seguiram Eron por uma curta distância nos corredores da Câmara.

Entenda o caso de Cunha no Conselho de Ética

A cassação do deputado foi pedida no último dia 1º pelo relator Marcos Rogério (DEM-RO)

O peemedebista é réu no STF (Supremo Tribunal Federal) pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Ele foi denunciado pela Procuradoria-Geral da República por suspeita de ter recebido US$ 5 milhões de propina no petrolão. Cunha nega a acusação e diz que não há provas contra ele.

O processo no Conselho de Ética também acusa o deputado de ter mentido à CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Petrobras, em março de 2015, quando disse não possuir contas no exterior. Posteriormente, a Procuradoria-Geral da República confirmou a existência de contas na Suíça ligadas a Cunha e seus familiares. O deputado diz não possuir contas bancárias, mas trusts, um tipo de investimento para o qual não seria exigida à declaração à Receita Federal.

O processo chega à sua reta final como o mais longo que já tramitou no Conselho de Ética da Câmara. A representação contra Cunha foi entregue em outubro de 2015, mas seu andamento tem sofrido atrasos devido a expedientes de aliados, acusados, por deputados que querem a cassação do peemedebista, de promoverem "manobras" para beneficiar Cunha e adiar o desfecho do caso.

O deputado e seu advogado de defesa no Conselho, Marcelo Nobre, têm negado veementemente a realização de "manobras" e dizem se valer apenas do direito de defesa do deputado.

Consulta à CCJ

Uma consulta de aliados de Cunha à CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) também pode dificultar a cassação do deputado. A CCJ deve decidir se segue o parecer de Arthur Lira (PP-AL) segundo o qual o plenário da Câmara não poderia fazer emendas ao parecer aprovada pelo Conselho de Ética, pedindo, por exemplo, a aplicação de penas mais brandas.

Votarei com minha consciência, diz Tia Eron; veja íntegra do discurso

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