Operação Lava Jato

Manifestantes tentam se aproximar de local de depoimento de Lula em Curitiba

Do UOL, em Curitiba

  • Daniel Derevecki/Foto Arena/Estadão Conteúdo

    Policiamento reforçado em frente à Justiça Federal durante o depoimento do ex-presidente Lula para o juiz Sergio Moro, na Justiça Federal em Curitiba

    Policiamento reforçado em frente à Justiça Federal durante o depoimento do ex-presidente Lula para o juiz Sergio Moro, na Justiça Federal em Curitiba

Enquanto o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva depõe ao juiz Sergio Moro nesta quarta-feira (10), manifestantes ligados ao MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra) tentam se aproximar da barreira imposta pela Polícia Militar ao redor do prédio da Justiça Federal, em Curitiba. Lula chegou ao local por volta de 13h45. O depoimento começou às 14h20.

A região onde fica a sede da Justiça Federal, no bairro do Ahú, na capital paranaense foi bloqueada para evitar a presença de manifestantes, desde as 23h de terça-feira (9). Apenas moradores, comerciantes e profissionais de imprensa credenciados, além dos servidores do Judiciário, têm acesso ao local. Apesar do bloqueio, ônibus ligados ao MST estão estacionados próximos ao local.

Um forte esquema de segurança foi montado no local, e cerca de 2.000 policiais foram destacados para impedir a entrada de pessoas não autorizadas.

Enquanto isso, na praça Santos Andrade, no centro, próxima à UFPR (Universidade Federal do Paraná), local designado para os militantes a favor do ex-presidente Lula, havia, por volta das 14h, segundo a Polícia Militar do Paraná, cerca de 4.000 manifestantes.

Lula deixa carro e caminha rumo a Justiça Federal

Após o início do depoimento de Lula, os manifestantes na praça se alternam entre discursos e música, além de palavras de ordem como "fora, Temer" e "volta, Lula". Estão presentes parlamentares petistas, o ex-ministro Gilberto Carvalho e o líder do MTST, Guilherme Boulos. Uma leve chuva caía no local no início da tarde.

Janaina Garcia/UOL
Manifestantes pró-Lula e membros do MST (Movimento Sem Terra) se reúnem na praça Santos Andrade

A estimativa da Frente Brasil Popular, uma das organizadoras do ato, era maior: cerca de 30 mil manifestantes -- a maior parte, oriunda de um acampamento montado nos fundos da rodoviária. 

No palco, foi anunciado que a ex-presidente Dilma Rousseff será uma das convidadas. Parlamentares petistas eram parados por ativistas que pediam "selfies".

Integrante da comitiva que recebeu Lula no aeroporto Afonso Pena, mais cedo, a deputada federal Maria do Rosário (PT-RS) afirmou que o petista "está muito tranquilo" sobre o depoimento.

"Recebemos Lula no aeroporto. Ele está muito tranquilo, dizendo que está apenas cumprindo uma das responsabilidades como cidadão --não aceitaremos que ele seja tratado com desrespeito. Lula é vítima de uma perseguição", defendeu a deputada.

Para Maria do Rosário, a militância hoje de apoio ao petista representa "uma dívida" com Lula. "Dívida pelo acesso à casa própria e às universidades", justificou.

Apoiadores da Lava Jato ganham reforços de todo o país

Do lado oposto, agrupados em uma esquina do museu Oscar Niemeyer, no Centro Cívico, os apoiadores da Lava Jato lamentavam nesta manhã a pequena adesão -- eram cerca de 50 pessoas que pedem apoio de motoristas e pedestres e distribuindo adesivos a favor da Operação Lava Jato e contra o STF (Supremo Tribunal Federal). Houve um princípio de tumulto com a chegada do boneco inflável Pixuleco.

"O pedido do juiz Sergio Moro para que não houvesse manifestação influenciou bastante. Além disso, a mudança da data atrapalhou, pois muitas pessoas não conseguiram renegociar a vinda", afirma Narli Resende, relações públicas do Movimento Curitiba Contra à Corrupção.

A ativista Kelly Bolsonaro, 30 anos, veio de Brasília para acompanhar a manifestação. "Durante o impeachment, Brasília recebeu o apoio dos outros Estados. Me senti na obrigação de retribuir", afirmou. "Ainda está fraco o movimento, as pessoas poderiam ter se animado mais. Era o momento de mostrar o repúdio", reforçou.

Vendendo bandeiras do Brasil e máscaras de Lula zumbi e atrás das grades, o ambulante Fausto Leandro, 44 anos, reclama da baixa adesão da manifestação. "Até agora, não vendi nada. Esperava que viessem pelo menos mil pessoas, já que se falava em 5 mil participantes. Tem mais repórter do que pessoas", brincou.

Apesar de baixo número de participantes, o ato em apoio à Lava Jato em Curitiba conta com representantes de diversas regiões do país. Além do interior do Paraná e São Paulo, um grupo de 15 pessoas veio de Estados das regiões Nordeste e Norte. O clima foi tranquilo durante a manhã e segue calmo, com os manifestantes gritando palavras de ordem contra o STF e em apoio ao juiz Sergio Moro.

"Apesar da nossa fidelidade ao juiz Sergio Moro, nós viemos para Curitiba (mesmo com o pedido do juiz para que não viessem). Sabemos da preocupação dele em relação a confrontos, que seriam prejudiciais à Operação Lava Jato", afirma a nutricionista Fernanda Beraldo, de Natal, que não quis informar a idade.

Vinicius Boreki/UOL
Manifestantes pró-Lava Jato na esquina do Museu Oscar Niemeyer

"Nós queremos mostrar que estamos efetivamente apoiando a operação", revela. Os apoiadores não parecem incomodados com o fato de estarem em frente ao museu Oscar Niemeyer, arquiteto defensor dos ideais de esquerda. "O museu tem formato de olho. E nós estamos de olho nos políticos", diz Moisés Santos, também de Natal.

Para o jornalista Marcelo Porfírio, 51 anos, que chegou de São Paulo na noite de ontem, é mais difícil apoiar a Lava Jato do que o Partido dos Trabalhadores. "Fui até o acampamento deles e me ofereceram R$ 100 para ficar segurando uma bandeira e vestir vermelho. Mas estou aqui, de graça. Essa é a diferença entre os vermelhos e os verde-amarelos", explica.

Oriundo de Apucarana, no interior do Paraná, o escritor Thiago Zardo, 39 anos, aproveitou a manifestação para divulgar o seu livro "PTmorfose", em uma alusão ao livro Metamorfose, de Kafka. "É uma crítica à corrupção. E o Lula é um prato cheio. Mas vim aqui para apoiar à Operação mesmo", reforça.

Rotina normal em Curitiba

Em regiões tradicionais de Curitiba, como a Boca Maldita e a Praça Tiradentes, a rotina segue a mesma apesar do depoimento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que atrai manifestantes a favor e contra o petista.

Na manhã desta quarta, o movimento pela região central da cidade era tranquilo --e as pessoas ouvidas pela reportagem do UOL afirmavam que iriam acompanhar a audiência na Justiça Federal. Entre as manifestações, é mais usual encontrar mensagens de "Fora Temer" que alusões à Lava Jato.

Apesar do clima relativamente calmo nas ruas, nas redes sociais, o duelo entre apoiadores de Lula e fãs do juiz Sergio Moro bombou durante todo o dia.

O ex-presidente será interrogado pelo processo em que foi acusado pelo MPF (Ministério Público Federal) do Paraná de receber como parte do pagamento de propinas pela OAS –em troca de três contratos da empreiteira com a Petrobras –um tríplex no edifício Solaris, no Guarujá, no ano de 2009. Lula nega a posse e mesmo qualquer pedido sobre o imóvel. O processo está na fase de instrução.

(*Com informações de Vinicius Boreki e Janaina Garcia)

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