Após almoçar com ministros tucanos, Temer debate crise política com Sarney

Flávio Costa e Gustavo Maia

Do UOL, em Brasília

  • NILTON FUKUDA/ESTADÃO CONTEÚDO

    Os ministros Antonio Imbassahy e Bruno Araújo (PSDB) deixam o Palácio do Jaburu, após almoçarem com Temer (D)

    Os ministros Antonio Imbassahy e Bruno Araújo (PSDB) deixam o Palácio do Jaburu, após almoçarem com Temer (D)

Após almoçar com três ministros tucanos, o presidente Michel Temer recebeu, na tarde deste sábado (27), a visita do ex-presidente José Sarney (PMDB-AP) para debater a crise pela qual atravessa seu governo.

Acompanhando apenas por seu motorista, Sarney entrou no Palácio do Jaburu, residência oficial de Temer, por volta das 16h30. A assessoria de imprensa do Palácio do Planalto não informou a pauta do encontro dos peemedebistas.

O ministro da secretaria-geral da Presidência, Moreira Franco (PMDB-RJ), chegou para o encontro por volta das 18h e participou dos últimos 30 minutos da reunião.

Sarney saiu do Jaburu por volta das 19h. Após a saída do ex-presidente, Temer continuou reunido com Moreira Franco, que é um de seus auxiliares mais próximos.

Saída negociada?

Sarney vem defendendo nos bastidores que Temer opte por uma "saída negociada", conforme publicou a coluna "Painel", da "Folha". A informação foi confirmada pelo UOL junto a interlocutores do ex-presidente.

Um dos focos da conversa entre Temer e Sarney, segundo apurou a reportagem, é a permanência do senador Renan Calheiros (PMDB-AL) como líder do partido no Senado. A bancada do PMDB marcou para as 15h de terça-feira (30) uma reunião para discutir a situação de Renan, que têm feito duras críticas a Temer e defende a renúncia do presidente.

Tirar Renan da liderança seria um tiro no pé do governo, na opinião de Sarney, segundo fontes ouvidas pela reportagem. O Palácio do Planalto, por sua vez, sabe dos riscos de uma "ruptura traumática" com Renan, apurou o UOL.

Almoço com tucanos mais cedo

Mais cedo, Temer almoçou com ministros tucanos --Aloysio Nunes (Relações Exteriores), Antonio Imbassahy (Secretaria de Governo), Bruno Araújo (Cidades), além do ministro do Gabinete de Segurança Institucional, Sergio Etchegoyen. O militar e o chanceler estavam acompanhando de suas respectivas mulheres, que foram recepcionadas pela primeira-dama, Marcela Temer.

O PSDB, que condicionou seu apoio a Temer ao resultado do julgamento da chapa Dilma-Temer, é o mais importante aliado do governo no Congresso Nacional, mas ensaia desembarcar da base aliada, sob pressão de parte dos deputados do partido. 

Enquanto os tucanos almoçavam com o presidente, outro cacique do partido, o governador Geraldo Alckmin (PSDB-SP), em São Paulo, voltou a defender que o compromisso do PSDB não é com o governo, mas com o País.

"Nosso compromisso é com o Brasil, com as reformas, que são necessárias para retomar a atividade econômica. E não mudou a nossa posição em relação ao governo Temer, pelo contrário, diante da instabilidade estamos e ficaremos ajudando e aguardando os desdobramentos", disse o governador. "Muitas coisas não dependem de nós".

Crise leva à reclusão

Em busca da própria sobrevivência após a crise política desencadeada pela delação dos executivos da JBS, em 17 de maio, nos últimos dias Temer se fechou com aliados próximos no gabinete do Palácio do Planalto, onde trabalha, e no Palácio do Jaburu, onde mora.

Desde então, não participou mais de eventos fora do Planalto nem promoveu cerimônias públicas na sede da Presidência. As únicas aparições públicas de Temer depois da data foram os dois pronunciamentos que deu para se defender das acusações feitas pelos empresários Joesley e Wesley Batista, da JBS, e por executivos do grupo ao MPF (Ministério Público Federal).

Em 25 de maio, um dia após manifestações em Brasília que acabaram com ministérios incendiados e depredados, Temer divulgou vídeo nas redes sociais dizendo que houve "exageros", mas o "Brasil não parou e não vai parar".

Na noite desta segunda-feira (29), está prevista a participação do presidente no jantar do "Fórum de Investimentos Brasil 2017", em São Paulo.

(Com Estadão Conteúdo)

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