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Marco Aurélio Mello será relator de processo contra Aécio no STF

Marco Aurélio (foto) disse que os recursos dos inquéritos de Aécio vão a plenário - Fellipe Sampaio - 5.abr.2017/SCO/STF
Marco Aurélio (foto) disse que os recursos dos inquéritos de Aécio vão a plenário Imagem: Fellipe Sampaio - 5.abr.2017/SCO/STF

Bernardo Barbosa e Felipe Amorim

Do UOL, em Brasília

31/05/2017 13h52Atualizada em 31/05/2017 16h58

O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Marco Aurélio Mello será o relator do inquérito contra o senador Aécio Neves (PSDB-MG) aberto a partir da deleção premiada da JBS. A escolha do ministro foi definida nesta quarta-feira (31), após sorteio eletrônico realizado pelo sistema do STF.

Ontem, o antigo relator da investigação, ministro Edson Fachin, determinou a separação dos inquéritos contra Aécio e contra o presidente Michel Temer (PMDB). O senador está afastado do exercício do mandato por decisão de Fachin.

Como novo relator do caso, caberá a Marco Aurélio decidir sobre o recurso da PGR (Procuradoria Geral da República) que pediu a prisão preventiva de Aécio, assim como o pedido da defesa do senador para que ele possa retomar a atividade parlamentar.

Segundo Marco Aurélio, os recursos envolvidos nos inquéritos de Aécio devem ser levados ao plenário, mas o ministro não deu prazo de quando isso deve ocorrer.

O ministro afirmou que atuará de forma imparcial no processo, e foi irônico sobre ter sido sorteado relator. "Parece que o computador que opera a distribuição [dos processos] não gosta muito de mim", disse, em tom de brincadeira. "Mas para mim processo não tem capa, tem conteúdo e vou atuar segundo os autos do inquérito."

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Este é o 8º inquérito aberto contra o senador mineiro no STF. Aécio já respondia a dois inquéritos originados de investigações da Operação Lava Jato e teve mais cinco investigações contra ele autorizadas por Fachin a partir da delação dos executivos da Odebrecht.

O empresário Joesley Batista, um dos donos da JBS, gravou uma conversa com Aécio na qual o senador pede R$ 2 milhões ao empresário. Os advogados do senador afirmam que o pedido foi um empréstimo pessoal e que não houve ilegalidade.

Mas a delação da JBS também levantou outras suspeitas contra o senador, afastado do exercício do mandato por decisão de Fachin.

No pedido de inquérito, a PGR afirma ver indícios de que o senador agiu para tentar barrar investigações.

A PGR afirma que Temer e Aécio agiram em conjunto para tentar obstruir as investigações e relata pagamentos feitos por Joesley a pessoas próximas do presidente e do senador.

"Além disso, verifica-se que Aécio Neves, em articulação, dentro outros, com o presidente Michel Temer, tem buscado impedir que as investigações da Lava Jato avancem, seja por meio de medidas legislativas, seja por meio do controle de indicação de delegados da polícia que conduzirão os inquéritos", diz trecho do pedido de inquérito.

Em conversa com Joesley, gravada pelo próprio empresário, Aécio afirma ter pressionado Temer para que fossem feitas mudanças na Polícia Federal, como a troca do diretor-geral do órgão, Leandro Daiello.

Ambos usam a frase "tem que tirar esse cara", em referência a Daiello, mas sem citar diretamente o diretor da PF.

Operação da Polícia Federal derivada da delação da JBS levou à prisão um primo e a irmã de Aécio. O primo do senador, Frederico Pacheco de Medeiros foi responsável por buscar três dos quatro repasses de R$ 500 mil da JBS acertados com o senador, segundo apontam as investigações.

A irmã do senador, Andrea Neves, também foi presa sob a suspeita de ter negociado valores com a JBS em nome de Aécio.

Em nota, a assessoria de imprensa de Aécio Neves afirmou que o senador está "absolutamente tranquilo quanto à correção de todos os seus atos". O texto diz ainda que a relação do presidente do PSDB com Joesley Batista sempre foi "estritamente pessoal, sem qualquer envolvimento com o setor público".

O presidente Temer negou ter praticado atos ilegais e contestou a validade da gravação de sua conversa com Joesley, que chamou de “fraudulenta”.

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