Prisão de Lula deve impulsionar "lulismo" no Norte e Nordeste, diz professor

Carlos Madeiro

Colaboração para o UOL, em Maceió

  • Francisco Proer/Reuters

    Ex-presidente Lula é saudado por militantes no ABC, antes de ser preso

    Ex-presidente Lula é saudado por militantes no ABC, antes de ser preso

Região que historicamente dá mais votos ao PT nas eleições presidenciais, o Nordeste deve seguir com grande influência do "lulismo", mesmo com a prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva neste sábado (7).

Para o doutor em ciências politicas e professor da UFPE (Universidade Federal de Pernambuco) Adriano Oliveira, o lulismo não só seguirá forte, como a prisão do petista dá um argumento extra para a campanha presidencial de um indicado por ele às eleições de outubro.

"Acredito que Lula solto poderia levar um candidato apoiado ao segundo turno. Ele preso, tenho a hipótese de que o lulismo é reforçado. Ou seja, nesse ponto de vista, é melhor ele preso", afirma.

A explicação estaria no sentimento popular de perseguição política na condenação, já que outros políticos também denunciados por corrupção estão livres e devem se candidatar --embora haja políticos presos de outros partidos como os ex-presidentes da Câmara Eduardo Cunha e Henrique Eduardo Alves e o ex-governador do Rio Sérgio Cabral, todos do MDB.

"A minha hipótese --ainda sem uma pesquisa que mostre isso-- é que ele vai ser vitimizado porque o questionamento que vemos das pessoas é: por que só Lula foi preso? Esse argumento está presente em vários grupos qualitativos que pesquisamos do Norte e Nordeste", diz o professor. "Ou seja, acredito que haverá aqui uma 'fujimorização' do processo. Quando Alberto Fujimori [presidente do Peru entre 1990 e 2000] foi preso [em 2007] e orientou o eleitor a partir da cadeia. Não estou comparando as pessoas, pois Fujimori era um ditador. Mas Lula também irá orientar seu eleitor da prisão", avalia.

Separação de Lula do lulismo

Para Oliveira, é preciso entender o processo e separar a pessoa Lula do lulismo, "que é um fenômeno pela manifestação do eleitor de apreço ao ex-presidente e à agenda social implantada por ele".

"Nesse sentido, a retirada do Lula do processo e a ida à prisão não terá efeito nenhum para o ex-presidente. Os votos ficarão presentes em virtude desse lulismo", comenta.

Theo Marques/UOL
Preso, Lula chega à sede da PF em Curitiba, rodeado de agentes

O pesquisador afirma que a liberdade e participação de outros políticos envolvidos em escândalos até maiores de corrupção, mas não condenados, não é algo bem compreendido por grande parte da população.

"O eleitor não analisa pela dinâmica da Justiça, de que político com foro é julgado pelo STF [Supremo Tribunal Federal]. Ele entende que a Justiça é uma só", diz.

Mesmo preso, o acadêmico aposta em um bom resultado de um eventual candidato petista à Presidência no Nordeste. "O candidato do PT deve ganhar a eleição aqui. Temos um lulismo muito forte especialmente no interior, mas também em algumas capitais com Salvador. E ele estará presente, a prisão só o vitimiza", afirma.

Como exemplo, na última eleição presidencial, Dilma Rousseff venceu Aécio Neves no Nordeste, no segundo turno, com 70% dos votos válidos --a maior vantagem entre todas as regiões do país.

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