"Não me convenceram", diz vereador que assinou pedido para sessão, mas votou a favor de Crivella

Hanrrikson de Andrade

Do UOL, no Rio

O vereador Professor Adalmir (PSDB) foi o único dos 17 que assinaram o requerimento de sessão extraordinária desta quinta-feira (12) a votar contra a admissibilidade do processo de impeachment do prefeito Marcelo Crivella (PRB). O parlamentar disse ao UOL que não ficou convencido com os argumentos apresentados pela oposição.

Por 29 votos a 16, a base governista conseguiu enterrar a possibilidade de cassação do mandato de Crivella. O Parlamento decidiu que não houve irregularidade durante a reunião do prefeito com um grupo de evangélicos no Palácio da Cidade, na semana passada, quando Crivella teria oferecido facilidades a pastores e líderes de igrejas.

"Entendi, no momento, que era totalmente plausível que tivéssemos esse dia de hoje, onde todos os vereadores poderiam ter a oportunidade de expor todos os seus argumentos. Escutei a todos com maior carinho e maior atenção. Infelizmente, todos os argumentos apresentados não foram convincentes", afirmou Adalmir.

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Na versão do tucano, Crivella não cometeu qualquer infração durante a reunião no Palácio da Cidade, pois teria apenas "informado" que "existe uma fila" de cirurgias na rede pública e que os evangélicos presentes "poderiam participar".

Adalmir é do mesmo partido de Teresa Bergher, que já foi secretária na gestão Crivella e pediu demissão após desavenças políticos com o prefeito. Ela encabeça o bloco opositor ao lado da bancada do PSOL e parlamentares de outros partidos de linhas ideológicas completamente distintas, como PT e Novo.

A votação da admissibilidade do impeachment de Crivella expôs o racha no Parlamento. O MDB, por exemplo, sigla do líder do governo na Casa, Dr. Jairinho, teve um voto contrário aos interesses do prefeito --o da ex-aliada Rosa Fernandes, mãe do pré-candidato ao governo do estado Pedro Fernandes (PDT), ex-secretário na gestão municipal.

No Democratas, do ex-prefeito Cesar Maia, também não houve consenso quanto à votação. Enquanto Maia concordou com a admissibilidade, os demais se manifestaram de forma contrária.

O assunto foi debatido em uma conturbada sessão extraordinária, que dividiu as galeras do Palácio Pedro Ernesto e foi marcada por confusões dentro e fora do Parlamento.

Durante os discursos, houve um desentendimento entre os vereadores David Miranda (PSOL), homossexual assumido e defensor da causa LGBT, e o parlamentar evangélico Otoni de Paula (PSC). O psolista disse que o colega teria feito gesto homofóbico em direção a ele. De Paula negou que seu gesto tenha sido preconceituoso.

Também houve menções ao nome da vereadora Marielle Franco (PSOL) no decorrer dos trabalhos. Na tribuna, o bispo Inaldo Silva, colega de partido de Crivella, disse "sentir saudade da Marielle" e argumentou que, em sua visão, ela demonstrava bom senso e capacidade de diálogo, ainda que na oposição.

Seria, de acordo com o parlamentar, uma postura diferente em relação aos correligionários do PSOL que hoje saíram derrotados na votação do impeachment do prefeito. "A Marielle conseguia entender, conseguia separar. Estou com saudade dela."

Em seguida, Miranda, que era amigo de Marielle, lembrou que já se passaram 120 dias do assassinato da vereadora e que, até hoje, a Polícia Civil fluminense não identificou o mandante e os autores do crime.

Reunião com evangélicos

O caso da reunião fechada no Palácio da Cidade foi revelado pelo jornal "O Globo" na quinta-feira passada (5). Um dia antes, Crivella disse ao grupo de evangélicos presente na reunião, intitulada "Café da Comunhão", que procurassem uma funcionária do gabinete do prefeito a fim de agilizar o agendamento de cirurgias de catarata e varizes na rede pública. Na ocasião, o gestor do município também ofereceu ajuda para resolver problemas relacionados à cobrança do IPTU nos templos.

Crivella, que é bispo licenciado da Igreja Universal, nega ter cometido qualquer irregularidade e diz ser vítima de perseguição religiosa.

Dois pedidos de impeachment chegaram à Mesa Diretora, sendo um por iniciativa da bancada do PSOL, que encabeça a oposição, e outro pelas mãos do vereador Átila Alexandre Nunes (MDB) --um terceiro foi enviado por servidores ao TJ-RJ (Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro).

Os requerentes alegavam que houve descumprimento do decreto-lei federal de 1967, que "dispõe sobre as responsabilidades de prefeitos e vereadores". Para o bloco de oposição, Crivella "procedeu de modo incompatível com a dignidade e o decoro do cargo" ao oferecer privilégios a determinado grupo de pessoas, o que ensejaria o crime de responsabilidade e daria lastro à cassação do mandato.

Os pedidos de impeachment também argumentam que Crivella teria cometido crimes de improbidade administrativa e propaganda eleitoral antecipada. Na ocasião do encontro com os evangélicos, o prefeito discursou por mais de uma hora ao lado do colega de partido Rubens Teixeira, pré-candidato a deputado federal pelo PRB. A Procuradoria Regional Eleitoral do RJ apura se houve, de fato, a irregularidade.

Entenda o que motivou os pedidos de impeachment de Crivella

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