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Eike fala da vida após prisão, elogia Lula e diz que errou na educação dos filhos

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Eike concede entrevista ao jornalista Roberto Cabrini no "Conexão Repórter", do SBT Imagem: Divulgação

Do UOL, no Rio

10/08/2018 09h54Atualizada em 10/08/2018 16h57

Eike Batista, ex-bilionário e um dos alvos da Operação Lava Jato, afirmou, em entrevista exclusiva ao "SBT", ter errado na educação dos filhos mais velhos, Thor e Olin Batista. O empresário, que foi considerado o sétimo homem mais rico do mundo pela revista "Forbes" em 2012, também elogiou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e contou detalhes do período em que esteve na prisão. O Conexão Repórter vai ao ar na próxima segunda-feira (13), às 23h30.

"Eu tinha uma hora de sol durante o dia. Às vezes, à tarde durante a semana. O resto eram 23 horas preso num ambiente de 12 metros quadrados", relatou ele a Roberto Cabrini no programa "Conexão Repórter", que será exibido na próxima segunda-feira (13). O empresário recebeu o jornalista em sua mansão, no Rio de Janeiro.

Eike foi preso em janeiro de 2017 na "Operação Eficiência", um dos desdobramentos da Lava Jato no Rio de Janeiro. Ele é acusado de pagar propina ao ex-governador fluminense Sérgio Cabral (MDB) em troca de vantagens em investimentos no estado.

O processo resultou na condenação de ambos em primeira instância, e o empresário recebeu do juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal, 30 anos de prisão. A sentença ainda será avaliada pelo TRF-2 (Tribunal Regional Federal da 2ª Região).

Antes de obter decisão favorável do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Gilmar Mendes, que concedeu ao réu prisão domiciliar em abril do ano passado, o dono do grupo EBX --holding que leva as iniciais de seu nome e a sua letra da sorte-- ficou preso em Bangu, no Complexo Penitenciário de Gericinó, na zona oeste carioca.

"Graças a Deus, tive disciplina. Sempre, obviamente, angustiado e pensando que estou preso. Tirar a liberdade de um ser humano é complicado", comentou.

Divulgação/SBT
Imagem: Divulgação/SBT
Ao "Conexão Repórter", Eike negou o crime de corrupção e disse que nunca repassou dinheiro ilícito a Cabral. "Não paguei essa propina ao ex-governador."

O entrevistado disse ainda que, diferentemente do que narram os procuradores da força-tarefa da Lava Jato na denúncia, não tinha "tanta relação" com o ex-governador. No entanto, confirmou que um dos três aviões que ele tinha à época estava "sempre disponível" para o ex-chefe do Executivo fluminense.

Olha, eu tinha três aviões na época, não tenho mais, e ele [Cabral] sempre sabia que meu avião estava disponível.
Eike Batista

Ao responder sobre vida pessoal, Eike disse reconhecer erros na criação dos filhos, Thor e Olin Batista, ambos de seu casamento com a ex-modelo Luma de Oliveira. "Eu devia ter sido... devia ter dado mais não", disse.

Os dois filhos mais velhos do empresário já foram criticados pela ostentação nas rede sociais e, no período em que o pai foi considerado um dos homens mais ricos do mundo, apareciam constantemente em colunas sociais e eventos com famosos.

Thor, hoje com 26 anos, também esteve nos cadernos policiais dos jornais em 2012, quando ele atropelou um homem que atravessava de bicicleta em um trecho da rodovia Washington Luís (BR-040), na altura de Xerém, na Baixada Fluminense. A vítima morreu no local. Em 2015, o jovem foi absolvido no processo por homicídio culposo.

Na ocasião, segundo laudo pericial, Thor conduzia em alta velocidade uma Mercedes-Benz modelo SLR McLaren, ano 2006, de cor prata.

"Na verdade, sabe qual é o problema de nós todos brasileiros? Quando você educa com dinheiro, quando você tem um patrimônio tão grande, vou dizer pro meu filho que vou comprar um Fusca para ele? 'Pô pai, você tem um bilhão e você quer me dar um Passat?'. É um negócio complicado. Eu vejo, inclusive entre amigos, como dar essa educação. Uns conseguem, né?".

Elogios a Lula

Eike afirmou que o ex-presidente Lula, que esteve à frente do Executivo nacional entre 2003 e 2010, fez "um governo excepcional". O petista está preso em Curitiba após ser condenado no âmbito da Lava Jato.

"Eu diria para você, 80% dos brasileiros teriam orgulho de estar perto dele. Em 2012, eu levei ele em Açu [porto no interior do Rio, um dos investimentos de Eike no estado]. E essa foto virou uma coisa de que o Eike é o filhote do PT."

O empresário disse, no entanto, que não se considera um "filhote do PT". “Jamais fui e jamais serei. Não sou filhote de partido nenhum. Eu sou filhote do Brasil.”

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Roberto Cabrini entrevista Eike Batista na casa do empresário, no Rio Imagem: Divulgação/SBT