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Futuro ministro de Minas e Energia coordena Programa Nuclear da Marinha

Luis Kawaguti

Do UOL, no Rio

30/11/2018 14h13

O almirante-de-esquadra Bento Costa Lima Leite de Albuquerque Júnior, indicado pelo presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), para assumir o Ministério de Minas e Energia, coordena atualmente o setor da Marinha responsável pela construção de um submarino de propulsão nuclear e pela produção de centrífugas de combustível nuclear para usinas.

Albuquerque Júnior ocupa hoje o cargo de Diretor-Geral de Desenvolvimento Nuclear e Tecnológico da Marinha, que engloba as áreas de ciência, tecnologia e pesquisa, o Programa Nuclear da Marinha e o Prosub, o programa de construção de submarinos --ou seja, alguns dos projetos de maior importância estratégica das Forças Armadas.

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O comandante da Marinha, almirante Eduardo Bacellar Leal Ferreira, disse acreditar que a escolha do almirante Albuquerque Júnior por Bolsonaro está relacionada a avanços no programa de construção do submarino nuclear brasileiro.

Leal Ferreira disse que o programa Prosub, de construção de quatro submarinos convencionais e um nuclear, está avançando bem. “E cabia exatamente ao almirante a responsabilidade de conduzir esse processo e ele fez isso com bastante proficiência e com bastante proatividade”, disse.

“Os avanços foram muito impressionantes e talvez isso de alguma maneira tenha influenciado a decisão do presidente de convidá-lo para ser ministro de Minas e Energia”, disse Leal Ferreira, que destacou também o que chamou de “enorme capacidade de gerenciamento e de executar grandes processos” de Albuquerque Júnior.

Ainda não está claro, porém, como essa experiência do futuro ministro influenciará a política de energia do governo Bolsonaro. Segundo disse ao UOL o general Oswaldo Ferreira --que ajudou a coordenar o grupo de trabalho que estudava as políticas públicas de um possível governo Bolsonaro já antes das eleições--, as discussões vinham sendo focadas até agora mais no setor de eletricidade, petróleo e gás.

Ele afirmou que a indicação do almirante foi extremamente técnica e uma escolha certa para o setor. Uma fonte do alto escalão da Marinha disse ao UOL que a experiência de Albuquerque Júnior como assessor-chefe parlamentar do Gabinete do Comandante da Marinha deu a ele o “traquejo” necessário para lidar com o aspecto político do cargo de ministro.

O comandante da Marinha disse que o Programa Nuclear do Brasil para geração de energia elétrica e o Programa Nuclear da Marinha para construir o submarino estão interligados, mas são independentes. Ele disse não ver uma correlação direta entre a indicação do almirante e o fortalecimento do programa nuclear para geração de energia, mas afirmou que Albuquerque Júnior usará no ministério sua capacidade de gerenciar e executar grandes projetos e "de fazer as coisas acontecerem".

Leal Ferreira deu as declarações durante cerimônia no Comando de Operações Navais, no centro do Rio, nesta sexta-feira (30), quando o Gabinete de Intervenção Federal repassou R$ 20 milhões de sua verba de R$ 1,2 bilhão, voltada a investimentos na segurança do Rio, para a Marinha concluir seu projeto de monitoramento das águas da Baía de Guanabara contra o tráfico de drogas e armas.

Valdenio Vieira/PR
Imagem: Valdenio Vieira/PR

Submarino

Como Diretor-Geral de Desenvolvimento Nuclear e Tecnológico da Marinha, Albuquerque Júnior disse em entrevista no ano passado à revista "Brasil Nuclear" que o domínio da tecnologia nuclear é estratégica para o Brasil.

Ele disse que um submarino de propulsão nuclear (que usa armamentos não nucleares) ajuda a defender o Brasil devido à “alta capacidade de dissuasão”.

O desenvolvimento da tecnologia do submarino nuclear é o principal projeto estratégico da Marinha. Ele não terá armas nucleares, somente armamento convencional, mas será movido a energia nuclear.

Na prática, isso significa que ele pode ficar até meses operando submerso e praticamente indetectável, precisando ir à superfície apenas para renovar os estoques de comida. Segundo a Marinha, o projeto é importante para a defesa nacional por ter grande efeito de dissuasão contra eventuais ataques marítimos.

A presença de apenas uma dessas embarcações no litoral brasileiro pode elevar exponencialmente os custos de uma operação militar naval contra o Brasil, pois a nação oponente teria que usar uma frota com muito mais navios para se defender contra o submarino.

O primeiro submarino convencional do Prosub, o Riachuelo, será lançado no próximo dia 14 de dezembro. Ainda não há data para a conclusão do submarino nuclear, mas o comandante da Marinha disse que um protótipo do reator nuclear, que será o coração do submarino, está sendo construído em terra e, a partir dele, o reator definitivo do submarino será desenvolvido.

O programa de construção do submarino nuclear existe desde a década de 1970, mas sua construção é complexa, pois praticamente toda a tecnologia tem que ser desenvolvida no Brasil --ela não é vendida ou compartilhada pelas nações que já a possuem.

Para construir o submarino, a Marinha teve que dominar o ciclo de enriquecimento de urânio para a produção de combustível nuclear. O mesmo combustível é usado para alimentar as usinas nucleares de Angra para geração de energia elétrica.