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Submarino nuclear influenciou escolha para ministério, diz chefe da Marinha

O almirante Bento Albuquerque

Luis Kawaguti

Do UOL, no Rio

30/11/2018 17h00Atualizada em 30/11/2018 17h40

O comandante da Marinha, almirante Eduardo Bacellar Leal Ferreira, disse acreditar que a escolha de um almirante para o cargo de ministro de Minas e Energia do governo Bolsonaro está relacionada a avanços no programa de construção do submarino nuclear brasileiro.

O almirante-de-esquadra Bento Costa Lima Leite de Albuquerque Júnior foi indicado para a pasta na manhã desta sexta-feira (30) pelo presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL). Ele é atualmente o Diretor Geral de Desenvolvimento Tecnológico e Nuclear da Marinha --principal responsável pela construção do submarino nuclear.

Leal Ferreira disse que o programa Prosub, de construção de quatro submarinos convencionais e um nuclear, está avançando bem. “E cabia exatamente ao almirante a responsabilidade de conduzir esse processo e ele fez isso com bastante proficiência e com bastante proatividade”, disse.

“Os avanços foram muito impressionantes e talvez isso de alguma maneira tenha influenciado a decisão do presidente de convidá-lo para ser ministro de Minas e Energia”, disse Leal Ferreira, que destacou também o que chamou de “enorme capacidade de gerenciamento e de executar grandes processos” de Albuquerque Júnior.

Leal Ferreira deu as declarações durante cerimônia no Comando de Operações Navais, no centro do Rio, nesta sexta-feira (30), quando o Gabinete de Intervenção Federal repassou R$ 20 milhões de sua verba de R$ 1,2 bilhão, voltada a investimentos na segurança do Rio, para a Marinha concluir seu projeto de monitoramento das águas da Baía de Guanabara contra o tráfico de drogas e armas.

Enriquecimento de urânio

O desenvolvimento da tecnologia do submarino nuclear é o principal projeto estratégico da Marinha. Ele não terá armas nucleares, somente armamento convencional, mas será movido a energia nuclear.

Na prática, isso significa que ele pode ficar até meses operando submerso e praticamente indetectável, precisando ir à superfície apenas para renovar os estoques de comida. Segundo a Marinha, o projeto é importante para a defesa nacional por ter grande efeito de dissuasão contra eventuais ataques marítimos.

A presença de apenas uma dessas embarcações no litoral brasileiro pode elevar exponencialmente os custos de uma operação militar naval contra o Brasil, pois a nação oponente teria que usar uma frota com muito mais navios para se defender contra o submarino.

O primeiro submarino convencional do Prosub, o Riachuelo, será lançado no próximo dia 14 de dezembro. Ainda não há data para a conclusão do submarino nuclear, mas o comandante da Marinha disse que um protótipo do reator nuclear, que será o coração do submarino, está sendo construído em terra e, a partir dele, o reator definitivo do submarino será desenvolvido.

O programa de construção do submarino nuclear existe desde a década de 1970, mas sua construção é complexa, pois praticamente toda a tecnologia tem que ser desenvolvida no Brasil --ela não é vendida ou compartilhada pelas nações que já a possuem.

Para construir o submarino, a Marinha teve que dominar o ciclo de enriquecimento de urânio para a produção de combustível nuclear. O mesmo combustível é usado para alimentar as usinas nucleares de Angra para geração de energia elétrica.

Questionado se a indicação de Albuquerque Júnior para as Minas de Energia pode dar mais força ao programa nuclear brasileiro, Leal Ferreira disse que o programa da Marinha e o de geração de energia elétrica em usinas nucleares são interligados, mas independentes.