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Ex-assessor falta pela 2ª vez a depoimento; MP quer ouvir Flávio Bolsonaro

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Flávio Bolsonaro e seu ex-assessor, o motorista e PM Fabrício Queiroz Imagem: Reprodução

Gabriel Sabóia

Do UOL, no Rio

2018-12-21T15:57:19

2018-12-21T20:38:26

21/12/2018 15h57Atualizada em 21/12/2018 20h38

O MP-RJ (Ministério Público do Rio de Janeiro) informou nesta sexta-feira (21) que, segundo o advogado de Fabrício Queiroz, o ex-assessor do senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL) não compareceu a depoimento porque "precisou ser internado na data de hoje, para realização de um procedimento invasivo com anestesia". Esta foi a segunda vez que o ex-assessor faltou a um depoimento agendado na sede do MP, no centro da capital fluminense.

Na última quarta-feira (19), Queiroz alegou uma "crise de saúde" e não prestou depoimentos em relação às movimentações atípicas em uma conta no seu nome, reveladas pelo Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras). O MP-RJ instaurou 22 inquéritos criminais para esclarecer suposta participação de parlamentares e servidores da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro) em movimentações bancárias não compatíveis com seus salários.

Segundo o advogado de Queiroz, o procedimento hospitalar "será devidamente comprovado, posteriormente, através dos respectivos laudos médicos". Segundo o MP-RJ, a defesa prometeu apresentar os laudos médicos até o dia 28.

A Promotoria também informou que quer ouvir Flávio Bolsonaro no dia 10 de janeiro para que preste esclarecimentos acerca dos fatos. Segundo o MP-RJ, será enviado um ofício ao presidente da Alerj, André Ceciliano (PT), sugerindo o comparecimento do deputado estadual Flávio Bolsonaro --como não há uma intimação para o depoimento, o senador eleito não é obrigado a comparecer.

Por meio de nota, Flávio afirmou hoje que "não é investigado, e não fez nada de errado". A assessoria de imprensa do parlamentar também declarou que ele "estará à disposição das autoridades competentes, por ser o principal interessado na elucidação dos fatos". Na terça-feira passada (18), quando foi diplomado senador pelo Rio, Flávio se esquivou: "Quem tem que dar explicação é o ex-assessor, não sou eu".

Já os familiares de Queiroz devem ser ouvidos até o dia 8 de janeiro. A mulher de Queiroz e uma das filhas dele também foram citadas no relatório do Coaf por terem depositado recursos na conta do ex-assessor. Nathalia Melo de Queiroz, filha do ex-servidor, repassou a ele R$ 97.641,20, segundo o órgão fiscalizador. Reportagem do UOL revelou que Nathalia acumulou em 2011 emprego de recepcionista em uma rede de academias no Rio, cargo de assessora de Flávio e a faculdade de Educação Física.

O MP-RJ também quer ouvir assessores da Alerj (a data ainda não foi definida) --ao menos nove funcionários e ex-funcionários do gabinete de Flávio fizeram depósitos na conta de Queiroz. A Promotoria informou ainda que parlamentares citados no relatório do Coaf procuraram a instituição para manifestar interesse em apresentar seus esclarecimentos.

O motorista de Flávio que movimentou R$ 1,2 milhão

O policial militar José Carlos de Queiroz era motorista de Flávio Bolsonaro na Alerj. O nome dele consta em relatório do Coaf que aponta movimentação atípica de R$ 1,2 milhão em uma conta no seu nome em um período de 13 meses.

O documento do Coaf, anexado à investigação da Operação Furna da Onça que levou dez deputados estaduais à prisão no Rio, revelou que a maior parte dos depósitos feitos em espécie na conta do ex-assessor coincidia com as datas de pagamento na Alerj. Nove assessores e ex-assessores do filho mais velho do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) repassaram dinheiro para o motorista.

O relatório também identificou um depósito de Queiroz no valor de R$ 24 mil na conta bancária da futura primeira-dama, Michelle Bolsonaro.

O presidente eleito justificou que o depósito do ex-assessor do filho na conta de Michelle se tratou do pagamento de parte de uma dívida de R$ 40 mil com o próprio Bolsonaro. De acordo com ele, Queiroz utilizou a conta da futura primeira-dama para receber o dinheiro "por questão de mobilidade". Bolsonaro também alegou que tem pouco tempo para ir ao banco em razão da rotina de trabalho.

A comunicação do Coaf não significa que haja alguma irregularidade na transação, mas mostra que os valores movimentados, ou o tipo de transação envolvida, não seguiram o padrão esperado para aquele tipo de cliente.

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