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Destino de Bolsonaro, Petrolina "planta" tecnologia e colhe manga e uva

Luciana Amaral

Do UOL, em Petrolina (PE)

26/05/2019 04h00

A bordo do avião, praticamente tudo o que se vê é a seca no semiárido pernambucano. Ao se aproximar do "Velho Chico" na fronteira com a Bahia, porém, uma imagem verde viva floresce em meio à caatinga.

É o polo agroindustrial de Petrolina (PE)/Juazeiro (BA) do vale do São Francisco, que se estabeleceu como referência na produção e exportação de uva e manga por meio da tecnologia aplicada à fruticultura irrigada.

No ano passado, somente as fazendas do vale foram responsáveis por 99,04% das 39,8 mil toneladas de uvas de mesa - de consumo in natura, não utilizadas para fabricação de vinho - e por 86,83% das 170,4 mil toneladas de mangas produzidas no Brasil, segundo a Valexport, associação de produtores da região.

A Valexport estima que os 15 mil hectares de uva geram 60 mil empregos diretos, enquanto os 35 mil hectares de manga, 70 mil.

A região também conta com plantios de coco, goiaba, banana, acerola, pera e caqui, entre outros.

Não à toa, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) foi a Petrolina na sexta-feira (24), em sua primeira visita ao Nordeste à frente do Planalto.

Na oportunidade, a Caixa Econômica Federal anunciou uma nova linha de crédito aos produtores de uva e manga da região com taxas menores perante análise técnica de projeto.

Vantagem competitiva

A pesquisadora e responsável pelo portfólio de frutas da Embrapa Semiárido, engenheira agrônoma Maria Auxiliadora Coelho de Lima, explica que a presença do rio combinada ao clima da região foram fundamentais para obter vantagem competitiva na fruticultura.

"O principal diferencial foi a fonte da água do rio para a irrigação. A gente também tem umidade relativa baixa, que reduz problemas de doenças ao longo do ciclo das culturas, e temperaturas altas que estimulam o desenvolvimento da planta, um crescimento mais rápido. Com isso você pode produzir mais cedo e ter ciclos mais rápidos do que em outras regiões. O investimento é pago mais cedo", diz.

A pesquisadora da Embrapa Semiárido Maria Auxiliadora Coelho de Lima - Luciana Amaral/UOL
A pesquisadora da Embrapa Semiárido Maria Auxiliadora Coelho de Lima
Imagem: Luciana Amaral/UOL

"Mas só isso não é suficiente, porque o custo de irrigação é alto. Nessa lógica, entra a história de poder produzir o ano inteiro junto à tecnologia que permitisse isso, como reguladores de crescimento para induzir a floração, inclusive de espécies que não são daqui", acrescenta.

Atualmente, na região, o ciclo da uva tem levado de 100 a 120 dias. O da manga, de 120 a 150 dias.

Grande parte do dinheiro dos empréstimos concedidos aos fazendeiros do vale do São Francisco em Petrolina e Juazeiro é originária do Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste.
Bolsonaro anunciou essa semana mais R$ 4 bilhões para o fundo, que totalizará em caixa cerca de R$ 27,7 bilhões para 2019.

Na prática, o valor se converte em crédito do Banco do Nordeste para os setores produtivo, agropecuário, industrial e de turismo, entre outros.

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As pesquisas da Embrapa incluem indutores de crescimento e manejo de floração para que os produtores consigam ter safras durante todo o ano. Por ser de clima temperado, a uva tem um período de dormência que consegue ser driblado com a tecnologia criada pela unidade de Petrolina.

Neste ano, a Embrapa Semiárido lançou um novo modelo de plantação de goiabeiras para evitar a proliferação excessiva de nematoide-das-galhas, um tipo de verme microscópico.

O projeto começou há cerca de sete anos, com apoio financeiro do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico), cujo orçamento foi diminuído em 2019 e pode sofrer cortes de bolsas de pesquisa.

Assim como na medicina, os parasitas podem criar resistência a remédios, então é preciso desenvolver tecnologias mais avançadas para extingui-los. Mais visitantes indesejados que podem dar dor de cabeça para a fruticultura local são as moscas-das-frutas, cochonilhas, ácaros e tripes.

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