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Quanto mais pressão, mais vontade tenho de continuar, diz Bolsonaro

Bernardo Barbosa

Do UOL, em São Paulo

11/06/2019 18h19Atualizada em 11/06/2019 21h37

Sem citar a revelação de conversas privadas do ex-juiz federal e atual ministro da Justiça, Sergio Moro, com o coordenador da operação Lava Jato, Deltan Dallagnol, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) disse hoje em São Paulo que, "quanto maiores são as pressões" que sofre por ocupar o cargo, "mais vontade eu tenho de continuar."

Bolsonaro deu tal declaração durante discurso na sede da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), onde recebeu uma condecoração da entidade. O presidente estava acompanhado dos ministros da Economia, Paulo Guedes, e da Defesa, general Fernando Azevedo e Silva.

Em seu discurso, Bolsonaro falou de vários assuntos, da reforma da Previdência à defesa do ensino militar, passando pela situação na Argentina ("O que vocês puderem fazer pela Argentina, façam") e por elogios da atuação de ministros como Guedes, Ricardo Salles (Meio Ambiente) e Tarcísio de Freitas (Infraestrutura) -- mas nada de Moro.

Depois de dizer ontem em nota que confia "irrestritamente" em Moro, o presidente adotou o silêncio sobre a revelação, pelo site The Intercept Brasil, de mensagens em que o então juiz dá orientações ao procurador Deltan Dallagnol, chefe da Lava Jato em Curitiba. A Constituição veda a existência de vínculos entre o juiz e as partes de um processo judicial.

Cerca de uma hora antes, depois de reunião com o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), Bolsonaro encerrou uma entrevista a jornalistas quando foi questionado sobre as mensagens de Moro - e não respondeu. De manhã, o presidente e o ministro se reuniram por cerca de meia hora a sós em Brasília e participaram da cerimônia de concessão da Ordem do Mérito Naval, em que Moro foi condecorado.

Moro vai prestar esclarecimentos no Senado no dia 19 sobre a troca de mensagens com Deltan.

Aplausos e "apoio incondicional" de Skaf

Na Fiesp, o presidente ganhou um momento de alívio da tensão política provocada pela revelação das conversas privadas do ministro da Justiça. Foi aplaudido pela plateia de empresários quando tentou ajudar o maestro João Carlos Martins, que tocou o Hino Nacional, a ligar um microfone que não funcionava; e quando o presidente da entidade, Paulo Skaf, contou que Bolsonaro defendeu a Fiesp ainda como deputado federal, na época do impeachment de Dilma Rousseff (PT) --que foi apoiado pela Fiesp.

"Que orgulho hoje tê-lo como presidente da República", disse Skaf, que declarou "apoio incondicional" ao avanço da agenda de reformas econômicas pelo governo.

Após a saída do presidente, um grupo de não mais que 20 pessoas se manifestava em frente ao prédio da Fiesp em defesa de Moro. "Viva a Lava Jato, viva Sergio Moro", gritou uma integrante do grupo, enquanto outro disparava rojões.

Depois da visita à Fiesp, Bolsonaro participou de um jantar na casa de Skaf com mais de 40 empresários e executivos de companhias de diversos setores, como AmBev, Bradesco, Vivo, Gerdau, BRF, Fiat, Ford, GM e Vale. Guedes, Azevedo e Silva e o secretário da Receita Federal, Marcos Cintra, também compareceram, assim como o secretário da Fazenda paulista, Henrique Meirelles.

Segundo dois participantes do jantar, Bolsonaro fez um discurso informal defendendo mais uma vez a reforma da Previdência e disse que a proposta deve passar na Câmara ainda no primeiro semestre. O presidente também afirmou que a redução do preço da energia é uma das prioridades do governo.

Antes de ir à Fiesp, o presidente se reunira com Abílio Diniz, ex-dono do Grupo Pão de Açúcar e presidente da gestora de investimentos Península.

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