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Moro rebate ministro do STF e diz não ter lista de hackeados

2.jul.2019 - O ministro Sergio Moro na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara (CCJ) - Cláudio Reis/Estadão Conteúdo
2.jul.2019 - O ministro Sergio Moro na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara (CCJ) Imagem: Cláudio Reis/Estadão Conteúdo

Luciana Quierati

Do UOL, em São Paulo

26/07/2019 10h42

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, rebateu hoje, em postagem no Twitter, a declaração dada por um ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) ao UOL de que ele não deveria ter uma lista das pessoas que supostamente foram alvo de hackers presos na terça-feira e que também não poderia estar ligando para os hackeados. Sob condição de anonimato, o magistrado disse que Moro sequer deveria ter informações de um processo que, até agora, é mantido sob sigilo.

Na postagem, feita na madrugada, Moro diz que não tem lista das possíveis vítimas, mas confirmou que está entrando em contato com algumas pessoas para informá-las sobre o hackeamento.

"Vamos explicar para o UOL já que insiste em falsos escândalos. As centenas de vítimas do hackeamento ilegal, tão celebrado pelo UOL, têm o direito de saber que foram vítimas. Só estão sendo comunicadas. Não tenho lista, só estou comunicando alguns", escreveu Moro.

O ministro do STF disse à reportagem que "isso que ele [Moro] está fazendo, além de desmoralizar a Polícia Federal e o Judiciário, ainda pode prejudicar a condução do processo, pois estas atitudes podem ser questionadas no Supremo". Afirmou ainda que Moro confunde suas funções com as de um "delegado da Polícia Federal, que conduz a investigação, e do juiz, que deveria tomar este tipo de decisão".

Ontem, antes da publicação da reportagem, a assessoria de Moro foi contatada e informou que ele não comentaria as declarações.

A crítica do ministro ouvido pela reportagem não foi a única. À colunista Mônica Bergamo, o ministro Marco Aurélio Mello disse que Moro não pode destruir mensagens de hacker, como havia dito que faria, e que só o Judiciário poderá decidir se as mensagens apreendidas com os hackers serão destruídas.

Presos e vítimas

Na terça, a Polícia Federal prendeu quatro suspeitos de invadir o celular de Moro e de outras autoridades. Segundo a Folha, os presidentes da Câmara e do Senado, Rodrigo Maia (DEM-RJ) e Davi Alcolumbre (DEM-AP), estariam entre as vítimas e teriam sido avisados disso por Moro.

Ontem, o Ministério da Justiça afirmou que o presidente Jair Bolsonaro também teve o celular invadido. A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, confirmou ontem que foi vítima de uma tentativa de ataque hacker, que teria sido identificada pela própria PGR.

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