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Sem provas, Lula diz: "Milicianos do Bolsonaro que tacam fogo na Amazônia"

Reprodução/Youtube
Imagem: Reprodução/Youtube

Do UOL, em São Paulo

06/09/2019 00h38

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) responsabilizou os "milicianos" do presidente Jair Bolsonaro (PSL) pelas queimadas na Amazônia, mas não apresentou provas. De acordo com Lula, os empresários do agronegócio são contra o fogo na floresta.

"A Amazônia está queimando porque os picaretas do agronegócio estão queimando, porque o empresário sério do agronegócio sabe que tem prejuízo com isso e que tem que cuidar do produto que quer exportar para poder ter valor lá fora. O empresário sério não é a favor de tocar fogo. Quem está tocando fogo são os milicianos do Collor, do Bolsonaro. Desculpa, Collor. São os milicianos do Bolsonaro. Começa com madeireiro, depois capim, depois o gado. Esses que estão tocando fogo, não é empresário sério que está fazendo isso", afirmou em entrevista à CartaCapital .

Lula também falou sobre a polarização envolvendo o PT e criticou o PSL, partido de Bolsonaro. "Virou moda falar que precisamos acabar a polarização entre PT e Bolsonaro. Quando eram os tucanos, eles não queriam acabar com a polarização. O PT é o maior partido existente nesse país, é um p... de um partido. Não é um amontoado de interesses como é o PSL. O Bolsonaro perde as eleições, e o PSL acaba, igual foi com o Collor. Os caras trocam de partido como se trocasse de cueca', declarou.

O ex-presidente ainda disse o Senado vai assumir a responsabilidade pela indicação do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSD-SP), filho de Jair Bolsonaro, para ser embaixador do Brasil nos Estados Unidos.

"Não sou contra o Bolsonaro indicar o filho dele. Quem tem culpa é o Senado, que vai assumir a responsabilidade. Se ele fosse um gênio, tudo bem, mas porque o cara aprendeu a assar hambúrguer? Não é possível. Precisamos de alguém com conhecimento de política externa, economia para colocar lá, porque a embaixada americana é a mais importante, mas você colocar um serviçal?", questionou.

Veja outros trechos da entrevista de Lula:

"Não é o Bolsonaro, é o projeto"

"Não fico torcendo para a desgraça ser maior do que já é. O meu problema não é o Bolsonaro em si, e sim o projeto que ele representa. O Bolsonaro cai e entra o Mourão. Vai mudar o projeto? Estou vendo o Rodrigo Maia (presidente da Câmara) tentar se apresentar como se fosse primeiro-ministro, mas tudo que a elite quer ele está aprovando na Câmara. O problema não é a pessoa, e sim o projeto, que não pensa o Brasil para os brasileiros. O cara tem o mandato para cumprir, mas não disse em nenhum momento que seria eleito para destruir o Brasil."

Lula candidato em 2022?

"Como posso falar? Estou com 74 anos, estou pensando em casar, estou novo. Obviamente que vai ter gente muito mais nova e com mais disposição do que eu. Eu não sei. Eu preciso sair daqui (da prisão), saber como estou, como estão as forças políticas. Um monte de gente com 40, 50, 60 anos. Eu me contentaria em ser cabo eleitoral, mas se não tiver ninguém capaz de derrotar essa podridão da elite brasileira que governa esse país pode estar certo que o Lula estará no jogo."

"Bolsonaro não vai se reeleger"

"O Trump ganhou pela mesma metodologia aqui do Brasil, estimulador do ódio e da mentira e porque a Hillary Clinton não era a melhor candidata. Acho que os EUA mereciam algo melhor, como nós no Brasil. Se ele vai ser candidato, qualquer pessoa que for presidente terá oportunidade de se reeleger se a economia estiver bem. Se o povo estiver trabalhando, ganhando salário e podendo comer uma picanha no fim de semana, o presidente que fizer isso tem muita chance de ganhar. Se o Trump for candidato, que ele faça isso. Não sei se ele vai querer invadir o Irã ou a Venezuela. Duvido, mas, de qualquer forma, quando você não tem projeto, você inventa um inimigo externo. O Bolsonaro está tentando se agarrar no Macron para mostrar que é nacionalista, mas ele é entreguista. Um presidente que vai passar pra história batendo continência pra bandeira americana e lambendo bota pro Trump não é nacionalista."

"A Argentina é uma lição a ser seguida pelos brasileiros. O Macri foi vendido como uma mentira maior que o Bolsonaro. Aliás, o Bolsonaro se mirava no Macri como espelho do bom governante. Não deu certo e aqui no Brasil também o Bolsonaro não vai se reeleger, não vai sobreviver politicamente em uma nova eleição, não acredito."

"Sociedade se dá conta do desastre que aconteceu em 2018"

"Ele (Bolsonaro) cresce entre as pessoas mais ricas. Eu, quando fui reeleito presidente do sindicato em 1998, tive 92% dos votos. Meus adversários exploravam que tinha 8% contra mim. Em uma sociedade com 210 milhões de brasileiros, ter 10% que gosta de um fanático sempre vai acontecer. Veja o Enéas, 8%, entre 8 e 10% você tem gosto para tudo. Tem maluco para tudo. A maioria da sociedade começa a se dar conta do desastre que aconteceu em 2018. Não encontra muita explicação."

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