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Líder do PT acusa diplomata do governo Bolsonaro de "respaldar" invasão

Eduardo Militão

Do UOL, em Brasília

13/11/2019 13h17

O líder do PT na Câmara, deputado Paulo Pimenta (RS), afirmou, na manhã de hoje, que o governo de Jair Bolsonaro (ex-PSL) dá "respaldo" à invasão da Embaixada da Venezuela em Brasília.

Ele fez a afirmação em frente à representação diplomática, meia hora depois de participar de mais uma reunião com o diplomata Maurício Corrêa, do Itamaraty, o embaixador Fred Flores, ligado ao presidente Nicolás Maduro.

Pimenta disse que, em todas as reuniões, o representante brasileiro dizia que nenhuma medida para retirar os invasores seria tomada porque o governo não reconhece o regime de Maduro, mas sim o do opositor Juán Guaidó, que já se proclamou presidente da Venezuela.

"O representante do Itamaraty, um indivíduo chamado Maurício Corrêa, faz questão de repetir, a todo tempo, que o governo Bolsonaro não reconhece o governo Maduro, não reconhece a representação diplomática, que o governo Bolsonaro só responde a Guaidó e que, portanto, não determinará nenhuma ação para resolver a invasão", contou Pimenta. "Ou seja, está dando respaldo dessa ação criminosa por parte do governo Bolsonaro", concluiu o petista.

O relato Pimenta foi dado em forma de discurso, pouco depois do meio-dia, diante de uma plateia de cerca de 200 militantes, de acordo com a Polícia Militar, que se aglomeram em frente à Embaixada - eram 30 pessoas por volta das 7h30 da manhã. O deputado disse ao UOL que tinha tido sua última reunião com Maurício Corrêa cerca de meia hora antes desse discurso.

Mas, enquanto Pimenta fala, o próprio Jair Bolsonaro foi à rede social Facebook dizer que "repudia" a "invasão" à embaixada e que tomou medidas para "resguardar a ordem".

A assessoria do Itamaraty reiterou ao UOL que o governo não incentivou a invasão e disse que o papel de Maurício Corrêa é obter informações e manter a situação pacífica. O Ministério das Relações Exteriores não confirmou nem negou a acusação de que Corrêa não faria nada para resolver o problema porque o governo de Bolsonaro não reconhece Maduro. "Isso ainda está sendo discutido", explicou. Uma nova nota do Itamaraty deve ser divulgada ainda hoje para esclarecer isso.

O tenente coronel Alberto Mendes contou ao UOL que não recebeu nenhuma ordem para retirar os invasores ligados a Guaidó até as 13h30

imenta está na embaixada desde o início da manhã, participando das negociações.

O tenente-coronel da Polícia Militar, Alberto Mendes, comanda uma equipe de 40 policiais militares para dar segurança no local. Ele disse que a ordem é não deixar ninguém entrar. "Quem sair, não entra", explicou ao UOL. "É o protocolo."

Apesar disso, mais cedo houve confusão no início entre os policiais e os militantes do PT, da CUT (Central Única dos Trabalhadores), PSOL e Central dos Movimentos Populares. Pouco após as 13h, um homem idoso se aproximou do local e, segundo os militantes de esquerda, fazia provocações a eles. A PM conduziu esse homem para longe e jogou um jato de gás de pimenta para afastar a multidão.

Alguns parlamentares, como Érika Kokay (PT-DF) e Célio Moura (PT-TO) acompanham do lado de fora. Segundo eles, Glauber Braga (PSOL-RJ) está dentro da embaixada participando das negociações com os funcionários do local e com o Itamaraty.

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