PUBLICIDADE
Topo

Coronavírus

New York Times vê Bolsonaro 'isolado e desafiador' no combate à pandemia

Para jornal, "a resposta de Bolsonaro à pandemia fez dele uma aberração" na América Latina - Isac Nóbrega/PR
Para jornal, "a resposta de Bolsonaro à pandemia fez dele uma aberração" na América Latina Imagem: Isac Nóbrega/PR

Do UOL, em São Paulo

01/04/2020 18h41

Na cobertura internacional da pandemia do novo coronavírus, o jornal norte-americano The New York Times divulgou uma reportagem hoje reforçando as críticas ao presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), descrito como "isolado e desafiador".

Segundo a publicação, Bolsonaro é "é o único grande líder mundial que continua questionando os méritos das medidas de bloqueio para combater a pandemia".

"À medida que crescem os casos e as mortes de coronavírus no Brasil, o presidente Jair Bolsonaro permanece desafiador, o último destaque notável entre os principais líderes mundiais em negar a gravidade do coronavírus", registrou o jornal.

Ao longo do texto, o The New York Times lembrou a ocasião na qual Bolsonaro disse que brasileiros poderiam se atirar no esgoto sem pegar qualquer doença, ou na insistência no uso da cloroquina, "de eficácia não comprovada", no tratamento da covid-19.

"Vários líderes mundiais — entre eles o presidente (dos EUA, Donald) Trump e o primeiro-ministro (do Reino Unido) Boris Johnson — demoraram a entender a ameaça do vírus altamente contagioso e relutam em adotar medidas de distanciamento social desruptivas e economicamente dolorosas que se tornaram a norma em grande parte do mundo", descreve o jornal. "Mas Bolsonaro continua sendo o principal destaque ao evitar o consenso científico sobre as medidas de bloqueio necessárias para impedir que os sistemas de saúde sejam sobrecarregados."

Também de acordo com a publicação, "a maneira como ele lidou com a crise levou à consternação todo o espectro político do país". "Um movimento para impeachment de Bolsonaro está ganhando apoio popular, com brasileiros batendo panelas em suas janelas todas as noites para repudiar seu presidente", registrou.

"Ele demonstrou ser incapaz de ser presidente", disse Maria Hermínia Tavares de Almeida, cientista política da Universidade de São Paulo, ao jornal. "Ele permanece no poder por uma razão muito simples: ninguém quer criar uma crise política para expulsá-lo em meio a uma emergência de saúde", avaliou.

Coronavírus liga alerta pelo mundo

O New York Times citou também o pronunciamento feito ontem à noite pelo presidente em cadeia nacional de rádio e TV, no qual citou o novo coronavírus como "o maior desafio da nossa geração". Mas lembrou que "o presidente não aprovou medidas estritas de quarentena", e criticou o uso fora de contexto de declarações do diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom.

"Em meados de março, os governadores começaram a pedir aos brasileiros que ficassem em casa, a menos que trabalhem em setores críticos, e pediram que várias categorias de negócios fossem fechadas", lembrou o texto. "À medida que a colcha de retalhos das medidas de bloqueio endurecia, Bolsonaro atacou os governadores por cair em um estado de 'histeria' e afirmou, sem provas, que eles estavam inflando números de coronavírus para ganho político. Ele atacou jornalistas, acusando-os de provocar pânico em um esforço para minar seu governo. Ele chamou o vírus de 'gripezinha'."

Os aliados ouvidos pelo jornal dizem que ele é retratado como imprudente por afirmar que as medidas de isolamento podem ser mais prejudiciais ao bem-estar da população. Segundo o deputado federal Major Vitor Hugo (PSL-GO), "o que o governo está fazendo é tentar encontrar um meio-termo entre o bloqueio total e permitir que a economia e o comércio continuem".

Ainda em sua matéria, o jornal diz "a resposta de Bolsonaro à pandemia fez dele uma aberração em uma região onde a maioria dos líderes agia rapidamente para implementar medidas de permanência em casa, fechar fronteiras e fechar negócios". "Tais medidas foram adotadas em outros países politicamente polarizados, incluindo Chile, Argentina e Colômbia, com pouca discórdia", lembrou.

Coronavírus