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'Quem ganha mentindo vai governar mentindo', diz Marina sobre Bolsonaro

18.abr.2016 - A ex-senadora Marina Silva (Rede-AC) faz avaliação do cenário político após aprovação do impeachment de Dilma Rousseff (PT-MG) na Câmara dos Deputados - Wilson Dias/Agência Brasil
18.abr.2016 - A ex-senadora Marina Silva (Rede-AC) faz avaliação do cenário político após aprovação do impeachment de Dilma Rousseff (PT-MG) na Câmara dos Deputados Imagem: Wilson Dias/Agência Brasil

Do UOL, em São Paulo

10/06/2020 15h46Atualizada em 10/06/2020 18h10

A ex-senadora e ex-ministra do Meio Ambiente, Marina Silva (Rede-AC), reforçou hoje a defesa das ações em julgamento no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) que pedem a cassação da chapa Jair Bolsonaro-Hamilton Mourão. Para Marina, não se pode permitir uma disputa eleitoral "com base em atitudes criminosas" e o compromisso com a verdade "deve estar sempre em primeiro lugar".

"Você disputar uma eleição, hackear uma base de dados [página 'Mulheres Unidas contra Bolsonaro', no Facebook], transformar esse grupo em 'Mulheres a favor de Bolsonaro' e alguns dias depois o próprio candidato fazer agradecimentos, como se [esse grupo] fosse algo genuíno e verdadeiro... Quem ganha mentindo vai governar mentindo", disse a ex-senadora em entrevista à CNN Brasil.

Ela também comparou as acusações de roubo de informações à tentativa, por parte do governo federal, de dificultar o acesso aos dados da situação da covid-19 no Brasil. "Quem ganha roubando base de dados para atuar a seu favor... É isso que Bolsonaro faz agora, tentando esconder o número de mortes e contaminados [pelo novo coronavírus]", acrescentou.

Adversária de Jair Bolsonaro (sem partido) nas eleições de 2018, Marina ainda disse ter informações de outro ataque de hackers, desta vez ao movimento "Juntos pela democracia". Segundo ela, é uma tentativa de fazer o mesmo que foi feito ao grupo "Mulheres Unidas contra Bolsonaro" no Facebook, que foi hackeado e teve seu nome mudado para "Mulheres com Bolsonaro #17".

"O compromisso com a verdade deve estar sempre em primeiro lugar", afirmou a ex-senadora. "É preciso que o TSE seja exemplar, é muito importante que o exemplo venha de cima. Quando o próprio presidente usa de expedientes que não são legítimos e legais na sua campanha...", completou, sugerindo que as supostas atitudes de Bolsonaro seriam um mau exemplo.

Bolsonaro 'aposta no caos'

Questionada sobre a atuação do governo federal no enfrentamento da pandemia, Marina disse que Bolsonaro e sua equipe são "o pior transtorno" na condução da crise, citando a ausência de um ministro da Saúde titular há mais de 20 dias e os conflitos criados entre o Executivo e membros do Congresso, ministros demitidos (Sergio Moro, Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich) e o STF (Supremo Tribunal Federal).

"Acho que o presidente e seu governo são o pior transtorno na condução da pandemia. Vocês sabem que eu defendia o impeachment [de Dilma Rousseff (PT-MG)], mas defendia a cassação da chapa Dilma-Temer. Neste momento, nós temos três frentes [pelo afastamento de Bolsonaro]: do Congresso, do TSE e do Supremo. Quem está criando os fatos que levam a esses pedidos é o próprio presidente", afirmou.

A ex-senadora também criticou o presidente por incentivar e participar de aglomerações, desestruturar ações de governos estaduais e municipais contra a covid-19 e atacar a imprensa por divulgar os dados reais, "da forma como acontecem". Para Marina, Bolsonaro comete erros de propósito para justificar seu projeto autoritário de poder.

"Os erros são propositadamente cometidos por esse governo. Ele aposta no caos para justificar seu projeto autoritário de poder", avaliou. "O governo está fabricando crises uma atrás da outra. O Congresso está trabalhando, os tribunais de conta estão trabalhando, o Supremo está trabalhando. O presidente Bolsonaro é o principal polo da crise. Esse momento é grave, dramático", concluiu Marina.

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